"Cala Boca Galvão" é destaque do GP de conteúdos digitais

Por Janaína Ferraz e Jéssica Mobílio

Estudiosos da Comunicação assistem a palestra sobre as mídias digitais


A segunda sessão de Conteúdos Digitais do Intercom 2010 aconteceu neste sábado, 4 de setembro. Os grupos de pesquisa dialogaram sobre a inclusão da Internet como fonte de informação e seu alcance global. Ainda na apresentação, os congressistas aproveitaram para analisar novas mídias digitais e suas interações com o público alvo.

A palestra de maior destaque foi a que tratou do tema “O HOAX e os desafios jornalísticos no trato da informação”. A palavra HOAX possui vários significados no mundo digital, como, por exemplo, spam; vírus sociais; boatos; lendas; entre outros.

Nesta sessão, a doutoranda Luciana Reitenbach Viana, utilizou-se do termo HOAX no sentido da forma de humor oriundo da internet. Através da expressão popular ocorrida no Twitter durante a Copa do Mundo, conhecida como “Cala Boca Galvão”, a palestrante elabora sua tese a respeito da prática do jornalismo online e o perfil do profissional.

Depois de diversos enganos sucedidos em grandes meios de comunicação online e até offline, ela argumenta como a internet está sendo usada como ferramenta para a produção do jornalismo digital, pois a profissionalização de qualidade dos meios digitais evidencia o processo no resultado do jornalismo e torna-se uma forma de chegar a uma fidelidade ao conteúdo da rede. “O Cala boca Galvão foi uma piada que ganhou credibilidade porque os conteúdos postados tinham um cunho muito profissional”, diz a doutoranda.

Entre outros temas selecionados na sessão deste sábado, o podcast foi considerado como um dos veículos revolucionários das mídias digitais. Ainda pouco utilizado no Brasil, cresce gradativamente e distribui conteúdo de áudio e vídeos para dispositivos móveis.O congressista Pablo de Assis comentou a difusão dessa mídia pelo mundo e ressaltou a utilidade do produto no país. Um dos exemplos citados foi o podcast Moodle. Este sistema é destinado à criação de atividades educacionais on-line estimulando a aprendizagem. “O podcast mais comum no Brasil é de humor, como o Pânico, por exemplo... A possibilidade de ouvir e rever um programa são os diferenciais desses arquivos”, afirma o palestrante.

http://www.youtube.com/watch?v=6KXZLUrcJw8



Bob Fernandes mostra como ser repórter

Por Renan Simão

                                    Foto: Claudia Velho
Bob Fernandes conta os bastidores da Copa de 2010 em exposição de case

O que era para ser uma exposição de case sobre a cobertura da Copa do Mundo se tornou uma prosa entre cerca de 20 estudantes e o jornalista Bob Fernandes. Bob, veterano de profissão com mais de trinta anos de atividade, se apresentou no terceiro dia de Intercom para falar da cobertura do site Terra na Copa do Mundo de 2010 e sua participação no evento. Ele ainda revelou segredos de bastidores que só um repórter calejado pode conseguir.

Para quem não sabe, o Terra fez uma cobertura de sucesso. Levou 13 credenciais para a África do Sul e, durante a Copa, registrou trinta milhões de visitas e 11 milhões de acessos. Bob sabe de melhor do que ninguém conseguir informações preciosas, dignas de um trabalho de repórter. Bob, por exemplo, foi o primeiro saber , logo depois do fim da Copa, dos episódios em que a assessora do lateral Michel Bastos revela insatisfação com a equipe. Veja: http://blogdobobfernandes.blog.terra.com.br/2010/06/27/assessora-revela-insatisfacao-de-michel-bastos/

O profissional, que já cobriu campanhas presidenciais (a de 2010 é uma delas) e emplacou diversos artigos em revistas como Veja e Isto É diz que agora apenas faz trabalhos pontuais no espaço no Terra, o Terra Magazine. “Sou fanático por esporte, mas não sou um daqueles caras da ESPN que sabem tudo daquele campeonato do Turcomenistão. Especificidade excessiva é prejudicial e chata”, aponta.

Bob conta que, a seu ver, a mídia não fez uma boa abordagem na Copa devido à má qualificação de profissionais. “Falta determinação para aprofundar um tema que estava em aberto e foi esquecido”. Determinação é uma das qualidades, afirma ele, que os jovens repórteres têm de exercer em sua carreira.



Correndo atrás da web

Por Regiane Folter

As novas mídias também são discutidas no Intercom 2010

O advento da internet assustou as formas tradicionais de mídia, que foram obrigadas a criar estratégias de adaptação para acompanhar o crescimento da web. No Grupo de Pesquisa “Conteúdo digital: televisão e Youtube”, vários trabalhos foram apresentados para discussão do tema, principalmente em relação à televisão.

Segundo o doutorando Kamil Giglio, da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), a web criou novas formas de propagação de som e imagem, através de sites como o Youtube, no qual 2 bilhões de vídeos são acessados todos os dias. Para Kamil, a combinação da proliferação de câmeras com o crescimento do acesso à rede mostra a facilidade de se gravar um vídeo e colocá-lo na web, e isso torna qualquer pessoa um cineasta em potencial. “Se você pegar uma filmadora e um programa de edição, você consegue fazer [um vídeo].”, complementou Maurício Falchetti, da UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso).

Segundo a congressista Maria Letícia Renault, da UnB (Universidade de Brasília), mais de 50% da população brasileira tem contato com o computador. Isso é uma amostra da importância que a internet adquiriu, ao mesmo tempo em que cresceu a necessidade de se criar novos enquadramentos para atrair o olhar do telespectador. “Quando o telejornalismo cai na web, ele se dilui. O âncora, o espaço, tudo perde a nobreza.”, comentou Renault.

A webtv possui atributos que a TV tradicional não tem, como o imediatismo, a interatividade e a auto-exposição. Alguns programas, como o “15 minutos”, da MTV e o “Profissão Repórter”, da Globo, são tentativas de se incorporar os benefícios da web para a televisão.



Boletim Olhar Especial Intercom 2010 - 1a. edição




Jornalismo pode aproveitar recursos estéticos

Por Jaderson de Souza

O papel da televisão no campo do jornalismo e da ficção foi abordado durante o Intercom, evento que está sendo realizado em Caxias do Sul (RS). Dentre os presentes estavam Gilberto Perin, diretor da RBS e o jornalista da TV Globo Marcelo Canellas.

A RBS, afiliada de Rede Globo em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, possui um projeto em que veicula produções independentes de dramaturgia. Em geral, elas devem ter algum aspecto regional. De acordo com Perin, o projeto “valoriza o talento local e estimula o crescimento do mercado da região de abrangência da emissora”.

O jornalista Marcelo Canellas começou a apresentação defendendo que a função do jornalista é retratar a realidade da sociedade e não ter a arrogância de resolver os problemas dela. “Divergências são normais no jornalismo. Algumas reportagens que fiz receberam muitas negativas até que se realizassem. Talvez eu tenha angariado mais e melhores argumentos. Mas, em geral, eu nunca deixei de acreditar nelas”, afirmou o jornalista.

Em outro momento, Canellas disse que não consegue entender a polêmica entre a teoria e a prática no jornalismo em uma alusão à separação entre a formação universitária e o mercado de trabalho.

A liberdade de criação também foi levantada como um fator preponderante para o bom jornalismo. Segundo ele, o fato do profissional não concordar com algumas diretrizes da direção não deve ser considerado negativo. Isso seria até saudável para o exercício da profissão.

Durante a exposição de algumas de suas matérias, ele salientou que a televisão deve aproveitar dos vários recursos que possui como a imagem e o áudio para construir um bom texto jornalístico.

Marcelo Canellas é um dos jornalistas mais premiados da televisão brasileira. Foi autor de reportagens especiais sobre temas como a fome e a questão agrária.