The Beatles e Rolling Stones são temas de palestra neste domingo

Por Janaína Ferraz


 Grupo de estudos debate a respeito do poder dos estereótipos na mídia

O Grupo de Pesquisas de Teorias do Jornalismo apresentou assuntos referentes a cadernos culturais, meio ambiente, Beatles e Rolling Stones na última sessão deste domingo, tendo em vista as características do jornalismo literário.

A apresentação mais esperada foi realizada pela doutoranda Bruna de Amaral Paulin (PUCRS – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) que dissertou sobre o tema “A construção das imagens das bandas The Beatles e The Rolling Stones através dos jornais The Times e The Guardian”. Ela analisou os estereótipos criados pela mídia e pelo próprio grupo, que foram notícias durante o auge do aparecimento das bandas.

A influência da mídia e a literalidade dos textos a respeito dos meninos de Liverpool e dos rebeldes de Londres criaram a ideia de que quem gosta dos Beatles não poderia gostar dos Stones. Seu artigo coloca em questão não só a criação de imagens, mas também a questão jornalística enquanto produção musical.

Segundo a palestrante, nenhum dos jornais conseguiu cobrir matérias sobre as bandas britânicas de uma maneira geral, sem se utilizar de algum molde midiático. “Os Beatles querem segurar tua mão, mas os Stones querem botar fogo na sua cidade”, célebre frase de Tom Wolfe citada por Bruna durante a apresentação.

Outro tema bastante comentado levou o coordenador do GP, Felipe Pena, a fazer algumas observações a respeito do trabalho apresentado por Geso Batista de Souza Junior, orientando do Prof. Mauro de Souza Ventura da UNESP (Universidade Estadual Paulista). O assunto tratava do suplemento literário Prosa & Versa do jornal O Globo. “Se o texto é compreendido é considerado sem valor!” afirma Pena, referindo-se às escolhas literárias do caderno Prosa & Versa.

Após alguns debates a sessão encerrou-se, pondo fim às palestras do Grupo de Pesquisas de Teorias do Jornalismo, no Intercom 2010.



A música na periferia é discutida no INTERCOM 2010

Por Renata Freitas Coelho


 Palestrantes chamam a atenção do público sobre temas relevantes à música e periferia

No dia 5 de setembro, foi realizado no INTERCOM 2010 um debate sobre o tema “Comunicação, juventude e ritmos urbanos: em torno da música e da periferia”. O debate contou com a presença de três palestrantes e uma mediadora de universidades cariocas. Muniz Sodré de Araújo, pesquisador e professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), citou o escritor Nelson Rodrigues em sua fala, na qual revela a radical separação entre a vida infantil e a vida adulta, o muro que há entre esses dois expoentes. Nelson Rodrigues sintetiza isso muito bem ao afirmar que “o adulto não existe. O homem é um menino perene”. O professor destaca também a dualidade existente entre consumo e produção e a busca incessante pelo que é “a cara da juventude”. Muniz Sodré salienta o funk e o hip-hop, ritmos tradicionalmente da periferia, e da importância da aceitação desses pelos ritmos tradicionais.

Já Regina Glória Andrade, professora de pós- graduação da UERJ ( Universidade Estadual do Rio de Janeiro) relatou o projeto que desenvolveu sobre comunicação sensível e sua experiência com jovens da comunidade da Mangueira, do Rio de Janeiro. Em outras palavras, o projeto relaciona Psicologia a Arte, através da expressão criativa da música. O médico e psicanalista Freud já dizia que “a Arte é o máximo da expressão da subjetividade”, e nas palavras da professora “ a arte através da expressão criativa da música promove a expansão da vida e a singularizarão da subjetividade”. Além disso, promove a comunicação e eleva a auto-estima dos participantes carentes.

O último componente da mesa, Micael Herschmann, pesquisador e professor da UFRJ, apresentou seu estudo sobre o caso do hip-hop no Brasil. Ele discutiu a rápida expansão do ritmo nos anos 80 e 90 e a glamorização feita pela mídia e, alguns anos mais tarde, exercendo uma posição contrária, sendo criminalizado na cena midiática. Normalmente, os jovens da periferia são considerados grupos de risco pela sociedade brasileira, são marginalizados. Por outro lado, quando a mídia torna os jovens do hip-hop visíveis eles se tornam atores sociais com direitos, o que é muito positivo para a construção de uma comunidade ou sociedade. Micael cita como personalidades da música Ferréz, Mano Brown e MV Bill. O primeiro embarcou também em outras vertentes, publicando livros que se encaixam na chamada “nova literatura marginal”.



Estudos dos gêneros jornalísticos são apresentados no Intercom Jr

Por Lígia Ferreira

Aluno da UNESP faz sua apresentação no Intercom Júnior

Na sexta sessão de jornalismo do Intercom Júnior, que aconteceu neste domingo, alunos apresentaram suas pesquisas relacionadas aos gêneros jornalísticos. Foi analisado material de radiojornalismo, ciberjornalismo, jornalismo impresso e telejornalismo.

Felipe de Castro, aluno do último termo de jornalismo da UNESP, apresentou seu projeto de pesquisa baseado na análise dos cinco primeiros anos de circulação do jornal Correio da Noroeste, da região de Bauru. Por meio de observações, o aluno constatou que o jornal possuía papel de agente social, pois discutia a política estadual e nacional, além de atualizar a sociedade local sobre os acontecimentos contemporâneos.

Já Maria Clara Corsino, aluna da UFV (Universidade de Viçosa), apresentou sua análise sobre o tema “Jornal Nacional 40 anos: a procura do modelo de representação da nação”. Ela avaliou algumas renovações que foram feitas quando o jornal completou 40 anos. Segundo seu estudo, houve muitas mudanças no formato, na linguagem e na apresentação. Porém, a estudante acredita ser necessária uma reforma mais ampla no conteúdo. “O jornal nacional precisar trazer notícias de interesse do povo e não somente das vozes oficiais, do Estado e dos publicitários”, afirma a estudante. Entretanto, ela deixou claro saber que as mudanças no conteúdo são um grande desafio, uma vez que as pessoas possuem interesses divergentes.



Jornal Júnior entrevista José Marques de Melo

Por Pablo Marques

Formado pela Universidade Católica de Pernambuco, Cátedra pela Unesco e doutor pela USP. José Marques de Melo, fundador e ex-presidente do intercom é uma das figuras mais importantes da comunicação no país. O professor de jornalismo iniciou suas carreira aos 15 anos e a hoje aos 66 anos, após muitas publicações de livros e artigos ainda tem energia para continuar suas pesquisas e tem planos de viver até os 108 anos.


Pablo Marques: Agora como o lançamento da sua biografia, qual fato da sua vida o senhor gostaria de ressaltar?

José Marques: Eu gostaria de ressaltar o que eu não vivi ainda. Porque eu ainda quero viver muito mais, pelo menos até os 108 anos.



PM: Nesses 108 anos o que o senhor ainda gostaria de pesquisar?

JM: Eu ainda tenho tantos projetos inconclusos, que eu gostaria dar prosseguimentos a eles. Agora mesmo, eu estou iniciando um projeto com a professora Marialva Barbosa, sobre a história do campo da comunicação no Brasil. Nos próximos 5 anos eu e ela estaremos ocupados com isso.



PM: Dentre os seus inúmeros projetos um está relacionado a integração dos países falantes da língua portuguesa. Como anda esse projeto?

JM: Esse projeto já avançou muito e nós estamos ampliando ele, integrando não só os de língua portuguesa como também os de língua espanhola. Criamos agora uma confederação ibero-americana de comunicação É um projeto mais ambicioso ainda.



PM: Qual o seu projeto mais atual?

JM: O meu projeto atual é sobre tudo, viver com meus netos e escrever uma série de coisas que eu gostaria da minha memória.



PM: O senhor participou da discussão sobre a formação do jornalista no Brasil. Como o senhor analisa a formação dos jornalistas hoje? E é a favor da exigência do diploma?

JM: eu sou a favor da formação universitária de qualidade. E acho que as universidades estão devendo muito aos jovens que se formam hoje. Eles tem diploma, mas não tem competência. Está precisando juntar o diploma e a competência.



PM: Você acredita que o jornalismo e os estudantes estão passando por uma crise?

JM: Os estudantes não estão em crise. Eles só estão em busca de um mundo melhor. O que está em crise é a universidade. Ela precisa mudar para atender a demanda da nova geração. O grande equivoco da universidade é não dialogar com os jovens e não conhecer suas demandas.




Você no Intercom

Por Laís Restivo Semis


O INTERCOM 2010, que está acontece do dia 2 a 6 de setembro, em Caxias do Sul – RS, reúne em torno de 4 mil pessoas relacionadas a área de comunicação, são alunos e professores de todo o Brasil que se congregam para apresentar seus trabalhos e assisti-los. Neste terceiro dia de INTERCOM, nós conversamos com alguns deles.

“O INTERCOM é perfeito; aqui é o caos e ao mesmo tempo a redenção, tudo o que você quiser relacionado à comunicação vai estar aqui. Eu acho que vou sair muito mais jornalista daqui”, diz André Schmidt. Estudante de Jornalismo da UNIPAMPA (Universidade Federal do Pampa), no campus de São Borja, Rio Grande do Sul, André veio para o INTERCOM como congressista e tem assistido bastante eventos sobre cinema, uma das áreas de seu maior interesse.


Otávio Novaes de Oliveira, de São Paulo, acredita que como chargista este tipo de congresso que traz a reunião de diferentes áreas da comunicação o ajuda muito em sua profissão, pois revela justamente toda a interação comunicativa e traz as novidades da mídia e como utilizá-la para seu melhor proveito.
 
 

A professora Zélia Leal Adghirni, da Universidade de Brasília, é chefe do Departamento de Jornalismo e coordenadora da Linha de Jornalismo e Sociedade da Pós-Graduação. Zélia está no GT de Estudos de Gêneros Jornalísticos, com o professor José Marques de Melo, também está coordenando uma mesa e apresentando um trabalho. Ela e vê o INTERCOM como uma grande feira cultural e está satisfeita com a qualidade dos trabalhos apresentados.
 

Rafaela Conte faz Publicidade e Propaganda na Universidade de Caxias do Sul (UCS) e como o evento iria acontecer aonde estuda, quis entender o funcionamento do evento e acabou se voluntariando para trabalhar na organização do INTERCOM. Assim, além de poder acompanhar algumas dos trabalhos apresentados, consegue entender como um evento do tamanho do INTERCOM funciona, uma experiência tanto pessoal, quanto profissional.


Vindo de Vila Velha, na Grande Vitória, Haroldo Lima elogia a estrutura da UCS. Como aluno de Jornalismo da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo) e congressista tem participado academicamente assistindo eventos que estão relacionados com a sua pesquisa de conclusão de curso, mas também pretende buscar outras mesas de discussões que não estão relacionados com sua pesquisa.
 
A estudante de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade de Caxias do Sul, Luana Marques Paim está participando pela primeira vez do INTERCOM, embora esteja apenas como congressista no evento, está gostando bastante das oficinas que está participando e das palestras que tem assistido.