“Educação e Formação para divulgação científica” foi a mesa que aconteceu ontem, às 19h, no II Seminário de Comunicação e Ciência (Lecomciencia), da Unesp. Os palestrantes foram Ricardo Zorzetto, editor-executivo da Revista Pesquisa Fapesp e Francisco Rolfsen Belda(foto acima), gerente de internet do jornal Tribuna Impressa e pesquisador do Lecotec.
O objetivo da mesa era refletir sobre a necessidade de a divulgação de ciência estar vinculada ao conhecimento, ainda que mínimo, do assunto a ser tratado. A discussão passou por temas controversos, como a atitude inconseqüente de algumas revistas e jornais, que publicam matérias sem a apuração devida que a valida como documento social.
Para Zorzetto, que falou basicamente sobre sua atuação na revista Pesquisa, “o jornalista deve desconfiar de tudo, não acreditar em verdades acabadas”. Ele afirmou ainda que o jornalista que pretende trabalhar na área tem por obrigação entender minimamente do funcionamento da ciência.
A divulgação científica, por tratar de assuntos complexos que assustam facilmente tanto o leitor quanto o próprio pesquisador, torna-se alvo fácil de informações enganosas, mitos e fabulações exageradas, como é o caso das descobertas científicas inusitadas e o do efeito milagroso que atribuem a medicamentos. “O jornalista tende a encaminhar a responsabilidade do que diz para sites especializados de ciência, citando artigos científicos que, tirados do seu contexto, perdem o sentido”, afirmou Zorzetto.
Já Francisco Belda pontuou em sua palestra a necessidade de o jornalista que divulga ciência estar motivado e cativado pela temática. Segundo ele, “gostar de ciência” é o principal elemento necessário para fazer um bom trabalho.”Os fenômenos científicos não são de outro mundo, pelo contrário, eles estão dentro de nós”, alegou o pesquisador.

Além disso, Belda falou sobre a herança do jornalismo literário na divulgação científica, ou seja, de como os recursos de narratividade comuns à literatura podem auxiliar na articulação de um jornalismo mais humanizado e solidário ao indivíduo que há por trás de cada pesquisa e de cada artigo.
Francisco Belda, que começou a se interessar por ciência muito jovem, a partir de um livro científico de Carl Sagan, falou sobre a facilidade de perceber a ciência no mundo de hoje, que vê surgir a cada dia uma nova tecnologia.
Citando ferramentas virtuais como Google Sky, que permite observar planetas e constelações, ele afirmou que questionar o que há por trás de cada coisa que utilizamos no dia-a-dia, é um bom começo para alimentar o espírito desconfiado de que deve estar revestido todo jornalista. “A própria percepção da ciência já é fascinante, a ciência tem a ver com as inquietações do homem, em todos os sentidos”, afirmou Belda.

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