Diploma de jornalismo é destaque em mesa-redonda


Um dos eventos mais disputados do Intercom foi a mesa redonda sobre Teoria do Jornalismo e a queda da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. Participaram do debate os professores Carlos Eduardo Franciscato, Beatriz Alcaraz Marocco, Zelia Leal e o coordenador do GP, Felipe Pena.

No início, cada participante fez uma exposição sobre o tema. Franciscato ressaltou a importância do diálogo entre a formação acadêmica e prática do jornalista: “A teoria é o fundamento da técnica, e o jornalismo vai além do conhecimento acadêmico, abrangendo também a prática”.

Já Zelia Leal abordou a rotina desgastante a que são submetidos os jornalistas. “O repórter não pode ficar sempre na chamada ‘rotina infernal’. Para agüentar, eles acabam criando mecanismos próprios de sobrevivência. Deveria haver mais espaço para reflexão”. Ela salientou também a atual crise do jornalismo: “Pode ser chamada de ‘crise de evidência’. Sabemos que ela existe, mas não a causa dela”.

Logo depois, Beatriz Marocco realizou uma exposição teórica sobre Teoria do Jornalismo. Em seguida, Felipe Pena inovou e recorreu ao poema Ilíada, de Homero, para exemplificar que a técnica não é tudo no jornalismo - o deus grego da técnica, Hefesto, era manco.

A partir daí, a discussão passou a ser o polêmico diploma para jornalistas. Felipe afirmou já ter sido ferrenho defensor da obrigatoriedade, mas que mudou de idéia recentemente. Para ele, o fim da obrigação promoverá uma maior concorrência, resultando na melhora dos cursos. Zelia Leal contestou, afirmando que a decisão do Supremo Tribunal Federal tem objetivos políticos, e não práticos.

Questões como a perda de garantias trabalhistas e o futuro da comunicação foram levantadas em debate com os participantes da mesa. No final, chegou-se a um consenso: com ou sem diploma, é necessário achar uma solução para o jornalismo atual.

Texto e foto: Cristiano Pátaro Pavini



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