Canja Hip Hop trouxe música, break e grafitagem em uma tarde descontraída para o quarto dia do Festival
Por Lucas Loconte e Renan Fantinato
| Uma panorâmica do evento ainda no início: pessoas de todos os tipos curtiram a tarde no parque Vitória Régia, regada a muita música boa e animação. |
No quarto dia do 2º Festival Canja, o Parque Vitória Régia foi tomado pelo ritmo e vibração da música hip hop. Artistas da cidade e da região possibilitaram, em shows, que o público curtisse o som e conhecesse melhor esse tipo de cultura, com a dança break rolando solta próxima ao palco e um grupo grafitando um muro – provando que o grafite é arte, não vandalismo.
| Os integrantes do grupo PopBlack, que trouxeram seus passos e animação para o evento. |
Além disso, como proposta inicial do Festival, a sustentabilidade foi a grande marca do evento, com lixeiras de reciclável espalhadas pelo espaço do show, além de outras para recolher lixo eletrônico. Conforme afirmou Mariana Lorencinho, uma das participantes do grupo AGR, que organizou o festival ao lado do pessoal do Enxame Coletivo, a proposta do festival é tratar da sustentabilidade, trazendo vários trabalhos como coleta seletiva e de lixo eletrônico e palestras de conscientização. “Nós esperamos que o público participante perceba a importância disso, já que, além de um festival de arte integrada, o Canja é um festival sustentável”, explica.
| Durante a oficina de break, muitos passos e ousadia levaram as pessoas ao redor ao delírio. |
Na programação, tivemos Slim Rimografia, Thygor Tyller, Mc Dentão, Felix, Raciocínio e Pelther LB, que conversou um pouco conosco e contou que foi maravilhoso participar do festival, um grande incentivo para os músicos. “Sendo músico do interior, é complicado ter espaço e divulgar o trabalho. Nós temos a mente plastificada, uma mente muito televisiva, e a gente precisa disso, de cultura, de arte, de circo, de dança, de música... É uma iniciativa muito legal a realização do Festival, os organizadores estão de parabéns”, comemora.
Com um som um pouco diferente, criando uma espécie de “rap gospel”, Pelther comenta: “desde os 10 anos eu tenho esse chamado, criando o “rap gospel”. Nós não pregamos religião nem nada, só pregamos o que Deus fez na nossa vida, que é libertação, restauração, cura. Nós utilizamos o rap pelo fato dele ser um veículo muito forte para os jovens hoje em dia”.
Outra banda conhecida pelo público bauruense, a Bandidos em Harmonia, também se apresentou. Com um nome contraditório, eles querem passar uma mensagem positiva para os jovens, demonstrando que o mundo do crime não vale a pena.
| Pelther LB e sua inovação musical: o rap e o hip hop não podem ser mais caracterizados como música de incentivo ao crime, mas como arma contra isso. |
O vocalista da banda, Luis Carlos, disse que o evento foi bom para dar espaço para o rap e o hip hop, que não é apenas músicas com palavrões e incitação às drogas e ao crime. “Vocês estão tendo a prova de que o hip hop é elegante, que as letras criticam e denunciam o que acontece no mundo do crime. É só ver: eu vim com a minha família, na tentativa de dar esse tipo de educação para os meus filhos. O hip hop está no meu sangue desde antes de eu nascer”, afirma.
Enquanto o som rolava solto no palco, um grupo de dançarinos de break agitava o público: profissionais ou amadores, eles mostravam suas performances e ensinavam alguns passos para quem quisesse aprender. Conforme nos contou Leda Maria Pereira, integrante do grupo PopBlack, “mesmo o Canja Hip Hop tendo sido pouco divulgado em comparação a outros eventos semelhantes que eles participaram, é interessante o desenvolvimento e o espaço dado para a divulgação dessa cultura”.
| Apresentador abre o evento que teve início no começo da tarde e agitou o público até a noite. |
Ela completa: “é importante que as pessoas conheçam a cultura hip hop, pois isso possibilita a formação do cidadão em termos culturais e intelectual, já que a pessoa que está envolvida quer estudar, saber de coisas novas, participar de eventos. É importante porque incentiva a fazer algo bom e faz com que os jovens se afastem das drogas e de coisas prejudiciais”.
Sem sair do clima do hip hop, grafiteiros do grupo Comic 5Crew mostravam como o trabalho deles está inserido nessa cultura, esbanjando criatividade em desenhos feitos em um muro na frente do parque. “Um evento como esse é muito bom, é uma grande oportunidade de mostrar que o grafite é uma forma de arte, assim como a pichação. Num sabadão à tarde, o que você iria fazer? O Canja está oferecendo eventos desde quarta-feira, com um cronograma pesadíssimo, oferecendo uma programação de alta qualidade”, afirma Celso, um dos integrantes do Ponto de Cultura Acesso Hip Hop.
| Mais um show animando o evento: utilizando crítica social, o Raciocínio inovava em suas letras e traziam músicas inéditas para alegria dos fãs. |

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