Entrevista com Desmond Tutu

Não só de Mandela vive a África do Sul

Desmond Tutu é o sul-africano mais conhecido do planeta (Nelson Mandela é santo, não conta). Sua figura um tanto histriônica, do velhinho vestido de roxo, correu o mundo. 


Foi um gigante na derrota do apartheid. Sempre esteve abraçado às melhores causas. Prêmio Nobel da Paz em 1984, foi o primeiro a denunciar a maluquice do governo sul-africano de negar a existência de uma epidemia de Aids (aliás, alguns até negavam que Aids existisse...). Não teve medo de trombar com Robert Mugabe.
Quando foi criada uma comissão para investigar crimes cometidos durante o apartheid, com o objetivo exclusivo de revelar a verdade e oferecer conforto às vítimas e suas famílias, Tutu foi a escolha natural. O modelo foi copiado em dezenas de países recém-saídos de períodos traumáticos. No Brasil, chegou a ser cogitado, no início do ano.
Tutu me deu uma entrevista por email, que você pode ler a seguir. Foi uma canseira. Em março pedi por telefone ou pessoalmente. Nada feito. Mandei então 15 perguntas, ignoradas.
Há duas semanas liguei de novo para a secretária dele. Ela lembrou das perguntas, mas disse que 15 eram demais. “Posso ver se ele responde oito”. No final, respondeu 6 e ignorou as outras 9. Pelo menos a assessora jura de pés juntos que foi ele mesmo quem respondeu, não um ghost-writer.
Tá valendo. Desmond Tutu é uma dessas figuras que vale sempre ler e ouvir. Ei-la:
A Copa do Mundo pode ajudar a melhorar as relações raciais na África do Sul?
Desmond Tutu - O torneio deu aos sul-africanos um espírito de unidade e nos lembra que juntos somos uma força a ser reconhecida. Eu sempre me maravilhei com a linguagem universal do futebol, um esporte que não precisa de tradução. Se conseguimos ficar unidos pela Copa do Mundo, conseguiremos ficar unidos em todos os desafios que encontraremos. Não é preciso ter a mesma opinião sobre tudo, mas podemos discordar amigavelmente, respeitando a dignidade do outro.
O futebol pode fazer as pessoas sentir-se sul-africanos em primeiro lugar, deixando a identidade racial em segundo plano?
Tutu - O esporte tem a habilidade de unir as pessoas, cortando barreiras de classe, raça e origem. Eu tenho dito que não é possível viver apenas do pão. Há coisas que levantam o espírito. Você precisa desses momentos na vida que lhe dão uma visão do que você pode ser. A Copa do Mundo é um grande feito não apenas para a África do Sul, mas para todo o continente africano. Durante esse mês, o foco do mundo estará aqui. Conquistar o direito de sediar a Copa não diz respeito apenas a futebol. Diz respeito a nós vencermos, nos deu uma injeção de ânimo. Havia muitas dúvidas se estaríamos prontos e seríamos capazes de sediar esse torneio.
Por que ainda é tão difícil ver brancos e negros se misturando socialmente pelas ruas da África do Sul?
Tutu - Precisamos nos lembrar sempre que somos feitos para sermos interdependentes, porque ninguém é inteiramente autosuficiente. Você só precisa ir aos estádios para ver o elemento mágico do futebol. Galvaniza negros e brancos de uma forma excitante. Apenas duas semanas atrás, o Soweto sediou uma partida de rúgbi [esporte de preferência dos brancos] entre os Blue Bulls de Pretoria e os Stormers da Cidade do Cabo. Foi um estrondoso sucesso que viu negros e brancos misturando-se socialmente, comendo e bebendo juntos e se divertindo. Para alguns brancos, era a primeira visita a Soweto sem se preocupar com a segurança. E sabe o quê? O céu não desabou, manteve-se firmemente no lugar. Estamos recebendo uma oportunidade maravilhosa. Nunca vi tantas pessoas mostrando nossa bandeira em seus carros e em todo lugar possível.
Desde o fim do apartheid, a desigualdade de renda aumentou. A violência às vezes parece fora de controle. As mudanças sociais estão ocorrendo devagar demais?
Tutu - De um certo modo, a transformação social parece que está demorando demais. Temos problemas demais, não há questão quanto a isso. Mas você também deve notar que obtivemos nossa liberdade apenas há 16 anos, após décadas cruéis de apartheid. Estamos falando da sistemática opressão de gerações, algo que compreensivelmente não pode ser revertido num curto período. Isso não significa tolerar corrupção, enriquecimento pessoal, clientelismo, más decisões quanto a Aids e outros problemas que afligem nossa nação. A pobreza e o desemprego continuam a nos assombrar.
No Brasil, chegou-se a discutir a formação de uma Comissão de Verdade e Reconciliação, para investigar o regime militar. Com base em sua experiência, o sr. diria que esse instrumento funciona?
Tutu - A comissão sul-africana é considerada um modelo inovador de construir paz e justiça. A força do processo esteve na participação pública. Uma característica importante foi a abertura, a transparência. As audiências públicas asseguraram que os sul-africanos ficassem sabendo das atrocidades cometidas durante os anos do apartheid. A comissão foi confrontada por um número de desafios, uma vez que não foi aceita por todas as partes do conflito. Os altos escalões militares não cooperaram. Políticos importantes do antigo governo e líderes do aparato de segurança tampouco. No caso dos movimentos de libertação [como o CNA], argumentaram que, dado que tinham conduzido uma “guerra justa”, não precisariam pedir anistia, uma vez que suas ações não constituíam graves violações de direitos humanos. Foi preciso haver considerável convencimento para que eles participassem. A magnanimidade mostrada por algumas pessoas foi incrível. Recusaram a possibilidade de vingança e abraçaram perdão e reconciliação. Creio que, sem esse processo, nosso país teria experimentado conflito social inimaginável.
O sr. ganhou as manchetes recentemente, participando de um estudo do genoma por pesquisadores norte-americanos. Por que fez isso e o que queria provar?
Tutu - Estou feliz pela oportunidade de ter participado do projeto de sequenciamento do genoma, uma vez que ele pode descobrir se alguém corre risco de alguma doença genética. Eu lembro de uma coisa ridícula quando me deram o documento de identidade durante o apartheid. Minha nacionalidade era “indeterminada no momento”. Isso apesar do fato de que meus pais nasceram na África do Sul. O teste revelou que embora eu tenha tido tuberculose e câncer, não havia doenças geneticamente comunicáveis. Isso me deu imenso alívio, e ainda mais para meus filhos. Acredito que informações genéticas são importantes para companhias farmacêuticas na preparação de drogas. Devemos sempre rezar para que essas informações vitais sejam usadas para coisas boas e não más.

escrito pelo jornalista Fábio Zanini



Use o TCC para arrumar emprego!



Ter um bom TCC para apresentar pode fazer diferença na hora de procurar um emprego

Dezesseis anos atrás, um estudante de 22 anos, colecionador de caveiras, causou polêmica ao apresentar o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na Faculdade Santa Marcelina de Moda. A proposta era fazer um desfile com três peças, mas o aluno foi além: exibiu dezessete roupas na passarela e ousadias como modelos carregando bonecos ensanguentados (à base de tinta, claro). O projeto tirou nota dez e arrancou elogios de personalidades como a fashionista Costanza Pascolato. A partir daí, o universitário Alexandre Herchcovitch virou grife, reconhecida hoje por estilistas de todo o mundo. ''O TCC é uma oportunidade de mostrar mais do que pedem a você e surpreender'', diz ele.
Todo ano, milhões de pessoas ingressam nas universidades brasileiras, mas em média somente 20% delas se formam. Em 2007, pelo menos 755 mil estudantes conquistaram um diploma. Passada a formatura, esse batalhão de gente cai no mercado para brigar por um emprego. Ter um bom TCC para apresentar pode fazer diferença nessa disputa, mesmo quando os concorrentes são mais experientes.
Os quatro sócios da empresa Colletivo (www.colletivo.com.br), fundada por colegas que se formaram em 2003 no curso de design digital da Universidade Anhembi Morumbi, só tinham o próprio TCC no portfólio quando o negócio abriu as portas. Graças ao projeto, foram contratados de cara por uma empresa dos Estados Unidos para um trabalho pelo qual receberam US$ 5 mil (mais de dezesseis vezes o valor que pediram ao enviar o orçamento, US$ 300). ''Os americanos adoraram o nosso projeto'', conta Vanessa Queiroz, 32. ''Era uma releitura do filme Apocalypse Now em CD-Rom, peça gráfica e site.''

TCC: um cartão de visita
Gerente de desenvolvimento da empresa Companhia de Talentos, Sandra Cabral sugere a quem ainda vai fazer um TCC conversar com profissionais de fora da faculdade sobre o projeto que se pretende desenvolver - e adequá-lo ao mercado. ''Quem quer publicar um livro, por exemplo, pode consultar editoras sobre um possível interesse em publicá-lo'', diz. O mesmo conselho vale para pessoas que ainda guardam o seu TCC de anos atrás. ''O ideal seria adequar o material às necessidades atuais do seu segmento e utilizá-lo como uma espécie de cartão de apresentação'', diz Sérgio Amadi, coordenador da área de RH da Fundação Getúlio Vargas (FGV). ''Se for o caso, vale enviá-lo para seus antigos orientadores.''
Cinco anos depois de se formar em jornalismo, a hoje escritora Vanessa Barbara, 27, recuperou o livro-reportagem que fez como projeto de TCC sobre a rodoviária Tietê (SP). Revisou o conteúdo (aprovado com nota máxima), entrou em contato com algumas editoras e, enfim, negociou a publicação de O Livro Amarelo do Terminal pela editora CosacNaify. ''Talvez o sonho de me aposentar aos 30 anos esteja próximo'', brinca ela.

Quando você deve se preocupar com o TCC
Se você é universitário(a) e ainda não começou a fazer seu TCC, trate de começar já! ''As faculdades geralmente não incentivam os alunos a pensar em boas ideias desde o primeiro ano'', critica o economista Cláudio de Moura Castro, mestre em educação. ''Só se pensa no TCC no último ano. Aí, é tarde demais para exigir algo genial mesmo.'' Bem mais radical, o romancista italiano Humberto Eco dá conselhos no livro Como se Faz uma Tese (Perspectiva): ''Se quiser fazer uma tese de seis meses gastando apenas uma hora por dia, então é inútil discutir. Para não correr o risco de trabalhar em uma tese medíocre, copiem logo um trabalho qualquer e pronto''.

Fonte: Repórter Diário



Veja como as grades curriculares são formadas

Mercado, novas tecnologias e até estudantes influenciam mudanças
Por Roberto Machado


Aulas chatas, aulas legais, aquelas que se desconfia no primeiro momento e as que empolgam de cara. Essas impressões podem variar na cabeça dos universitários. Alguns chegam a se questionar a respeito da real relevância de certas disciplinas. O que talvez poucos universitários saibam é como a grade curricular de seus cursos são construídas.
A tarefa inclui muita pesquisa acadêmica e de mercado, além do cumprimento de normas e diretrizes previamente estabelecidas para que a grade do curso possa atender às muitas necessidades que os futuros profissionais precisarão atender para garantir uma formação completa, tanto do ponto de vista profissional, quanto cultural e humanista, nas diversas áreas do conhecimento. E até os alunos devem se envolver nesse processo.
Quem fica responsável por guiar as instituições nessa tarefa até a aprovação do curso superior é o MEC (Ministério da Educação). Para isso, foram criados Pareceres e Resoluções que dizem respeito a cada curso universitário. Dentro dessas orientações, as universidades precisam estar atentas aos princípios norteadores para formação profissional, carga horária do curso, disciplinas teóricas e práticas, tabela com as aulas além de muitos outros tópicos que estruturarão todo o curso.
Segundo a Professora Gisele Gusmão, assessora da pró-reitoria de graduação da UFG (Universidade Federal de Goiás), participam desse processo professores da área em construção e até consultores externos. "Em primeiro lugar a unidade acadêmica faz todo o projeto pedagógico e espera a aprovação do conselho acadêmico", explica Gisele. Depois disso ele segue para a pró-reitoria de graduação, onde será analisado. Em seguida, a proposta vai para a Câmara de Graduação para finalmente seguir rumo ao CEPEC (Conselho de Ensino, Pesquisa, Extensão e Cultura), lugar onde o projeto será novamente analisado, discutido e então aprovado.
Para Gisele, todo esse longo processo é de suma importância, pois determinará a qualidade do curso, algo que está diretamente ligado ao nome e à tradição da universidade. "É a partir desse projeto que um curso de qualidade nascerá", explica ela, que também acredita que apenas a orientação de corpo docente e especialistas não é o suficiente para a construção de uma grade curricular que abranja todos os semestres do curso.
Para completar essa equação, é preciso saber quais são as demandas de mercado e o que os alunos esperam dele. "A evolução do mercado cria novos cursos e altera antigos, isso é comum e necessário para a evolução de um ensino de qualidade. E quando esse tipo de mudança se aproxima, o movimento estudantil deve estar presente para sugerir, criticar e apoiar a universidade", sugere ela.
Participação conjunta
Um exemplo de como a cooperação conjunta dos diferentes atores envolvidos na construção e evolução de uma graduação pode ser verificada em Engenharia. De acordo com especificações do MEC datada de abril de 2002, os alunos dos cursos de Engenharia devem, ao longo do curso, ter a capacidade de projetar e conduzir experimentos, interpretar resultados, identificar e resolver problemas de engenharia, compreender e aplicar a ética e a responsabilidade profissional, além de estar atentos aos impactos sociais e econômicos de seus projetos.
Segundo as diretrizes, tudo isso é necessário porque ajudará o aluno a desenvolver posturas de cooperação, comunicação e liderança. Ou seja, a participação discente funciona até como parte do processo de formação. Esses últimos aspectos, na opinião de Paulo Barone, vice-presidente do CNE (Conselho Nacional de Educação), são pontos chave para a formação de alunos de qualquer tipo de curso, algo que ele crê dever ser prioridade das universidades.
"As instituições devem se manter no caminho que conduzirá os alunos ao mercado de trabalho" diz Barone. Para ele, as instituições ainda se prendem muito aos avanços que rodeiam seus cursos e, assim, deixam de criar um senso crítico nos estudantes. "Eles deveriam estar preocupados em mostrar quais foram os aspectos que levaram a profissão até aquele ponto, ao invés disso preferem iludir os alunos com uma infraestrutura que limitará seu poder de atuação depois que ele se formar", critica ele.
Para Barone, parte desse suposto movimento de algumas universidades residiria no fato de que as instituições ainda se prenderiam muito às especificações do MEC, ao invés de ir além do mínimo e criar condições reais de aprendizado de qualidade. "O universitário deve ser educado e treinado para o mercado de trabalho. As universidades deveriam se ater à criação de líderes competentes e isso só vai acontecer quando elas se soltarem das amarras e entrarem em processo de evolução", acrescenta ele.
Por outro lado, Robert Burnett, pró-reitor Acadêmico da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), faz uma ressalva ao raciocínio de Barone e acha que a confecção de uma grade curricular pode ser comparada com a preparação de um bolo. "Embora exista a mesma receita para todos, cada universidade é livre para acrescentar aspectos que demonstrem que tipo de características a instituição possui e que tipo de formação ela pretende oferecer", explica ele.
Burnett acrescenta que na hora de incrementar a grade alguns cuidados devem ser tomados. No curso de Engenharia, por exemplo, os avanços da área nunca poderão deturpar o objetivo de cada disciplina. "Esse profissional deve ser engenheiro hoje e daqui a vinte anos. Mesmo que os métodos de ensino se alterem, a matéria que ensina a construir uma casa hoje deverá fazer o mesmo no futuro independente do que os avanços tragam para a sala de aula", diz.
Universidades como a PUC-PR contam com a análise do NDE (Núcleo Docente Estruturante) para buscar por falhas e alterações nas grades de seus cursos. "É uma maneira de analisar constantemente o curso em parceria com o que está sendo feito em outros lugares", explica Burnett. Nesse momento, de acordo com ele, os alunos, devem ajudar na tarefa de melhorar o curso, uma vez que estão inseridos em todos os níveis do da graduação.
"É preciso demandar e se interessar pela disciplina", defende ele, que vê nessa atitude uma maneira de manter os professores alertas quanto aos acontecimentos. "Além de mostrar que ele já está no caminho certo para se tornar um profissional preocupado com sua carreira, ele também eleva o nível do professor, que passará a procurar por mudanças que ajudem a classe", diz o pró-reitor.
O principal, sob o ponto de vista de Claudio Cavalcante de Oliveira, chefe da divisão de colegiado de curso de graduação da UEL (Universidade Estadual de Londrina) está no fato de que as grades devem sempre ser pensadas com o intuito de uma formação ampla que não se prenda ao tempo presente, ou seja, de apenas tratar da formação como algo fechado para o tempo em que o curso ocorrerá. "Um profissional formado hoje, deve ter a mesma capacidade de um que se graduou na década de 70, uma vez que esse é o principal objetivo dos cursos universitários, formar", defende Oliveira.

Fonte: Universia



Quando o texto consegue aproximar jornalismo e entretenimento

A função básica do jornalismo é informar a população sobre o que de mais importante acontecer no mundo e tiver valor-notícia.

Além disso, uma possibilidade no jornalismo, das mais interessantes e desafiadoras, é informar e entreter ao mesmo tempo, e com qualidade. Trata-se de, em âmbitos textuais, usar da palavra para informar o leitor, enquanto, ao mesmo tempo, ele recebe doses de entretenimento. Muito indicado para aquele momento de leitura depois de um dia de muito trabalho ou qualquer outro momento que peça um texto tranquilo, divertido e informativo, a função nevrálgica do jornalismo.
Uma possibilidade para a realização de um texto de qualidade, que concilie jornalismo e entretenimento numa mesma informação, é a partir do uso linguagem leve e simples, com pitadas de rebuscamento e sofisticação. Os mais perfeitos nessa leveza seriam aqueles textos em que o jornalista parece estar conversando com o leitor, sem exagerar na linguagem coloquial, nem esquecer das normas gramaticais, que fique claro.
Quem tem usado muito bem destes recursos recentemente é o Caderno 2, do jornal Estado de S. Paulo. Abolindo quase completamente os lides de boa parte de suas reportagens, o suplemento tem conseguido, em boa parte de seus textos, conversar com o leitor, sem deixar de fazer crítica ao documentário de Jards Macalé e ao primeiro CD do cantor pop teen Justin Bieber. Muito menos o jornal deixa de noticiar sobre as estreias da exposição de gravuras e documentos de Olavo Setubal na Pinacoteca, e donovo filme de Lais Bodanzky, As Melhores Coisas do Mundo.
O uso de perfis para o jornal também se mostram interessantes, principalmente no Caderno 2 + Música, que circula aos sábados, feitos de maneira leve e interessante, onde os jornalistas destacam características de onde acontece a entrevista, o estado de espírito do entrevistado, como ele está vestido, entre outras características. Em alguns momentos, é como se o leitor estivesse na mesa junto com o entrevistado, que está contando a ele suas histórias, tão “conversado” e atraente que se mostra o texto.
Em algumas edições, usando dois exemplos, isto fica bem evidente, no enfoque sobre os músicos Chico Batera e Pupilo, perfilados no jornal, respectivamente, nos dias 10 e 17 de abril de 2010.
Além disso, dois colunistas do caderno acrescentam e muito a essa linguagem falada, são eles Lucio Ribeiro e Alexandre Matias, que iniciaram seus trabalhos no caderno pós-mudança na linha editorial do jornal. Lucio e Matias transportam para o jornal a mesma linguagem característica de seus blogs, respectivamente, Popload e Trabalho Sujo, onde tem total liberdade para conversar com o leitor, e usam desta linguagem para passar informações aos leitores.
Ao que parece, a cada edição o Caderno 2 busca se aproximar dessa linguagem com caráter coloquial, sem deixar de informar seus leitores. A maneira como essas informações são expostas dão um caráter leve e assaz agradável para a leitura, numa ótima junção do que seria entretenimento, sem jamais deixar de ser jornalismo.



Dicas para fotojornalismo

Por ser ano de Copa do Mundo, estamos cercados por publicidades que nos remetem ao campo de futebol. Por falar nisso, você sabe como o campo da fotografia se comporta quando tem que retratar o campo de futebol, por exemplo? Não sabe a resposta? Então confira o texto abaixo, que trás dicas a respeito do fotojornalismo.

A primeira dica que se pode dar é em relação a atenção do fotógrafo. Por ser um evento esportivo, lugar em que as coisas acontecem com enorme dinamismo, o fotógrafo precisa acompanhar todos os lances e movimentos para não perder os detalhes.

Em uma antiga entrevista ao site do curso Abril, o fotógrafo Alexandre Battibugli, ex-editor da revista Placar, afirma que a mais válida de qualquer dica é que o aspirante a fotógrafo pratique. Segundo Alexandre, praticar constantemente ensina coisas ao "aluno" que nenhum curso da área ensinará.

Ainda segundo Alexandre, é muito difícil que um foca já comece a carreira fotografando competições esportivas, já que esse tipo de cobertura requer prática. Captar os movimentos rápidos e inesperados dos esportistas, além de atenção, requer domínio total da máquina fotográfica.

O fotógrafo também chama atenção para cobertura de jogos de futebol. Nesse tipo de modalidade esportiva, o fotógrafo tem que se preocupar tanto com o jogo quanto com a torcida. O fim do jogo requer uma atenção maior, pois em caso de briga de torcidas, fotógrafos nunca são bem vindos no local. O próprio Alexandre já teve que se proteger de torcedores.

Outra dica é o cuidado com montagens: em fotojornalismo não se deve existir nenhuma montagem!

E você deve estar pensando "esses profissionais são sortudos, pois entram de graça nos maiores eventos". Segundo Alexandre, no entanto, quando se está em um evento esportivo para fotografá-lo, seu campo de visão é muito restrito a lances e não ao todo. Logo, é muito difícil prestar atenção nos movimentos e ainda acompanhar o placar...Ossos do ofício.



Aos dez anos, "Cibercultura" ainda faz sentido?


Obra de Pierre Lèvy foi lançada há uma década; para ele, livro sinalizou mudança profunda na organização mundial 

Paris, 1995. A web ainda estava em formação e, por lá, reinava a Minitel, rede fechada do governo com serviços como previsão do tempo e lista telefônica. É quando um filósofo tunisiano surge com a teoria de que a rede seria um espaço virtual coletivo sem nenhum controle, que aumentaria a inteligência de todos e mudaria tudo.
Pierre Lèvy apresentou a tese para a Comissão Europeia (braço executivo da União Europeia) e, da plateia, uma mulher falou: "Até que enfim alguém disse algo importante. Você pode explicar isso aos meus colegas da Comissão?". Lèvy aceitou o desafio e escreveu o livro Cibercultura, em que expunha seus pensamentos sobre como os meios digitais provocarão uma profunda mudança na sociedade. "Para mim, essa é uma nova fase da evolução da humanidade, com novas formas políticas, culturais, novos costumes", o próprio autor explicou durante o Cibercultura 10+10, evento que ocorreu em Santos, na semana passada, em comemoração aos dez anos do lançamento de seu livro no Brasil.
Ele faz um paralelo com a invenção da imprensa, que permitiu que a memória simbólica se multiplicasse. "Essa é uma mutação tão importante quanto a invenção da escrita", defende.
Suas ideias o tornaram querido entre artistas, mas despertaram também antipatia entre a intelectualidade francesa. Pode ter sido porque a web era vista como uma coisa de norte-americano, ou porque, segundo Lèvy, muitos intelectuais negavam a importância da rede. O fato é que esse foi um dos motivos a fazer o filósofo trocar de país pela terceira vez (ele nasceu na Tunísia) e se mudar para o Canadá, onde vive hoje.

No Brasil, porém, Lèvy foi abraçado de cara. "Muitas vezes as transformações vêm de lugares inesperados", tenta justificar Lèvy, que se autointitula um filósofo "brasileiro, italiano, coreano, mas não francês e nem canadense. Acredito que a minha obra faz sucesso entre pessoas que não separam o trabalho acadêmico da vida, fazem festa e falam com as mãos". "É uma obra conceitual", explicou ao Link o professor André Lemos, da UFBA. "O que importa é que a gente tenha elementos para compreender o contexto geral e não as ferramentas". Lèvy concorda: "Meus livros ainda são relevantes porque tento entender o motor da evolução cultural".

Embora obviamente Cibercultura não fale de web 2.0 (termo inventado em 2004), as novas ferramentas estão entre os caminhos apontados por Lèvy para esta nova sociedade. Para ele, Wikipedia, Twitter e YouTube são o "começo da civilização da inteligência coletiva". Ele próprio é usuário de Twitter (@plevy) e diz que passa horas lendo e-mails, ouvindo música e trocando mensagens de até 140 toques.
Para Lèvy, estamos no ponto onde a cibercultura está passando da contracultura para ser a cultura dominante. E a grande revolução deve vir com uma web inteligente. "Hoje nós temos uma interconexão geral no plano técnico, mas não há interconexão semântica", diz, que está desenvolvendo uma linguagem chamada IEML. "O último objetivo é codificar o significado de modo computacional, para providenciar um sistema de coordenadas para um espaço semântico universal e infinito que será o espelho da inteligência coletiva humana no ciberespaço".


Obra é considerada fundamental no Brasil
Cibercultura foi lançado em 1997 em Paris. Traduzido em mais de dez idiomas, o livro foi lançado no Brasil em 1999. Logo virou parada quase obrigatória para quem quer estudar cultura digital. Segundo a Editora 34, foram mais de 20 mil exemplares vendidos, em duas edições e sete reimpressões. Para os especialistas ouvidos pelo Link, Lèvy encontrou solo fértil aqui porque o Brasil é tradicionalmente mais aberto a esse tipo de debate. "O Brasil é pioneiro na reflexão da cultura digital com essa consistência", diz Cláudio Prado, organizador do Cibercultura 10+10. O livro é vendido por R$ 38 no próprio site da editora.


Fonte: Link, Estadão.



Nilson Lage palestra em Bauru

Jornalista renomado esteve na UNESP e dividiu com os alunos um pouco de seu conhecimento
Nilson Lage esteve na UNESP em Bauru para integrar uma banca de seleção para um novo professor. Aproveitando a oportunidade, concedeu uma palestra para os alunos da universidade especialmente os de jornalismo, sobre ideologias e ações de controle sobre jornalistas no mundo contemporâneo.

Com graduação em letras, mestrado em comunicação, doutorado em lingüística e mais de 44 anos na carreira jornalística, o professor Nilson Lage falou sobre a prática da profissão atualmente e como era quando ele iniciou sua carreira. Além das mudanças e avanços tecnológicos, também comentou as ideologias impostas e ações mercadológicas que envolvem toda a notícia, desde sua elaboração até a venda dos jornais que as contém.

Para Lage, o jornalismo é uma profissão é muito exigente, pois os profissionais devem transpor e traduzir os fatos, relatos e idéias de maneira que o público entenda. O essencial nesse entendimento é a linguagem utilizada, sua forma, que pode ser visual, sonora; a combinação, organização dos itens e o conceito, semântica ou significado. Para que o jornalismo não seja simplesmente uma narração factual imbuída de pré-conceitos da empresa e do próprio profissional, deve-se exercer um jornalismo pensante, que mesmo sem opinar, consegue desestruturar as ideologias impostas pelo sistema, mostrar para o público novas perspectivas e entregar a ele o papel de “juiz dos próprios julgamentos e senhor dos próprios conceitos”.

Um tema polêmico tratado pelo professor, são as ideologias presentes em qualquer tipo de narrativa. “O fato não é relevante, o importante é a versão dada a esse ocorrido”, segundo Lage, pode-se entender isso de maneira muito prática, por exemplo, nos relatos históricos, há grande desigualdade na forma de contar o passado e muitas civilizações são esquecidas, devido a essa escolha criteriosa, mas sem fundamentos, como as pré-colombianas e asiáticas. As ciências humanas são inevitavelmente carregadas de ideologias, que pode dar muito conteúdo e embasamento teórico, mas também é capaz de alienar e manipular a opinião pública.

Uma evidência de como o processo histórico e sua moldagem podem influenciar a mentalidade da população está na interdependência entre economia e ciência. Muitos dos produtos que desmantelaram a organização econômica da Europa há muitos anos hoje são alvos de pesquisas científicas que tentam mostrar suas características prejudiciais à saúde, por exemplo, o café, o fumo e o açúcar que são vistos como vilões da saúde, tem uma notável influência cultural, ideológica e política, uma espécie de revanchismo que vem anos atrasado, e sem motivos palpáveis - e atuais - para sua existência.

Quando questionado sobre o avanço das novas mídias, do advento da internet e da extinção do jornal impresso, Nilson Lage respondeu: “A internet tende a reconfigurar os meios de comunicação, o canal de escoação dos veículos e como eles se portam diante da sociedade, mas é algo para médio e longo prazo, não será uma mudança abrupta, será uma evolução. Porém, o fato de existir uma tecnologia mais avançada não necessariamente elimina uma mais antiga, pelo contrário, a tendência é agregar novos conhecimentos. Como no caso do cinema, apesar de existirem vídeos e filmes caseiros, ou então a possibilidade de qualquer um fazer uma gravação de alta qualidade de imagem, ainda existe o cinema, que utiliza cada vez mais essa tecnologia, que teoricamente o destruiria, para se aperfeiçoar e melhorar imagem e áudio”.



Encerramento da IX Semana de Relações Públicas


Marketing político aplicado em campanhas eleitorais
A aplicação das teorias da psicologia e da publicidade na comunicação foi o tema de exposição da mesa-redonda de encerramento

                                              Foto: Raphael Rodrigues
Beatriz Almeida

    "Aplicações práticas do marketing político" foi o tema da noite de encerramento da IX Semana de Relações Públicas.  A mesa-redonda que tratou do assunto contou com a participação do experiente Lupércio Zambieri, jornalista e diretor de Planejamento do Empório de Comunicação, agência filiada à Publicis Salles Norton, uma das três maiores agências do mundo;  da jornalista e assessoria de imprensa Tânia Guerra, e de José Alberto Conte Júnior, formado habilitado em jornalismo pela FAAC (UNESP Bauru) e responsável pela Assessoria de Imprensa e Comunicação da campanha dos candidatos João Cury e Professor Caldas, da coligação Botucatu Merece Mais, em 2008.
    Através de um discurso pessoal a respeito de campanhas políticas, a jornalista Tânia Guerra deu início à apresentação do tema. Com uso de linguagem simples e objetiva, Guerra acredita a idéia central do marketing político está na objetividade e aproximação com o eleitor. "Até que ponto não é melhor fazer uma campanha com mais verdade, mais simplicidade? O que acontece hoje é muito marketing e pouca informação", observa a comunicadora.
    Os recursos utilizados em campanhas eleitorais  foram a questão apresentada por José Alberto Conte Júnior logo em seguida. Para o assessor a imagem de um candidato se constrói passo-a-passo após o estudo não só candidato, mas também do eleitor. "O resultado de uma eleição é fruto de um processo humano e não matemático. Não dá pra ser frio e calculista."
     Foram apresentados aos presentes dicas e instruções de como projetar positivamente o candidato através dos veículos de comunicação, incluindo mídias alternativas como panfletagem, mídia digital e distriuição de DVDs com apresentação do programa político.  Segundo o planjamento seguido por Conte,  é de extrema importância ressaltar pontos positivos e tentar eliminar os negativos, mas sem negá-los. "O grande pecado capital da comunicação está centrado na mentira. Não se pode formar uma imagem de um candidato de uma coisa que ele não é."
    Seguindo a mesma linha de Conte, o jornalista Lupércio Zambieri salientou a importância de redes sociais na mídia digital como recurso para tornar a campanha eleitoral mais dinâmica e ter maior abrangência de público. O palestrante expôs estratégias de como manter o interesse do candidato através de relatos de campanhas eleitorais nas quais foi responsável pela comunicação. "A candidato deve se posicionar como a opção que melhor atende às expectativas. É necessária a identificação do eleitor com o candidato. E aí que entra o marketing político".



IX Semana de Relações Públicas da UNESP Bauru


Psicologia e Comunicação no marketing político  
A formação de uma imagem política foi o assunto do segundo dia de exposições


Por Giovani Miranda


                                                                                       Foto: Raphael Rodrigues

            De um lado, um professor de psicologia. Do outro, um especialista em Marketing Político. E no centro, a discussão sobre a formação e estruturação da imagem política. Assim podem ser descritos os principais personagens da segunda noite da IX Semana de Relações Públicas, que contou com a participação de Franco Junior, radialista, consultor e conferencista com especialização em Marketing Político e Comunicação, diretor do Instituto de Comunicação Franco Júnior; e também de Celso Zonta, professor de psicologia da UNESP – Bauru. Comunicação, Psicologia e Relações Públicas estavam reunidas em torno da mesa redonda que tinha como tema “A estruturação da imagem política”.

     Para iniciar a noite, o Professor Celso, por meio de uma profunda análise do comportamento humano na sociedade, comprovou ser possível estabelecer uma identidade psico-social aos candidatos políticos. Segundo o professor, “o marketing político não faz milagre. É necessário construir uma série de imagens que ao longo do tempo definirão o candidato”.
     
        Em seguida, foi a vez de Franco Junior apresentar a formação da imagem pública sob a ótica da comunicação. O seu discurso pautou-se no fato de as Redes Sociais como, Orkut, facebook e twitter, entre tantas outras, quando utilizadas de maneira eficaz, se transformarem em importantes ferramentas para a consolidação da imagem pública. Por meio de uma exposição leve e descontraída, foram apresentados exemplos dentro da política nacional e internacional. “Numa sociedade como a de hoje em que “uma imagem vale mais que mil palavras”, a melhor estratégia do marketing político é sempre dizer a verdade aliado à interatividade, instantaneidade e conversação oferecidas pelas redes sociais”, ressalta o especialista.

       Unindo os dois pontos de vista apresentados, os presentes puderam constatar que atuação do marketing político em períodos eleitorais busca a construção da imagem pública política com base na descoberta dos desejos e interesses, principalmente, dos públicos em questão..

        As atrações da IX Semana de Relações Públicas continuam na quinta-feira (10/06), a partir das 19h30, com a mesa-redonda “Aplicações praticas do Marketing Político” que contará com a presença do jornalista José Alberto Conte Junior, da assessora de imprensa da Prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo, Tânia Guerra, e do diretor de planejamentos, Lupércio Zampieria.



Jornal Júnior em Marília

A Jornal Júnior está em Marília (SP) fazendo a cobertura da semana de "simulação" da Organização dos Estados Americanos promovida pelo GEO, no II Fórum de discussão Universitária.

Para acompanhar a cobertura em tempo real, acesse o Canal da Jornal Júnior no livestream: www.livestream.com/canaljornaljnior

Confira!



IX Semana de Relações Públicas da UNESP Bauru

Paralelamente ao II Fórum de Discussão Universitária, a Jornal Júnior está realizando a cobertura da IX Semana de Relações Públicas que está acontecendo no Campus de UNESP, em Bauru.

Inicia-se a IX Semana de Relações Públicas na Unesp Bauru
Primeiro dia do evento traz palestra sobre o marketing político

Por Regiane Folter

Teve início nesta terça-feira, dia 8 de junho, a IX semana de Relações Públicas, evento anual organizado pelos alunos do 2º ano do curso de RP. A semana, cujo tema deste ano é “Relações públicas no contexto político, marketing e imagem”, foi estreada por uma palestra do Prof. Dr. Adolpho Carlos Queiroz, professor da Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e Presidente da Sociedade Brasileira dos Pesquisadores e Profissionais de Comunicação e Marketing Político (POLITICOM).


A palestra de abertura abordou a “História do desenvolvimento do marketing político no Brasil”, e teve como referência a linha do tempo da presidência da República no país. O professor comentou a campanha política de ex-presidentes, as quais foram avaliadas segundo os materiais e meios de comunicação utilizados durante as suas candidaturas, como por exemplo jingles, slogans, ações (comícios, viagens) e materiais (bótons, folhetos, e os tradicionais "santinhos").


Foram citados também também exemplos de profissionais da comunicação que trabalharam no marketing político, frisando o crescimento dos relações públicas na área. “Cada um deles é membro de uma orquestra. Hoje é inadmissível pensar que você faz uma campanha de comunicação sem a utilização dessa variedade de profissionais.”, afirma o professor.


A Semana de Relações Públicas começou com um bom índice de aprovação e e a organização é apontada por estudantes como Leonardo Guimarães Rezende, mediador da palestra do primeiro dia, como uma ótima oportunidade para quem pretende dinamizar o aprendizado e exercer o domínio prático sobre a carreira. “A UNESP é muito voltada para a teoria, e para nós ter uma matéria prática, onde a gente tem que correr atrás, tem que procurar verbas, e organizar tudo, o evento está realmente em nossas mãos, é algo muito importante.", observa Rezende.


Na quarta-feira a palestra continua às 19h30 com a mesa-redonda “A estruturação da imagem política” que trará o radialista Franco Júnior e o Prof. Dr. Celso Zonta.



Sui Generis



Palestra de abertura traz à tona aspectos sobre integração da América Latina e os desafios de uns dos países mais conturbados do mundo



O “Fóruns 2010 – aproximando culturas e cultivando o respeito”  recebeu na noite de ontem, 7, em sua primeira discussão o embaixador do Haiti no Brasil, Idalbert Pierre-Jean. O auditório da Unesp de Marília foi palco para que delegados da Simulação da OEA e diversos alunos de Relações Internacionais pudessem conhecer as diretrizes do evento e terem uma visão panorâmica do país caribenho, representado por seu embaixador.
A explanação sobre o Haiti começou após o Secretário Geral do Fóruns, Ruan Sales, e o coordenador geral discente do Grupo de Estudos em Organizações, GEO, Felipe Mesquita, definirem como eixo norteador das discussões – realizadas após a mesa inicial – o desafio de contribuir de forma efetiva para construção de uma sociedade mais justa, preocupada com a “descoberta do outro”. “Muitos dos principais problemas da humanidade são decorrentes da falta de alteridade dos indivíduos que, por vezes, culminam no desrespeito, na discriminação, na intolerância. Essa constatação é bastante para que busquemos a dita aproximação de culturas.” disse Ruan.
Idalbert Pierre-Jean foi categórico: “O Haiti é um país sui generis.” Segundo o embaixador, não é possível fazer uma análise da atual situação do país sem uma retomada nas tramas e peripécias que moldaram a história de um dos estados de situação mais crítica do planeta.
O Haiti sofreu profundamente com as consequências de sua independência – foi o segundo na América Latina -, pois não tinha aparato técnico para suportar uma emancipação tão drástica da metrópole. “Foi uma revolução de escravos. Vocês nem imaginam o que isso implica.” As sanções, como embargos e bloqueios econômicos, feitos pelos colonizadores no século XIX, segundo Idalbert, são um dos principais motivos pelas dificuldades sociais que cruzaram dois séculos e explodiram no fatídico terremoto no começo deste ano. “Ficamos de ‘quarentena’ das grandes potências por quase dois séculos, afirma o embaixador.
Todavia, Idalbert não aceita o termo “país falido”. Segundo seus princípios científicos - ou até morais -, não se pode caracterizar uma nação “acabada” se ela ainda reúne condições políticas e sociais capazes de ter representatividade frente ao povo e aos demais países do mundo.

Os problemas pontuais

O Haiti é um país absolutamente dependente do capital estrangeiro. Segundo Idalbert, a falta de uma economia interna consolidada e falta de investimentos dos próprios haitianos fazem com que o país não consiga caminhar com suas próprias pernas. “A classe média tem um papel importante nessa situação, pois eles pensam em ganhar dinheiro, se consolidar e abandonar a ilha. Ou seja, eles fazem o capital e o levam embora deixando o nosso país jogado ao seu próprio destino”, explana Idalbert.
O embaixador se declarou um pesquisador e diplomata crítico frente aos problemas haitianos e polemizou ao afirmar que não se considera um nacionalista. “Nacionalismo e o facismo estão muito perto um do outro. Um passo ao lado você está no facismo, um passo ao outro lado você está no nacionalismo. No entanto, durante a uma hora de sua fala, não citou os tempos difíceis e mundialmente conhecidos de Papa e Baby Doc e as diversas intervenções dos EUA com mortes e perseguições políticas.
O tom ameno da palestra levou o rumo da discussão para as relações entre o Haiti e o restante da América. Indagado por uma congressista sobre “que fator de identidade une os haitianos assim como, por exemplo, o futebol une os brasileiros”, Idalbert falou de características marcantes do território haitiano: o Haiti é o único país a falar francês na América; as relações entre o Vudu – religião majoritária do país – e o catolicismo são algo diferentes de qualquer outra parte do mundo. Inclusive, apenas no Haiti o Vudu é reconhecido por sua constituição.
Nos momentos finais, o embaixador deu a famosa “cornetada” nas relações entre futebol e política que, no final das contas, serviu de alerta a todos os brasileiros presentes no auditório. “Futebol é muito divertido quando não utilizado para tapar buracos sérios na sociedade. Isso acontece por aqui também?”, ironizou Idalbert.



Jornal Júnior no Fóruns 2010

A Jornal Júnior realizará a cobertura do II Fórum de Discussão Universitária, que será realizado em Marília de 7 a 11 de Julho. O tema do evento deste ano será "Aproximando Culturas e Cultivando o Respeito".

Em breve disponibilizaremos mais informações
http://geounesp.com/foruns2010/
http://twitter.com/foruns2010