Coutinho vira tema no GP de Cinema

por Ana Navarrete

Bianca, Felipe e Alfredo discutem o estilo de Coutinho


   Quem resolveu enfrentar os ventos gelados do último dia do congresso conferiu, a partir das 14 horas, um grupo de pesquisa cinematográfica cheio de questões filosóficas. A mistura surgiu com a mesa "O cinema de Eduardo Coutinho", que contava com a presença da coordenadora Leila Beatriz Ribeiro (Unirio), da estudante Bianca Elisa da Costa (Unisinos), do documentarista Felipe Maciel Xavier (UFRGS) e do professor Alfredo Dias d´Almeida (Universidade Metodista de São Paulo).

   Bianca abordou temas de "Cabra Marcado para Morrer" (1984) e, de acordo com ela, "a temática de cada filme revela que a memória é quem conduz as histórias, e que elas são endereçadas ao público para manter viva a luta dos trabalhadores camponeses”.

   Já Felipe e Alfredo buscaram em "Jogo de Cena" (2007) a sua inspiração. "Parece-me que o que Eduardo Coutinho quer designar em seus filmes é o acontecimento. O principal das obras dele são as histórias, e essas são construídas através do instante", argumenta Xavier.

   "O que importa é a forma como as coisas são contadas para gerar o clima de dúvida. O filme mescla os depoimentos verdadeiros com os atuados. O espectador se sente instigado a saber se quem fala é ator ou não", afirma o professor Alfredo Dias.

    Felipe disse ainda que o documentário de Coutinho não busca a verdade, mas sim a ambigüidade – e isso vai contra as expectativas do público. Quando questionados se o filme "Jogo de Cena" pode ser considerado um documentário, visto que possui atrizes interpretando alguns depoimentos, o grupo se manteve unido: "É tudo cinema", finalizam.



0 comentários:

Postar um comentário