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Clique na imagem e veja o convite oficial para a Conferência InterMunicipal de Bauru e Região



Boletim especial "Olhar" - Terceira Edição

Veja a cobertura do terceiro dia da Semana do Jornalismo da Ufsc.




Editor-chefe do Estadão no terceiro dia da Semana Estado

O terceiro dia da XXVI Semana Estado de Jornalismo contou com a participação de Marcelo Beraba, editor-chefe do Estadão.

Beraba ressaltou, durante toda a palestra, a importância da apuração para o bom jornalismo. Segundo ele, informações falhas resultam na perda de credibilidade, tanto para o jornalista quanto para o veículo de comunicação.

Ele refutou também a tese de que o jornalista nasce com a habilidade de apuração: "A qualidade de apuração não está no DNA do repórter, mas sim na constante experiência prática".

Para exemplificar uma apuração mal feita, Beraba relembrou a ontológica manchete de capa do jornal Correio Brasiliense do dia 4 de Julho de 2000, em que foi estampado "O Correio errou". Neste dia, o jornal se desculpou e se explicou pela falsa reportagem publicada no dia anterior, ligando o ex-ministro da Justiça de FHC Eduardo Jorge a escândalos financeiros. Saiba tudo o sobre o assunto AQUI.

De forma didática, Beraba expôs os seis fundamestos básicos do jornalismo: pesquisa, documentação, apuração, entrevista, observação e rechecagem.

Criticou também o jornalismo atual, majoritariamente declaratório, como se a única ferramente disponível fosse a entrevista. Assim, podemos perceber muitas aspas nas matérias, contrastando com as raras observações dos repórteres. Brincou, fazendo analogia ao futebol: "é como colocar `para o juiz, o jogo terminou empatado`, e não o próprio repórter afirmar que o empate foi o resultado da partida".

Por fim, Beraba utilizou o slogan do extinto repórter Esso para sintetizar o que são os repórteres: testemunhas oculares da história. "O repórter não pode se abdicar de passar suas informações ao público", finalizou.


Ouça AQUI a extrevista de Marcelo Beraba à Jornal Júnior:
(seguindo o exemplo do Correio Brasiliense, a Jornal Júnior faz uma auto-correção: Beraba é editor-chefe e não editor-geral, como consta no áudio).

Texto e entrevista: Cristiano Pavini
Foto retirada de http://pauloeleuterio.zip.net/images/beraba.jpg



Boletim Olhar - Segunda Edição

Confira a cobertura completa do segundo dia da Semana do Jornalismo da UFSC.





Boletim Olhar - Primeira Edição

Confira o primeiro boletim "Olhar" sobre a cobertura da Semana do Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina.




Jornalismo Literário inaugura Semana UFSC



Primeira mesa redonda da Semana de Jornalismo UFSC debate o crescimento do gênero no país, que ainda engatinha



Com o tema “Narrativas do Fato”, a mesa redonda de abertura desta segunda-feira abordou o crescimento da produção de livros-reportagem no Brasil. Participaram da discussão os jornalistas Sérgio Vilas Boas, Kléster Cavalcanti e Cassiano Machado.

Sérgio Vilas Boas iniciou a conversa diferenciando dois tipos de livros-reportagem: um que conta uma história extensa com linguagem jornalística e outro que carrega a subjetividade do autor sem ferir os fatos e é escrita com linguagem literária. Sérgio comentou que a sustentação de um bom livro de não-ficção sestá nos personagens. “Quando escrevo, quero entender como as pessoas são, suas características individuais. Quero personagens que pensam e agem de forma diferente da multidão” afirma.

Vilas Boas ainda comentou a importância de estar no local dos fatos para produzir uma boa reportagem. Sobre o assunto, Kléster Cavalcanti ressaltou que o repórter precisa viver o problema para transmiti-lo com emoção e realismo. “Para um bom livro reportagem, o factual não interessa. O jornalista precisa contar o lado humano dos acontecimentos”, explica.

Kléster afirma que o jornalismo literário exige tempo, para uma apuração impecável dos fatos. Para Cassiano Machado, esse é o principal entrave ao crescimento do mercado de literatura de não-ficção. “Escrever uma obra de não-ficção exige muito tempo e trabalho e o mercado não está pronto para bancar” comenta. Cassiano reconhece que há um crescimento do gênero no Brasil, mas ressalta que ainda é “pífio”.

Apesar do consenso, Vilas Boas salienta que a ficção perdeu força nos últimos tempos, argumentando que os leitores se interessam mais pelo jornalismo literário que carrega subjetividade, mas, ao mesmo tempo, acolhe a objetividade. “Vivemos em um tempo febril, louco, em que a ficção é a própria realidade que pensamos viver. Há uma necessidade de se agarrar a algo que seja ou, ao menos, pareça real”, completa.



Reportagem especial: o ápice do jornalismo

O segundo dia da 3ª etapa da XXVI Semana Estado de Jornalismo trouxe Daniel Pizza, Adriana Carranca e Lourival Sant´Anna para debaterem o que sabem fazer de melhor: reportagem.

Da esq. para direira: Pizza, Adriana e Lourival

Para um público que novamente lotou o auditório do Estadão, os palestrantes abordaram a reportagem como gênero jornalístico e contaram experiências pessoais na profissão. Todos ressaltaram a importância da apuração e do aprofundamento na realização da matéria, e salientaram que nem sempre é possível realizá-la sendo inteiramente imparcial.

Daniel Pizza contou aos universitários suas experiências ao refazer pessoalmente as viagens realizas por Euclides da Cunha em "Os Sertões" e por Guimarães Rosa em "Grande Sertão: Veredas". Nelas, pôde perceber semelhanças e diferenças entre as regiões da época em que os consagrados escritores visitaram e atualmente.

Ouça AQUI a entrevista que Daniel Pizza concedeu à Jornal Júnior.

Logo em seguida, Adriana Carranca narrou algumas de suas viagens ao exterior -grande parte realizada durante suas férias - que renderam reportagens. Dentre elas está a ida à Teerã (capital do Irã), que resultou na publicação de um caderno especial publicado no Estadão. Ela afirmou ser complicado dissociar a vida privada da profissional, e que tenta realizar matérias mesmo nas viagens à passeio.

Mas o ponto alto do evento foi o relato do repórter Lourival Sant´Anna sobre a epopéia que vivenciou na cobertura da guerra entre Geórgia e Ossétia do Sul. Soldados, milicianos, ameaças de morte, armas e tanques blindados foram apenas alguns dos riscos que Sant´Anna teve que enfrentar ao ser o único repórter internacional a cruzar o lado ossetiano da fronteira. A reportagem na íntegra, narrada em primeira pessoa, pode ser lida AQUI.

OUÇA também a entrevista completa de Lourival Sant´Anna à Jornal Júnior.

Lourival, Pizza e Adriana afirmaram que, em casos excepcionais como esses, é permitida a utilização da subjetividade pelo repórter, pois só ela permite que toda a riqueza de detalhes seja relatada.

No fim, os universitários questionaram os repórteres sobre diversos assuntos, desde experiências profissionais até assuntos polêmicos, como o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo.

Apenas uma das questões não foi respondida: qual o salário de um repórter especial? Nenhum dos palestrantes se arriscou a responder, mas chegou-se a um consenso: deveria haver um adicional pela periculosidade do serviço.

Texto e entrevistas: Cristiano Pavini
Foto: Heraldo Soares



Entrevista com Francisco Ornellas


Apesar da correria, o coordenador da Semana Estado de Jornalismo, Francisco Ornellas, conseguiu tempo para dar uma breve entrevista à Jornal Júnior.

Ele afirma que o tema deste ano - desenvolvimento sustentável - foi escolhido por ser atual, proporcionando ao universitário ferramentas que serão utilizadas quando ingressar no mercado de trabalho.

Segundo ele, a Semana Estado de Jornalismo 2009 receberá de 900 a 1.100 estudantes de mais de 70 faculdades


Ouça AQUI a entrevista completa

Entrevista: Cristiano Pavini
Foto: Heraldo Soares



Oito anos discutindo a profissão


Semana de Jornalismo da UFSC debate o futuro da Comunicação


Na manhã de ontem, com os mini-cursos de extensão, teve início a 8ª edição da Semana de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. O evento, organizado pelos alunos do curso termina sexta feira, 25, e realiza grupos de discussão e palestras com nomes importantes do jornalismo brasileiro. A primeira edição da Semana ocorreu no ano 2000 e foi idealizada exclusivamente pelos graduandos do curso, como conta um dos organizadores do evento João Schmitz: “Os alunos tiveram a ideia e o professor Áureo Moraes “abraçou” o projeto e o estruturou dentro do curso”, afirma.

Desde o início, o objetivo da Semana do Jornalismo é debater e abordar os principais tópicos que circundam a temática da Comunicação, como a queda do diploma, agora em 2009. “O nosso intuito é discutir a profissão, por isso convidamos pessoas legais de diversas áreas de dentro do Jornalismo. Isso acaba, automaticamente, trazendo para nossa Semana profissionais
que interessam em um ponto comum os graduandos”, diz João.

Uma das características do evento é trazer nomes de grande influência frente aos alunos: Ricardo Kotscho, Marcos Uchôa, Marcelo Tas, Ruy Castro, Rubens Valente, Marcos Sá Corrêa, Daniela Pinheiro, Ana Carolina Fernandes, Maurício Dias, Juca Kfouri, Eliane Cantanhêde, Percival de Souza, Luís Ernesto Lacombe, Sônia Bridi, Mylton Severiano, entre outros importantes comunicadores ajudaram a constituir a Semana de Jornalismo da UFSC como uma das mais importantes do país.

Nesse ano, entre outras coisas, as mesas de discussão e as palestras trazem temática variada, abordando desde o mercado dos livros-reportagem até a importância do jornalismo ambiental. De acordo com o professor da UFSC, Jorge Kanehide, a proximidade dos graduandos com o mercado de trabalho e a prática jornalística justificam eventos como este. “A vinda de colegas experientes da profissão realimenta e areja o curso e, principalmente, as discussões do jornalismo. E isso é muito bom para todos”, explica.

O evento segue hoje com debates sobre cultura e sociedade brasileira. O encerramento da Semana terá a equipe do programa da TV Globo “Profissão Repórter”, dirigido pelo jornalista Caco Barcellos.

Texto e foto: Douglas Calixto



Reportar e Aprender



Há duas semanas, a Jornal Júnior encerrava, em Curitiba, a cobertura do maior evento de comunicação do país, o Intercom. Uma grande experiência que trouxe notoriedade e qualidade à Agência, além de uma grande oportunidade para fazer não simplesmente contatos, mas também amigos em quem reconhecemos uma paixão em comum: o jornalismo. Foi graças a essa convergência de objetivos que recebemos o convite para virmos até Florianópolis fazer a cobertura da consolidada Semana do Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, a UFSC. O evento está na sua 8ª edição e, mais uma vez, conta com nomes de peso em seus minicursos, mesas de discussão e palestras.
Com toda ajuda e apoio do Lecotec (Laboratório de Estudos em Comunicação, Tecnologia e Educação Cidadã), a equipe da Jornal Júnior, de última hora, encarou 800km de estrada em dez horas de viagem e foi muito bem recebida pela organização da Semana do Jornalismo aqui em “Floripa”. O que mais chamou atenção de início, além das luzes que iluminam a entrada da cidade e da hospitalidade do nosso amigo João Schmitz – aluno do segundo ano de jornalismo da UFSC – foi a competência e o empenho dos alunos envolvidos na organização do evento. Apesar do contratempo que impediu Marcelo Rubens Paiva de participar da abertura da Semana, João Paulo Cuenca, colunista do O Globo, não deixou nada a desejar na primeira palestra, mérito da comissão de comunicação organizadora.
A Jornal Júnior tem, basicamente, duas missões nessa viagem. A primeira é fazer a cobertura jornalística com a mesma competência e dedicação que há na realização da Semana. Para isso, estamos produzindo edições especiais do OLHAR, abastecendo o blog e twitter da Agência e veiculando um programete radiofônico pela Rádio Unesp Virtual (www.radiovirtual.unesp.br). A segunda é levar para Bauru a experiência de como organizar uma semana de jornalismo, conforme se discutiu na troca de gestão no final do ano passado. A consolidação de um evento como esse só tem a agregar qualidade à nossa formação.

Texto: Diogo Zambello
Foto: Campus da UFSC (Acervo Digital)



Sustentabilidade e Economia abrem Semana Estado de Jornalismo

Começou hoje a 3ª etapa da XXVI Semana Estado de Jornalismo. O evento é organizado pelo jornal O Estado de São Paulo e promoverá, dos dias 22 a 25, palestras para os estudantes de jornalismo inscritos. O palestrante do dia foi Hugo Penteado, economista-chefe do Banco Santander, que abordou o tema “Economia e Sustentabilidade".

Universitários lotaram o auditório do Estadão

Considerado um “ecoeconomista”, Penteado falou sobre a relação de degeneração que o ser humano promove no planeta Terra e seus efeitos no meio ambiente – e em nosso futuro. “Toda a espécie animal que não compartilha o ecossistema com as demais espécies está fadada ao desaparecimento”, afirmou o palestrante.

Somos guiados, de acordo com o economista, pelo mito do “jogar fora”, segundo o qual tudo o que produzimos pode ser excluído sem deixar vestígios. A realidade, no entanto, não é assim. “O materialismo humano cresce seis vezes mais rápido que a população. Todo esse material não é simplesmente expelido do planeta. Ele permanece na natureza”.

Penteado utilizou dados para exemplificar o grau de destruição provocado pelo ser humano, tais quais:

*21 hectares de florestas (correspondentes a 42 campos de futebol) são destruídos por minuto
*a cada ano uma área de florestas equivalente ao Uruguai é desmatada
*a cada 9s um campo de futebol de florestas deixa de existir na Amazônia
*95% do esgoto dos países pobres não é tratado

O palestrante citou também o conceito de resiliência da natureza, do ambientalista Stephen Jay Gould, segundo o qual a “extinção se voltará contra os causadores”. Com isso o homem, responsável pela desaparecimento de diversas espécies, seria ele mesmo naturalmente extinto pela natureza.

Outro assunto abordado foi o papel do nosso atual sistema econômico na
degradação do meio ambiente. Para Penteado, todos os sistemas econômicos são lineares (extraem, produzem e descartam), degenerativos e submetidos ao crescimento exponencial. Foram citados os três mitos da Teoria Econômica Tradicional: Mito Mecanicista (o sistema econômico é neutro para a natureza), Mito Tecnológico (o meio ambiente é inesgotável) e o Mito Neoliberal (todas as benesses sociais dependem do crescimento econômico).

Por fim, o palestrante respondeu às perguntas dos universitários e mostrou-se cético quanto à conscientização do ser humano para as questões ambientais.


Hugo Penteado é também autor do blog http://nossofuturocomum.blogspot.com/

Texto: Cristiano Pavini
Fotos: Heraldo Soares




Discutindo os rumos da Comunicação

A Unesp terá hoje uma mesa redonda sobre a I CONFECOM (Conferência Nacional de Comunicação). O objetivo é deixar claro para os estudantes a importância da Conferência e os rumos que a etapa regional está tomando.

A Conferência Nacional será de 1 a 3 de dezembro, com o tema “Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital”, em Brasília. Mas, até lá, acontecerão discussões regionais que ganharão proporção até que se chegue no evento nacional. A etapa regional dicutirá propostas e elegerá representantes para serem levados à etapa estadual e, por fim, à Nacional.

A CONFECOM levará propostas da sociedade civil sobre os rumos a serem seguidos pelo poder público na área da Comunicação brasileira.

A mesa-redonda é uma prévia desta organização. Estarão presentes: Prof. Dr. Zarcilo Barbosa, Luis Marcus Ferreira (Articulador do CONFECOM municipal em Bauru),Pedro Ekman(Representante do Coletivo de Comunicação INTERVOZES) e Márcio José dos Santos (Setor de Comunicação do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra).

A mesa acontece no anfiteatro da sala 1, no campus da Unesp/Bauru, à partir das 19 horas. O evento é aberto ao público.

Mais informações sobre a organização dessas discussões em âmbito nacional, você encontra aqui.



Novos meios necessitam de novo jornalismo


A mesa redonda intitulada “O jornalismo sob o signo da cibercultura: desafios emergentes” propôs uma boa discussão sobre o mundo virtual e seus impactos na sociedade real. A pesquisa sobre o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) realizada em 2008 foi o embasamento inicial dos representantes da Revista Imprensa, Rodrigo Manzano e Igor Ribeiro, que deixaram claro o fim do jornalismo como o conhecemos atualmente.

A migração para o meio digital seria apenas questão de tempo e a discussão em torno do fim dos suportes deveria ser transformada em debates sobre o que será o fazer jornalismo. Para Rodrigo, as pessoas não manterão o hábito do contato maior com veículos impressos, já que com o suporte digital, a pessoa “Lê o que quer, quando quer, no local em que quer, na condição que quer. E isso não é exagero.”

Outro diferencial entre o aporte tecnológico e o tradicional é na questão ambiental, tão visada nos dias de hoje. Os conteúdos virtualizados não tem o fator de desmatamento para a produção de papéis, assim como não tem a poluição causada pelos produtos químicos de algumas empresas. Mas o principal fator é a não monopolização da informação pelo jornalista.

A professora do Centro universitário Feevale, Paula Puhl, ressaltou o perfil jornalístico necessário para o profissional do novo mundo. “Ser um gestor do conhecimento e ter tino empreendedor também são características do novo jornalista. Além da ética, é claro.” Paula também defendeu que a academia, considerada mais conservadora em relação às novidades, está cada vez mais fugindo da velha forma e se reinventando. Principalmente com a presença dos novos professores, que já são do período tecnológico. Mas segundo Rodrigo Manzano, as “universidades ainda andam muito mais lentas do que o mercado de trabalho”.



Famosos no mundo virtual é tema de grupo de pesquisa do Intercom 2009


Um dos temas abordados no Grupo de Pesquisas de Cibercultura foi a reputação e as celebridades da web, com base em artigo do professor Alex Primo, da UFRGS. A apresentação do trabalho explicou desde o conceito de celebridade para o homem até os fenômenos da blogosfera e redes sociais.

A pesquisa do professor aponta que o ser humano é um narcisista, sempre em busca da felicidade e procurando uma audiência que o admire. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos em 2006, com jovens entre 18 e 25 anos, apontou que 81% deles tem como maior objetivo de vida ser famoso. Com a internet, a busca por reputação e audiência passou do mundo real para o virtual.

A explicação para isso no ambiente virtual está no mundo real, “a fama dinamiza as conversações, a pessoa nunca viu a manicure e está conversando com ela sobre uma pessoa famosa”, exemplifica o professor Alex Primo. Muito mais que isso: “as celebridades domesticam nossos desejos, suavizam a exploração da indústria cultural. Eles são os heróis do nosso tempo, mesmo sem fazer nada demais para serem heróis”.

Como cada vez mais as pessoas passam o tempo todo conectadas, boa parte desse tempo nas redes sociais, existe cada vez mais interesse em ser uma celebridade na internet. Ter centenas de amigos no Orkut e muitos seguidores no twitter é um indício desse status. Além disso, ter renome no twitter é receber muitos links e mensagens das pessoas, ao ponto do usuário não ter condições de responder as mensagens enviadas.

A pesquisa ainda aponta também que alguns blogueiros conseguem notoriedade porque a mídia de massa “ensinou” a considerar as pessoas celebridades. Entre eles estão Interney, Baunilha, Carlos Merigo e Cardoso. Mas o professor Alex Primo defende que existe uma diferença entre ser celébre e conhecido na internet: “Na blogosfera e no twitter não existem celebridades que nasçam daí, celebridade é uma mercadoria, é um produto da indústria cultural”.

O Caso Twittess

Para muita gente, deixar de ser anônimo para ser celebridade é uma necessidade. O exemplo mais conhecido da busca pela fama na internet é da curitibana Tessalia Serighelli(acima, foto de seu avatar no twitter). Ela abriu um perfil no twitter e adicionou o maior número possível de usuários . Depois de conseguir milhares de seguidores, Tessalia ficou muito conhecida na twittosfera brasileira e ganhou notoriedade no mundo virtual. Ela já conseguiu fazer um ensaio fotográfico para a revista VIP e foi indicada ao prêmio de Melhor Twitter do Ano no Video Music Brasil, prêmio de cultura pop da MTV.



Diploma de jornalismo é destaque em mesa-redonda


Um dos eventos mais disputados do Intercom foi a mesa redonda sobre Teoria do Jornalismo e a queda da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. Participaram do debate os professores Carlos Eduardo Franciscato, Beatriz Alcaraz Marocco, Zelia Leal e o coordenador do GP, Felipe Pena.

No início, cada participante fez uma exposição sobre o tema. Franciscato ressaltou a importância do diálogo entre a formação acadêmica e prática do jornalista: “A teoria é o fundamento da técnica, e o jornalismo vai além do conhecimento acadêmico, abrangendo também a prática”.

Já Zelia Leal abordou a rotina desgastante a que são submetidos os jornalistas. “O repórter não pode ficar sempre na chamada ‘rotina infernal’. Para agüentar, eles acabam criando mecanismos próprios de sobrevivência. Deveria haver mais espaço para reflexão”. Ela salientou também a atual crise do jornalismo: “Pode ser chamada de ‘crise de evidência’. Sabemos que ela existe, mas não a causa dela”.

Logo depois, Beatriz Marocco realizou uma exposição teórica sobre Teoria do Jornalismo. Em seguida, Felipe Pena inovou e recorreu ao poema Ilíada, de Homero, para exemplificar que a técnica não é tudo no jornalismo - o deus grego da técnica, Hefesto, era manco.

A partir daí, a discussão passou a ser o polêmico diploma para jornalistas. Felipe afirmou já ter sido ferrenho defensor da obrigatoriedade, mas que mudou de idéia recentemente. Para ele, o fim da obrigação promoverá uma maior concorrência, resultando na melhora dos cursos. Zelia Leal contestou, afirmando que a decisão do Supremo Tribunal Federal tem objetivos políticos, e não práticos.

Questões como a perda de garantias trabalhistas e o futuro da comunicação foram levantadas em debate com os participantes da mesa. No final, chegou-se a um consenso: com ou sem diploma, é necessário achar uma solução para o jornalismo atual.

Texto e foto: Cristiano Pátaro Pavini



Televisão pública se encarrega de incluir o Brasil digitalmente

Imagine-se à beira do rio Amazonas, ao lado da mata densa num ponto isolado da civilização. Agora pense se seria possível mandar um e-mail através de uma TV. Se você respondeu que não, você errou. Em alguns anos, a tecnologia da TV digital será lançada e a abrangência de uma rede de internet sem fio tornará possível o envio de um e-mail pela tela da televisão até de pontos isolados do país.

A tecnologia que possibilita essa façanha é o WiMAX. Uma espécie de banda larga semelhante ao WiFi que se diferencia por cobrir até 70km de raio de atuação e permite a radiodifusão. A tecnologia será difundida em cidades de até 100 mil habitantes.

Num país em que mais de 68% da população não tem acesso à internet e 98% das casas possuem televisão, a TV será uma grande opção para a inclusão da sociedade ao mundo digital.

“Para popularizar a TV digital nós temos que baixar custos. Ano que vem no ano da Copa a gente espera que as empresas baixem os custos de seus equipamentos”, diz o doutor em comunicação pela ECA/USP e atual assessor da Casa Civil da Presidência da República, André Barbosa Filho. Ele ainda lembra que a TV digital não oferece apenas melhor qualidade de imagem, como a participação do espectador na produção de conteúdo.

O assessor se refere às opções de participação através da nova TV. O usuário pode acessar a internet, ler livros e até interagir com a tecnologia do celular. “A rede pública é a melhor alternativa para os projetos inclusivos da TV digital. As TVs comerciais não pretendem usar a interatividade plena.”, garante.

Barbosa ainda afirma que a verdadeira interação do espectador, enviando informações para a programação e participando das atrações será vista na TV pública. A expectativa para a implementação do projeto é para meados de 2010. Agora, a interação pela TV digital, também será direito de todos.



O twitter atuando em parceria com o jornalismo

Um dos painéis do Grupo de Trabalho de Cibercultura do Intercom 2009 foi dedicado ao twitter, serviço chamado de microblog onde as pessoas tem que responder “O que você está fazendo?” em apenas 140 caracteres.

O artigo “O Microblog Twitter como Agregador de Informações de Relevância Jornalística”, da professora Luciana Menezes Carvalho, da UFSM, mostrou o quanto o site pode ser usado como um produto jornalístico, principalmente agregando informações.

Um dos comportamentos mais comuns dos usuários do twitter é compartilhar informações com seus seguidores. Os usuários criaram o hábito de passar links com o que estão vendo, lendo ou ouvindo pela internet.

A rede social assim deixa de ser um espaço para saber simplesmente o que as pessoas estão fazendo para ser uma rede social informativa. A professora Luciana diz “a grande novidade foi justamente essa apropriação do usuário em relação à informação de relevância jornalística. No twitter me parece que as pessoas tem essa necessidade de compartilhar informações, trocar links, chamar pro blog”.

Essa forma de compartilhar passaria a ser um filtro do que está acontecendo na internet. Seja descobrindo qual é o mais novo web-hit da internet ou vendo a notícia mais recente envolvendo o presidente Lula.

O twitter seria também uma fonte para buscar informações jornalísticas? A professora Luciana comenta e diz que também passou a usar o twitter dessa forma: “Depende da rede de seguidores que a gente forma, eu especialmente me utilizo muito do twitter para a partir dali navegar pela internet, pros sites que as pessoas estão comentando. Tem um grande número de pessoas que está fazendo esse uso do twitter”.

Os usuários fazem uma construção dos conteúdos jornalísticos mais importantes, selecionando de maneira coletiva tudo que está na internet de maneira desordenada. A professora destaca ainda que as empresas estão prestando cada vez mais atenção nisso: “As empresas estão se dando conta disso e usando o twitter para ser o novo canal de divulgação de informações, usam para cobertura, colocando o repórter na rua, postando direto, ao vivo”.



Editor de “Caros Ouvintes” fala sobre Intercom

Ricardo Medeiros esteve presente há pouco no GT do Intercom que debateu Rádio e Mídias sonoras. Ele é diretor e sócio-fundador do Instituto Caros Ouvintes, que promove o desenvolvimento de estudos e pesquisas, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos relativos aos meios de comunicação social no âmbito do estado de Santa Catarina.

Ouça AQUI a entrevista

Cristiano Pátaro Pavini



Relações Públicas na busca pela valorização

Hoje, aconteceu tivemos a entrega do Prêmio Relações Públicas do Brasil, em reconhecimento aos profissionais que contribuem para o desenvolvimento da área. O evento faz parte do congresso Intercom desde 2006, quando o prêmio foi instituído.


Organizado pelo Portal RP-Bahia, o prêmio pode ser considerado uma homenagem póstuma a Luiz Gonzaga, que sempre lutou pela valorização da profissão de Relações Públicas. A principal condecoração dessa premiação é a “Medalha 2 de Dezembro”, concedido anualmente à quem leva os Relações Públicas a novos patamares, eleito por uma comissão. Nesta quarta edição, Waldir Gutierrez Fortes, professor da Universidade Estadual de Londrina, foi exaltado pelo seu trabalho no Portal RP.




Uma comissão também elege os “Amigos das Relações” que homenageia profissionais de outras áreas que valorizam as Relações Públicas. Em 2009, foram lembrados Dr. Clóvis de Barros Filho (ECA/USP) e Dr. Antônio Carlos Hohlfeldt, presidente do Intercom, que trouxe o evento para dentro do Congresso.


Outros prêmios foram concedidos a Marco Rossi (Profissional de Mercado), Fábio França (Professor Pesquisador), Maria Estela Tomazzi (in memorian) e Ana Paula Garcia (Profissional Revelação).
Foto: Waldir Gutierrez Fortes condecorado com a medalha 2 de Dezembro. (Por Raphael Bispo)



Para falar e ouvir na web 2.0


Com a diversidade de meios digitais que circundam a vida moderna, uma preocupação suscita uma discussão: como é o processo de transmissão e absorção das informações enviadas por essas novas tecnologias? Esse foi tema do Grupo de Trabalhos sobre Mídias, Culturas e Tecnologias Digitais na América Latina no Intercom 2009.

A questão sobre o modo de cobertura brasileiro sobre as notícias latino-americanas foi tema da apresentação do jornalista Alexandre Barbosa. Alexandre mostrou exemplos de reportagens de exclusão de notícias da América Latina ou de abordagens estereotipadas e superficiais dos acontecimentos nos nossos países vizinhos.

“Não dá para competir com os veículos tradicionais, a gente tem de tratar de outros assuntos em outros espaços que não na grande mídia.”, afirma a coordenadora do grupo e avaliadora dos projetos, professora Maria Cristina Gobbi. Gobbi ainda lembra que as mídias independentes não devem enfocar apenas no factual, mas em temas pertinentes, independente da atualidade.

Outras exposições apresentaram teses sobre a interatividade. No contexto da web 2.0 e sua interatividade com os usuários, trabalhos sobre sites de jornalismo cidadão e sobre a visibilidade do Orkut emergiram uma discussão: A produção de conteúdo na internet é enorme, mas a absorção de todas essas informações não é na mesma quantidade.

“Faltam espaços de divulgação onde a gente seja capaz de ouvir e trocar informações. Nesses espaços será possível, não só produzir, mas também enxergar o que está sendo feito na web.”, pontua a professora. Maria Cristina fala ainda que criar esses espaços é o propósito do grupo e do próprio Intercom.


Renan Simão



Era digital, comunicação e futebol: produção de sentido além das 4 linhas


O GP (Grupo de Pesquisa) de Comunicação e Esporte discutiu como as novas tecnologias vêm moldando a sociedade e as suas estruturas de comunicação - uma realidade que atinge em cheio os meios noticiosos e seus respectivos produtos jornalísticos.

Altamente ligado à especulação e à emoção, o jornalismo esportivo é um dos que mais sofrem com essa criação de novas alternativas de transmissões de notícias. Como disse o professor da Universidade Federal de Viçosa Ricardo Bedendo, ferramentas como o twitter, live blogging, blog, flickr, podcast, etc, forçam jornalistas e profissionais da comunicação esportiva a se familiarizarem com novas linguagens e usá-las a favor do veículo que trabalham: “A questão do acesso à informação é fundamental. As novas tecnologias exigem que pensemos no que fazer com elas, pois, atualmente, não adianta apenas ter a informação, tem que saber repassá-las através de novas mídias de uma maneira que satisfaça o ouvinte, leitor etc.”

O twitter, por exemplo, tem causado arrepios nos editores e jornalistas que trabalham com futebol diariamente. Com a adesão dos dirigentes ao microblog, divulgando os bastidores das principais informações dos seus clubes, os veículos vêm perdendo espaço na hora de dar o “furo” da notícia.

O fenômeno das “twettadas” faz com que a maioria dos programas esportivos se adequem à ferramenta criando contas no microblog. Isso apenas reafirm um processo que já era realidade na comunicação e, sobretudo, no Jornalismo esportivo: a interatividade. “O desejo cada vez maior de participar das ações propiciadas pelas ferramentas de interatividade revela grande um potencial, cada vez maior, de comunicação e grandes desafios na formação de profissionais”, disse o professor Ricardo.

Outra ferramenta interativa essencial na atual conjuntura do Jornalismo esportivo é a participação de internautas, ouvintes e telespectadores na produção do programa. Além de enviar material multimídia no geral, os que eram antes apenas “torcedores” são, guardada as proporções, “editores “ da edição que vai ao ar. Eles enviam pauta, sugestões de infografia e diagramação e, em algumas oportunidades, enviam a própria matéria.

Num futuro próximo, com a chegada da TV e da Rádio Digital ao Brasil, muito da produção audiovisual esportiva terá que sofrer uma mudança substancial: colocar a interatividade à nível de prioridade. Caso contrário, a crônica esportiva, outrora pioneira na dinâmica jornalística, poderá ter dificuldades para se encaixar no novo modelo de comunicação.

Foto do professor Ricardo: Paula Machado



Televisão para ensinar TV digital da UNESP-Bauru é referência no Intercom 2009


Num cenário de convergência de mídias na internet e nos aparelhos celulares, a televisão não fica de fora e, nesse contexto, a Televisão Digital ganha destaque. O antigo telespectador, outrora obrigado a aceitar o que estava passando nos programas tradicionais, agora pode interagir com o que aparece na telinha. Apertando um botão do controle remoto, um inteiro repertório de informações sobre o programa assistido se mostra na frente da pessoa. O hábito de apenas encarar a televisão sentado no sofá, será modificado por um protagonista, sentado no mesmo sofá.

No Grupo de Trabalho do Intercom 2009 sobre a TV Digital o tema foi muito debatido por especialistas do assunto de todo o Brasil, que expuseram seus artigos mais atuais. Dentre os 10 participantes, 4 são da UNESP do campus de Bauru e estudantes do programa de mestrado em TV Digital.

Dentre eles, está Giovana Sanches, jornalista formada na UNESP – Bauru e mestranda do programa de TV Digital da mesma universidade, ela aposta no poder da conscientização pela interatividade.

“Eu acredito num conteúdo educativo da TV pública digital, pois só ela propicia o incentivo à cidadania e cultura.”, afirma. Giovana ainda lembra que nas emissoras comerciais isso se torna difícil porque elas dependem do lucro para sobreviver e o espaço para programas educativos fica menor.

A TVU, Televisão Universitária da UNESP-Bauru é pioneira na comunidade acadêmica quando se trata de televisão digital. “A TV ainda está em fase de implantação, mas já existe uma grade programas. O meu trabalho pretende integrar programas da TVU de 3 minutos que abordam um ensino informal, diferente do das escolas.”, ressalta.

Talvez, num futuro próximo, os domingos de poltrona e televisão serão tão educativos quanto à segunda-feira na sala de aula.


Renan Simão



Pesquisa sobre beleza e pessoas de baixa renda é discutida no INTERCOM


Os padrões de beleza socialmente impostos sempre foram objetos de trabalhos das mais diversas áreas do conhecimento. A tese de mestrado de Janaína Jordão, intitulado “Marcas e baixa renda combinam? Estudo sobre o consumo da beleza por trabalhadoras domésticas” aborou o tema. O trabalho foi apresentado no Intercom pela publicitária, esclarecendo que o padrão de mulher considerado “ideal” pelas domésticas entrevistadas era a magreza, alta estatura e cabelo loiro.

Com análise das trabalhadoras domésticas de Goiânia e comparação dos discursos da mídia televisiva que elas mais assistiam, a pesquisadora percebeu que a apropriação do discurso midiático sobre beleza era absorvida pelas trabalhadoras, e que esse padrão era ditado na época principalmente pela novela “A favorita”.

Numa era em que há uma grande confusão entre o “ser” e o “ter”, é preciso rever quais são as prioridades para uma boa vivência. Isso sem falar do preconceito que o estabelecimento de um padrão único pode gerar.

A pesquisa aponta que a igualdade não pode ser apenas no discurso, tem que se concretizar na sociedade. A busca por uma beleza ideal parece não ter fim, mesmo que custe mais do que é possível pagar. Como afirma Janaína, “No caso da beleza, elas não vão parar de consumir por causa do preço. Se for caro, elas procuram preços que sejam viáveis às pessoas de baixa renda”.



Medo e Sonho: pesquisa aborda as duas faces do Rio de Janeiro


Na manhã deste sábado, o Núcleo de pesquisas Comunicação e Culturas urbanas debateu "o retrato das grandes cidades na mídia e sua percepção pelo público". Na sessão 1 do núcleo, foram apresentados 5 trabalhos relacionados aos fenômenos sociais que envolvem a realidade dos centros urbanos.

Dentre as pesquisas apresentadas, vale destacar “Cidade dos medos x Cidade dos sonhos: o paradoxo das representações do jornal O Globo durante o Pan no Rio de Janeiro”, realizada pela Profa. Vânia Fortuna, da Universidade Veiga de Almeida (UVA), e pelo Porf. Ricardo Freitas, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

A pesquisa baseou-se na cobertura feita pelo jornal “O Globo” sobre os Jogos Panamericanos de 2007 e nas ocorrências policiais noticiadas pelo mesmo veículo nesse período. Vânia afirma que o evento foi supervalorizado e que o jornal associa a presença de um efetivo maior de policias a um momento de felicidade e liberdade vivido pelo Rio. “Durante o Pan as pessoas saíam mais, sociabilizavam mais. O Rio viveu um momento de euforia, mas com a preocupação constante do que aconteceria após o fim do evento”, afirma ela.

A pesquisa mostrou que “O Globo” deixou de lado, no período do evento, sua visão de uma Rio de Janeiro perigosa, admitindo um novo olhar sobre a cidade, retratada como segura e feliz. “O Rio é de fato uma cidade dos sonhos e possui uma alegria permanente de viver, o problema é que a violência marca de forma brutal o imaginário e o cotidiano da cidade”, comenta Ricardo.

O legado deixado pelo Pan Americano no Rio é algo polêmico. Segundo Vânia, houve um lado positivo. Foram deixados mais de 1.500 carros novos para a segurança pública, além de câmeras instaladas por toda a cidade e da restauração de importantes ícones arquitetônicos. Porém, a professora ressalta que a receita dos jogos poderia ter sido melhor investida. “Faltou planejamento por parte dos governos federal, estadual e municipal. A preocupação deveria ser com algo mais aprofundado, e não só com a “maquiagem” da cidade”, afirma ela.



A televisão deve crescer com os expectadores

Uma das mesas de discussão sobre o Telejornalismo colocou na mesma pauta a TV e a Internet.

“Telejornalismo na TV Digital: Tecnologia e fazeres jornalísticos” era o tema que reuniu sete trabalhos na mesa de Telejornalismo. O comum entre elas era a certeza da transição que está acontecendo no Jornalismo com a proposta da Era Digital. A internet é o meio que tem audiência crescente e consegue agregar outros meios como a TV.

De acordo com Flávio Antônio Porcello a proposta de discutir a televisão que, segundo ele, já foi uma mídia sem crédito, agora é um avanço. Mas o futuro aponta para a convergência digital da representação da realidade apresentada em áudio e vídeo.

Outro ponto em comum entre os teóricos é que tornar o material digital é uma construção, e o público aprende a ser expectador desta nova fase, ao mesmo tempo que pode contribuir para o desenvolvimento do conteúdo.

“Se os telespectadores podem agora interagir com o telejornal através das janelas da internet, estamos a caminho de um diálogo e da construção de um jornalismo cidadão”, é o que diz Tatiane Pimentel explicando que a cidadania só é construída através da transformação do cotidiano pelos cidadãos.

Marliva Vanti Gonçalves acha que o telejornalismo vai precisar de parcerias para o seu desenvolvimento de conteúdo, além da técnica e da forama, para ssim aumentar a experiência do público com o que lhe é apresentado.

Foto: Paula Machado




Reinventar é a palavra de ordem no cinema


Dentro das atividades realizadas no Intercom 2009, acontece o III OFCOM - Oficinas Intercom de Divulgação Científica. Em uma delas, os professores Alexandre Lara e Fábio Feltrin, da UTP (Universidade Tuiuti do Paraná), falaram sobre o Cinema Open Source, uma forma colaborativa de produção de conteúdos audiovisuais.

A partir de um ou mais vídeos (trechos de filmes, programas de TV, clipes ou outros produtos audiovisuais) juntos com outras mídias, produzidos por terceiros, cria-se outro trabalho, o vídeo remixado.

A técnica de remixar diferentes produtos midiáticos começou com os DJs e os remixes de mídias de áudio, sonoras, passando posteriormente para o audiovisual. Nos anos 2000, criou-se a cultura do copiar, recortar, colar vídeos, com efeitos especiais e de computação gráfica.
O remix se encaixa na participação do usuário do ciberespaço, que deixa cada vez mais de ser espectador e passa a um produtor de conteúdo na internet. O usuário precisa e sente a necessidade de interagir, produzir e participar.

A tendência é que a cultura do remix fique mais fortalecida, os usuários fazem de redes como o orkut, facebook e twitter um espaço para divulgação desse tipo de conteúdo. O professor Alexandre Lara destaca algumas facilidades para a produção “o usuário hoje tem plataformas que são personalizadas para isso, como o Creative Commons e o You Tube Remixer. Além disso, cada a vez mais a produção fica padronizada dentro da lei e dos direitos autorais. Sem contar os softwares livres que as pessoas podem baixar em seus computadores”, comenta o professor Alexandre.

Uma característica muito presente nos remixes de vídeos na internet são os vídeos considerados trashs. O termo trash aplicados aos vídeos da internet vem caracterizar algo de baixa qualidade. Esses vídeos são uma verdadeira febre na internet e cultuados por uma verdadeira legião de pessoas. O professor Alexandre comenta o porquê desses remixes serem tão cultuados no mundo virtual: “A coisa principal da internet é que as pessoas querem se divertir. Entretenimento dentro da internet é fundamental, se o conteúdo não traz um laço afetivo com ele, com uma certa ironização de conteúdo ele se dispersa. Existem os profissionais, mas o internauta quer buscar entretenimento”.

Foto: Paula Machado



Fotodocumentarismo é tema de oficina


A Jornal Júnior acompanhou nesta tarde um evento que abordou um velho aliado da comunicação: o Fotodocumentarismo. Durante a exposição, a Professora Carmen Lúcia Fagundes, do curso Politécnico de Fotografia (RJ), apresentou uma perspectiva histórica dessa ferramenta tão importante.

Durante as três horas de Oficina, a professora estabeleceu progressivamente, a partir do século XIX, uma relação da técnica fotográfica com História. Os daguerreótipos, as primeiras fotografias, caracterizam o século das descobertas. Logo essa nova forma de retrato da realidade se populariza e, pela primeira vez, se interessa pela documentação das desigualdades.

Com esse novo viés, Jacob Riis retrata favelas e guetos de NY, Lewis Hine acompanha trabalhadores braçais de uma construção, Diane Arbus expõe o grito dos marginais, Garry Winogrand capta o espontâneo, Nan Goldin se confunde o próprio trabalho, Sebastião Salgado documenta êxodos urbanos. Não são só fotógrafos, mas também observadores, que viveram e registraram a história.

A fotografia ainda encontra barreiras quanto documento histórico. Criticada pelo seu aspecto subjetivo, a foto ainda se depara em segundo plano nas pesquisas acadêmicas. E, de acordo com a professora, tende a mudar.


A oficina fez parte do III OFCOM - Oficinas Intercom de Divulgação Científica

Foto: Paula Machado



Entrevista com presidente do Intercom

A Jornal Júnior conversou com o professor Antônio Hohlfeldt, presidente da Diretoria Executiva do Intercom. Eleito em 2008 para um mandato de três anos à frente do Comitê, Hohfeldt declarou que o Intercom é hoje a maior entidade acadêmica nacional de comunicação.
São exatamente 4.076 inscritos para o evento desse ano, em que serão expostos 1629 trabalhos. Ambos os números são recordes. Segundo Hohfeldt, são mais de 7 mil pessoas envolvidas, direta e indiretamente, com o Intercom desse ano.
Ouça a entrevista completa AQUI:

Cristiano Pavini - Agência Jornal Júnior



Identidade de Bauru é tema de documentário no Intercom



Toda cidade carrega particularidades que colaboram para a construção da identidade local. Um grupo de alunos de jornalismo da Universidade Estadual de São Paulo - Unesp - do campus de Bauru produziu, em 2008, um documentário questionando a importância de uma identidade para as cidades. O objeto central do estudo é a região conhecida como “cidade do lanche”: Bauru.
O mote do documentário “Segunda Via: Bauru em busca de uma nova identidade” é o roubo do bauruzinho, a estátua de um lanche bauru que passou a ser considerada símbolo da cidade. A polêmica se dá em torno do fato de os estudantes o terem roubado. A partir de então, opiniões e argumentos são dados com o intuito de responder: “Qual a relevância da identidade para uma cidade?”

O documentário já ganhou o Intercom Regional Sudeste desse ano (realizado no Rio de Janeiro) pela categoria documentário em vídeo de jornalismo da Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação, EXPOCOM. Dessa vez o objetivo é maior: ganhar o Intercom Nacional.
A intenção inicial não era tão ambiciosa. O filme foi criado como trabalho acadêmico para disciplina Telejornalismo II. A proposta nasceu a partir de uma aula de antropologia - ministrada pelo Professor Doutor Claudio Bertolli - que retratava a importância da identidade para um indivíduo. O grupo acreditava que fazer um documentário sobre a identidade de bauru seria uma maneira gostosa de abordar um assunto não muito recorrente e pouco pesquisado.

A idéia de se inscrever para o Intercom Sudeste aconteceu de repente e sem grandes pretensões: “Achávamos que não iríamos ganhar, principalmente por conta da estética do documentário”, afirmou Pâmela Nunes, integrante do grupo. O filme concorreu com nove Trabalhos de Conclusão de Curso, em que a preocupação estética costuma ser maior.



Jornalismo da Era dos Jetsons




Essa post foi feito usando um notebook em rede sem fio durante uma apresentação, postando informações da palestra nesse blog e “tuitando” sobre os acontecimentos do Intercom quase em tempo real. Essas novas ferramentas foram incorporadas ao chamado “Jornalismo Móvel”, tema da palestra do professor de comunicação social da UEPB, Fernando Firmino.

“Hoje se tem disponível uma grande quantidade de meios para absorver uma informação. Na internet existe a convergência das mídias tradicionais e, assim, há uma maior possibilidade de ver uma notícia, não apenas no rádio ou na TV.”, explica o professor.

Numa palestra repleta de vídeos e apresentações on-line, Fernando, mostra as influências das novas tecnologias na forma de obter e transmitir a informação. Um dos exeplos mostrados foi de uma reportagem feita por um celular e transmitida na TV ao vivo.

"Essa produção de conteúdo pode ser interessante. Porque uma pessoa pode estar num lugar onde um jornalista pode não estar. É interessante do ponto de vista jornalístico e também social.", afirma Fernando.

O tempo em que personagens de desenho falavam a um dispositivo com imagem real chegou. E o jornalismo tira proveito disso passando cada informação, quase que literalmente, em todo lugar e a cada segundo.

Renan Simão



Jornalismo na web 2.0



A oficina “Imprensa 2.0: Teoria e prática para o jornalismo na era digital”abriu os trabalhos da OFCOM (Oficinas Intercom de Divulgação Científica). A palestrante Thaís Naldoni propôs aos participantes a construção da notícia a partir do que se pode encontrar na rede mundial.

Cada vez mais o uso das novas tecnologias tem sido premissa para a produção de notícia e na internet encontra-se o maior potencial. Este caminho tem alargado fronteiras para a comunicação, ao mesmo tempo que diminui a distância física e geográfica.

O termo “Imprensa 2.0” no título da palestra é referência à Web 2.0, conceito que fala da segunda geração de internautas e da partipação deles na rede com a troca de informações. “Na Internet nada é definitivo, este é um apenas um passo. Ainda falta muito para chegar em um ponto em que o internauta possa de fato participar”, afirma Thaís Naldoni, editora-executiva do Portal IMPRENSA, que tem seu conteúdo voltado para jornalistas.

A democratização e acessibilidade da Web permitem ainda que o expectador participe ativamente na construção da notícia. O ponto de partida desta oficina são as redes que permitem a interação imediata entre usuários desta rede, inclusive meios de comunicação e comunicadores. Com um material vasto da internet, Thais pediu para que grupos coletassem material de diferentes assuntos em redes sociais populares no Brasil como Twitter e Orkut.

O papel do jornalista é o de trabalhar o potencial da rede, captar a relevância e apurar os fatos para que o volume de informação não atrapalhe a imprensa. “Vai demorar para que o usuário seja a figura principal, e talvez nunca seja, por que o principal é a notícia”, é a reflexão de Thaís. “Mas com as redes sociais, todo mundo é pauta.”



Coordenadora de Jornalismo da UFAC fala sobre o Intercom 2009



Em entrevista à Jornal Junior, a cooredenadora do curso de jornalismo da Universidade Federal do Acre (UFAC), Aleta Dreves, comentou sobre a importância do Intercom na interação entre alunos de comunicação de todo o Brasil. Para ela, o evento vêm crescendo ao longo dos anos e atraindo cada vez mais estudantes.

Jornal Junior: Há quantos anos você participa do Intercom?
Aleta: Participei pela primeira vez em 2004. De lá pra cá o evento cresceu muito. No começo era mais restrito a algumas áreas. Hoje aborda-se não só o lado da educação, mas também o lado cultural, que não era muito focado no início.

JJr: Você acha que esse crescimento do Intercom estimula as pesquisas em Comunicação no país?
Aleta: Sim, com certeza. Apesar da área da comunicação precisar de mais investimentos, hoje já temos mais apoio para o finaciamento de pesquisas, e o Intercom demonstra isso. Os próprios estudantes estão se interessando mais pela área de pesquisa acadêmica científica do que antes e isso é muito bom para a qualidade dos cursos de jornalismo do país.

JJr: E como estão os cursos de jornalismo no Brasil?
Aleta: Acho que estão no rumo certo. Muita coisa tem que mudar, principalmente depois da decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o diploma de jornalismo. As Universidades têm que oferecer diferencias,sobretudo no contexto científico aprofundado.



XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação

Contribuir para o desenvolvimento da Comunicação, em conjunto com avanços
científicos, culturais e tecnológicos são alguns dos objetivos da Associação Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – Intercom. Fundada em 12 de Dezembro de 1977, a Associação Científica, além de ser um órgão público, reconhecido por lei Municipal, não tem fins lucrativos.

Há 32 anos, a Intercom promove avanços na Comunicação, de acordo com as funções e as relações que o processo comunicacional estabelece com a sociedade. Por meio de simpósios, produções audiovisuais, investimentos em pesquisadores e um conjunto de outras atividades, a Associação promove o progresso das pesquisas científicas que levam como tema central todos os segmentos da comunicação social.

Curitiba sediará, pela primeira vez, o Intercom. O congresso será na Universidade Positivo (UP). A escolha do local que recebe o evento é feita no evento anterior, por uma assembléia de sócios.

O tema do congresso, esse ano, é: “Comunicação, Educação e Cultura na Era Digital”. Curitiba atingiu o recorde em inscrições: foram 4.055 congressistas e 1.998 trabalhos inscritos. Além disso, estarão presentes nas atividades programadas 20 convidados internacionais.
Assuntos como a não obrigatoriedade do diploma e outros de diversas temáticas, - esportes, política, cultura - serão abordados em mesas redondas, oficinas e palestras. A programação do evento, além de extensa, está diversificada.


Segundo os organizadores do evento, são esperados 5000 visitantes para o XXXII Intercom.



A cobertura da Jornal Junior no Intercom 2009


O Intercom 2009 traz uma série de palestras, debates e  apresentações de pesquisas científicas voltadas para a área da Comunicação. A partir de amanhã, direto da sede do Intercom, na Universidade Positivo de Curitiba, a Jornal Junior traz os principais acontecimentos do evento e mostra em reportagens e entrevistas, os principais assuntos discutidos. 

Acompanhe também nosso twitter, no www.twitter.com/jornaljr, com as atualizações do blog e informações do evento.



Sobre o Intercom 2009



A Jornal Junior sai de Bauru-SP e vai para Curitiba na cobertura jornalística do Intercom 2009, o evento mais importante da comunicação brasileira. Este post e o que é a associação que promove o Congresso.

A Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação - Intercom - é uma associação científica sem fins lucrativos. Instituição de utilidade pública, participa da rede nacional de sociedades científicas capitaneada pela SPBC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

Está integrada às redes internacionais de ciências da comunicação como entidade associada à ALAIC - Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación, à IAMCR - International Association for Mass Communication Research, IFCA - International Federation of Mass Communication Associations e à Lusocom - Federação Lusófona de Ciências da Comunicação.

Alguns dos objetivos da Intercom são contribuir para a reflexão pluralista sobre os problemas emergentes da comunicação; para a formação de modelos de análise da Comunicação consentâneos com a sociedade e a cultura brasileiras; superação da dependência política, cultural e tecnológica do sistema nacional de Comunicação; aperfeiçoamento das instituições democráticas, provendo e difundindo a liberdade de expressão e pensamento, assim como o livre exercício da Comunicação, entre outros.

A Intercom realiza congressos anuais, simpósios regionais de pesquisa (SIPECs), seminários, cursos de curta duração, conferências; estimula o desenvolvimento de pesquisas científicas; edita e publica livros e revistas com temas específicos da comunicação; entre outras atividades.

O Congresso Intercom é o principal evento da Associação. Esse ano ele acontece em Curitiba e aqui no blog da Jornal Junior, a partir de amanhã você fica sabendo as principais atividades do evento.