3º dia de Congresso colocou a crítica em debate e mostrou desafios da profissão

Mesas de debate apontaram de forma bem humorada os desafios e as novas formas do fazer jornalístico


Por Laura Luz

Depois de uma quarta-feira longa de palestras densas e extasiantes, o terceiro dia do Congresso começou cedo para discutir o papel da crítica nas produções artísticas.
O primeiro debate falou sobre a produção teatral contemporânea e a crítica especializada e contou com o diretor de teatro Felipe Hirsch, o diretor de teatro Marco Antônio Rodrigues, e com o jornalista e crítico de teatro Jefferson Del Rios, em mesa mediada por Oswaldo Mendes jornalista e diretor de teatro.
Seguindo o mesmo tema, a segunda mesa de discussões do dia falou sobre a produção musical contemporânea e a crítica especializada, em um debate ácido e bem-humorada com o jornalista Alexandre Matias do Caderno Link do Estadão, Pablo Miyasawa, diretor de redação da revista Rolling Stones e na outra dimensão do debate o músico Zeca Baleiro, mediados pelo crítico de música da Folha de São Paulo, Marcus Preto. Zeca chegou a fazer uma brincadeira com os tipos de crítico que iam do “Revoltadinho que não come ninguém” ao “Sábio de Facebook”.
Após o almoço, que durante todo o congresso contou com diferentes atrações na área de convivência, começou a conversa com Camille Paglia, escritora e ensaísta estadunidense que falou (de pé) de forma afoita e humorada, em um cenário exclusivo nesse congresso, mesas redondas e banquinhos de bar; “era uma freira lésbica militante na faculdade”.;. Os mediadores Gunter Axt, historiador e professor e a filósofa e a professora da UFRGS, Kathrin Rosenfield, nem tiveram muita oportunidade de falar diante de uma apresentação que mais parecia um show de stand- up.

                                            De pé e muito a vontade Camille Paglia faz seu "show"

Após a coletiva de imprensa com Camille e retornando o tom sóbrio do Congresso, aconteceu o debate As empresas Jornalísticas investem na formação contínua de seus profissionais? Como se forma um Jornalista Cultural?, conduzido por Héctor Feliciano, jornalista, escritor e professor porto-riquenho, o escritor, lingüista e coordenador do LabJor da Unicamp, Carlos Vogt e Laura Greenhalgh, editora- exucutiva do Jornal o Estado de São Paulo, mediados por ninguém menos que nosso querido professor, o jornalista Mauro Ventura. A mesa falou sobre a importância da leitura e o retorno dos jornalistas “para a rua” na construção de uma boa reportagem.

                                             Mesa mediada pelo professor da Unesp Mauro Ventura

À noite, o debate O Jornalismo impresso está se tornando refém da mídia digital? contou com o diretor de redação do jornal Folha de São Paulo e escritor, Otavio Frias Filho e com Esther Hamburguer antropóloga, crítica literária, professora e diretora do CINUSP e chefe do departamento de Cinema, Rádio e TV da ECA USP, mediados pelo doutor em literatura pela USP e professor da Cásper Libero, Welington Andrade. Eles falaram da internet não como uma ameaça, mas sim como um desafio para o Jornalismo atual, algo que pode ser resumido com uma menção ao jornalista Xico Sá, também participante do congresso, feita por Otavio: “Jornalismo é que nem barata, não vai desaparecer nunca”.

Fotos: Laura Luz



Museu do Futebol usa tecnologia na construção da memória

Clara Azevedo expõe fotos e vídeos das atrações e revela desafios do tema

Por Beatriz Haga e Mariana Duré

A primeira noite da XIII Jornada Multidisciplinar da Unesp tinha como tema Futebol e brasilidade, e traria para a conferência o professor da Universidade de Notre Dame, Roberto DaMatta. No entanto, DaMatta não pôde comparecer devido a problemas de saúde e foi substituído por Clara Azevedo, diretora executiva do Museu do Futebol  de  São Paulo, que iria participar da mesa-redonda na quarta-feira, dia 11.

Ao ser entrevistada pela Jornal Júnior, Clara contou que “a principal proposta era criar um museu que falasse não só da história do futebol, mas também da história do Brasil”. O Museu do Futebol foi construído no avesso das arquibancadas do estádio do Pacaembu. O conteúdo fica exposto em 15 salas temáticas divididas em dois andares, utilizando diversos recursos interativos. Durante a palestra, Clara exibiu fotos e vídeos apresentados aos visitantes do local. “O Museu não nasceu de coleções pré-existentes, como tradicionalmente os museus se formam, mas veio de um tema: o futebol”, esclareceu a palestrante.

Pacaembu muda fachada sem perder suas características

O objetivo da apresentação foi mostrar o futebol como memória e os desafios de delimitar os fatos para constituí-la. “Qualquer museu tem como missão principal selecionar e expor aquilo que será legado para a posteridade, as memórias que serão preservadas”, explicou Clara. O Museu “é uma espécie de fórum de reflexão” e a discussão do tema futebol torna-se importante para a sociedade, pois é um fenômeno cotidiano na vida dos brasileiros.

O acervo do Museu do Futebol é imaterial e prioriza a exposição de acontecimentos e memórias de diversos ângulos e formas. O exemplo passado durante a palestra foi o depoimento do escritor Ruy Castro, espectador da final do Campeonato Carioca de 1978 entre Flamengo e Vasco. O vídeo mesclava falas do escritor com cenas do gol que decidiu a partida nos últimos minutos. Clara afirmou que os recursos audiovisuais não são auxiliares, mas imprescindíveis para a exposição da história do esporte, além de conterem “uma linguagem muito atual e contemporânea que atrai jovens e crianças”.

 Clara explicou que não existe um público alvo definido. “Na verdade, temos vários públicos-alvos. Escolas, crianças, jovens, adultos, são todos. Mas certamente a gente trabalha dependendo do público com comunicações distintas”, explica. Além da exposição tradicional, o Museu realiza mostras temporárias. A última aconteceu no segundo semestre de 2010 com o tema Copas do Mundo de A a Z.

Primeira mesa da XIII Jornada Multidisciplinar da Unesp

O Museu do Futebol fica aberto de terça a domingo, das 10h às 17h. O ingresso custa R$6,00. Estudantes e maiores de 60 anos pagam meia-entrada. Para mais informações, acesse http://www.museudofutebol.org.br/.



Quem escreve e quem critica

Literatura e crítica literária pautaram o segundo dia de Congresso

Por Regiane Folter

 O segundo dia do 3º Congresso Internacional de Jornalismo Cultural começou com a palestra O jogo na escrita: o desconhecido, o inexplicável, a escuridão, na qual o escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez falou a respeito de sua produção ficcional e relembrou o período de 26 anos em que foi jornalista.

Em seguida, o debate Qual o papel da crítica literária hoje?, na qual o crítico Alcir Pécora, o jornalista Daniel Piza e o escritor Rubens Figueiredo falaram a respeito da terceirização da crítica, substituída pelos releases , e sobre o papel intelectual desse tipo de texto.

À tarde, durante o debate A relação entre as artes visuais e a crítica especializada, o artista multimídia Ivald Granato, o jornalista Silas Martí e a crítica Angélica de Moraes trataram sobre a repetição dos artistas nos cadernos culturais, o pequeno espaço dado a essa editoria e a falta de referências às artes visuais.

A literatura foi abordada no debate O que quer e o que pode a literatura brasileira hoje? pelos escritores Fábio Andrade e Noemi Jaffe e o jornalista Rodrigo Lacerda, que falaram sobre o fato de a literatura contemporânea ser desconhecida do grande público e as funções sociais que cabem a ela.

O debate O papel da televisão no âmbito da cultura finalizou o dia com a discussão sobre o alcance da televisão na vida humana e de que forma isso poderia ser aproveitado para a difusão cultural e educacional. O diretor de programação da MTV Zico Góes, o diretor-executivo da SESC TV Valter Sales e a professora Marcia Tiburi comandaram o debate.

“Release não é notícia, release é pauta” deve ser o mantra do jornalista cultural, segundo Angélica de Moraes



Oh, no! Eu no falar portuguese!

Tradução simultânea permite que pessoas de diferentes nacionalidades se compreendam no Congresso

Por Regiane Folter



“O intérprete só trabalha sozinho quando o trabalho vai durar no máximo uma hora”, explica Lourdes

 O cineasta alemão Werner Herzog terminou sua coletiva de imprensa na terça-feira, dia 17, fazendo um agradecimento especial. “Obrigado às pessoas que fizeram a tradução para mim”. Você pensa no profissional que faz você compreender aquele palestrante estrangeiro? O intérprete e o técnico de áudio são responsáveis por fazer a tradução simultânea em eventos como o Congresso Internacional de Jornalismo Cultural, que reúne pessoas falantes de diferentes idiomas.

 O técnico José Almir trabalha há mais de 20 anos montando e operando os equipamentos de áudio que fazem a tradução simultânea acontecer. “Onde tiver um estrangeiro, a gente está lá com o equipamento”, garante Almir, que faz a instalação do aparelhamento no auditório e depois acompanha o trabalho das tradutoras nas cabines superiores do local.

 Em eventos nos quais serão falados dois idiomas, são necessários dois tradutores. Três idiomas, como é o caso do Congresso, requerem quatro tradutores. Quatro línguas, seis tradutores; até dez idiomas podem ser traduzidos em um mesmo espaço. Essa exigência é necessária para garantir a qualidade da tradução e também para um colega auxiliar o outro. As tradutoras Lourdes Spinola e Paula Coutinho trabalham no ramo há 11 anos e fizeram a tradução do inglês no terceiro dia de Congresso. Segundo elas, traduzir exige muita concentração e, para evitar o desgaste, elas se revezam a cada meia hora.

Problemas durante a tradução podem ser causados por má qualidade do som, que deve chegar às cabines puro, cristalino, sem interferência e sem chiado. Outro problema pode ser o sotaque do palestrante. Pessoas de outras nacionalidades falando em inglês, por exemplo, podem atrapalhar a compreensão. “Você consegue usar alguns mecanismos pra contornar a situação, porque ‘dar branco’ não pode acontecer”, diz Paula.



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