As relações entre o ato de escrever e o ato de jogar não são novas. Escrevendo ou jogando há sempre uma aposta, uma aposta que é ao mesmo tempo desafio e prêmio, e que ultrapassa o simples ato de fazer. Escreve-se/joga-se para, por, com... Há algo na escrita e no jogo que compromete o escritor-jogador e o força a correr riscos.
Entre os vários jogadores da escrita, o jornalista se destaca por ser aquele sujeito que “joga limpo”, que desempenha uma atividade social e literária cujas regras são claras embora nem sempre fáceis de explicitar. No tabuleiro da escrita, o jornalista, pressionado pelo tempo, se equilibra na corda bamba do real, oscilando entre a concretude da evidência, a opacidade da linguagem e a responsabilidade individual e coletiva sobre aquilo que escreve, sobre aquilo em que aposta.
Sabemos muito bem que a escrita e o jogo podem ser “pra valer” ou “pra testar”, o que provam os ensaios, os amistosos, as cartas de amor Publicação abordará temas relevantes da formação em Jornalismo e também o pôquer, valendo grana ou simplesmente
feijões. Tanto em um caso como no outro, certamente o que conta é o domínio da técnica, o prazer da tentativa e do erro, que aqui cercam esses dois verbos arriscadamente intransitivos: escrever, jogar.
Quando alunos se reúnem para (re)organizar uma empresa júnior, quando futuros jornalistas se agrupam em torno de um ideal de vida e, por que não, de escrita, como é o caso da Jornal Júnior, acontece algo semelhante ao prazer da boa leitura, ao gol, à cesta, ao royal straight flush tão perfeitos quanto improváveis que sacodem os jogadores e os leitores, digo, a torcida.
E se essa iniciativa vem acompanhada de um boletim, de uma publicação mensal que pode servir, “pra valer” ou “pra testar”, como uma tomada de responsabilidade e como uma declaração de amor pela atividade jornalística, então o jogo da escrita fica ainda mais contundente, mais prazeroso, e a escrita reencontra em cheio a arte de jogar.
Texto do Professor Dr. Jean Cristtus Portela

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