A música na periferia é discutida no INTERCOM 2010

Por Renata Freitas Coelho


 Palestrantes chamam a atenção do público sobre temas relevantes à música e periferia

No dia 5 de setembro, foi realizado no INTERCOM 2010 um debate sobre o tema “Comunicação, juventude e ritmos urbanos: em torno da música e da periferia”. O debate contou com a presença de três palestrantes e uma mediadora de universidades cariocas. Muniz Sodré de Araújo, pesquisador e professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), citou o escritor Nelson Rodrigues em sua fala, na qual revela a radical separação entre a vida infantil e a vida adulta, o muro que há entre esses dois expoentes. Nelson Rodrigues sintetiza isso muito bem ao afirmar que “o adulto não existe. O homem é um menino perene”. O professor destaca também a dualidade existente entre consumo e produção e a busca incessante pelo que é “a cara da juventude”. Muniz Sodré salienta o funk e o hip-hop, ritmos tradicionalmente da periferia, e da importância da aceitação desses pelos ritmos tradicionais.

Já Regina Glória Andrade, professora de pós- graduação da UERJ ( Universidade Estadual do Rio de Janeiro) relatou o projeto que desenvolveu sobre comunicação sensível e sua experiência com jovens da comunidade da Mangueira, do Rio de Janeiro. Em outras palavras, o projeto relaciona Psicologia a Arte, através da expressão criativa da música. O médico e psicanalista Freud já dizia que “a Arte é o máximo da expressão da subjetividade”, e nas palavras da professora “ a arte através da expressão criativa da música promove a expansão da vida e a singularizarão da subjetividade”. Além disso, promove a comunicação e eleva a auto-estima dos participantes carentes.

O último componente da mesa, Micael Herschmann, pesquisador e professor da UFRJ, apresentou seu estudo sobre o caso do hip-hop no Brasil. Ele discutiu a rápida expansão do ritmo nos anos 80 e 90 e a glamorização feita pela mídia e, alguns anos mais tarde, exercendo uma posição contrária, sendo criminalizado na cena midiática. Normalmente, os jovens da periferia são considerados grupos de risco pela sociedade brasileira, são marginalizados. Por outro lado, quando a mídia torna os jovens do hip-hop visíveis eles se tornam atores sociais com direitos, o que é muito positivo para a construção de uma comunidade ou sociedade. Micael cita como personalidades da música Ferréz, Mano Brown e MV Bill. O primeiro embarcou também em outras vertentes, publicando livros que se encaixam na chamada “nova literatura marginal”.



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