Jaderson Souza
“O futebol pode dizer muito do país que somos”. Essa foi a tônica da mesa redonda “Futebol e Memória”, da 13ª Jornada Multidisciplinar da Unesp, realizada no Câmpus de Bauru. O convidado foi o antropólogo Édison Gastaldo, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Imagens Isa Namba
No início do debate foi apresentado um filme, produzido pelo próprio Gastaldo, que mostra o futebol como o “fato social total brasileiro”. Em outras palavras, o futebol é um fenômeno no qual se pode observar uma relação com alguns aspectos da realidade social: poder, política, economia, honra e guerra.
“A Copa do Mundo, sem dúvida, é o grande fato social total brasileiro” complementou Gastaldo que analisou o sentimento de orgulho nacional que aflora quando se aproxima o período de disputa do Mundial. Ele considerava a perda da Copa de 1950 como um divisor de águas para os brasileiros: “a partir da derrota para o Uruguai em 50, todas as outras Copas passam a ser uma oportunidade de redenção para o Brasil. A história pode ser recontada de 4 em 4 anos”.
Por outro lado, o antropólogo não compartilha da ideia de que o sucesso do Brasil nas Copas esteja atrelado a feitos políticos. Ele cita como exemplos as Copas de 1966 e 2002. Em 66, o Brasil não passou da primeira fase e houve uma consolidação do regime militar no país. Já em 2002, ano que o Brasil foi pentacampeão mundial aconteceu a troca de comando político visto que a antiga oposição passou a governar o Brasil.

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