Encerramento da IX Semana de Relações Públicas


Marketing político aplicado em campanhas eleitorais
A aplicação das teorias da psicologia e da publicidade na comunicação foi o tema de exposição da mesa-redonda de encerramento

                                              Foto: Raphael Rodrigues
Beatriz Almeida

    "Aplicações práticas do marketing político" foi o tema da noite de encerramento da IX Semana de Relações Públicas.  A mesa-redonda que tratou do assunto contou com a participação do experiente Lupércio Zambieri, jornalista e diretor de Planejamento do Empório de Comunicação, agência filiada à Publicis Salles Norton, uma das três maiores agências do mundo;  da jornalista e assessoria de imprensa Tânia Guerra, e de José Alberto Conte Júnior, formado habilitado em jornalismo pela FAAC (UNESP Bauru) e responsável pela Assessoria de Imprensa e Comunicação da campanha dos candidatos João Cury e Professor Caldas, da coligação Botucatu Merece Mais, em 2008.
    Através de um discurso pessoal a respeito de campanhas políticas, a jornalista Tânia Guerra deu início à apresentação do tema. Com uso de linguagem simples e objetiva, Guerra acredita a idéia central do marketing político está na objetividade e aproximação com o eleitor. "Até que ponto não é melhor fazer uma campanha com mais verdade, mais simplicidade? O que acontece hoje é muito marketing e pouca informação", observa a comunicadora.
    Os recursos utilizados em campanhas eleitorais  foram a questão apresentada por José Alberto Conte Júnior logo em seguida. Para o assessor a imagem de um candidato se constrói passo-a-passo após o estudo não só candidato, mas também do eleitor. "O resultado de uma eleição é fruto de um processo humano e não matemático. Não dá pra ser frio e calculista."
     Foram apresentados aos presentes dicas e instruções de como projetar positivamente o candidato através dos veículos de comunicação, incluindo mídias alternativas como panfletagem, mídia digital e distriuição de DVDs com apresentação do programa político.  Segundo o planjamento seguido por Conte,  é de extrema importância ressaltar pontos positivos e tentar eliminar os negativos, mas sem negá-los. "O grande pecado capital da comunicação está centrado na mentira. Não se pode formar uma imagem de um candidato de uma coisa que ele não é."
    Seguindo a mesma linha de Conte, o jornalista Lupércio Zambieri salientou a importância de redes sociais na mídia digital como recurso para tornar a campanha eleitoral mais dinâmica e ter maior abrangência de público. O palestrante expôs estratégias de como manter o interesse do candidato através de relatos de campanhas eleitorais nas quais foi responsável pela comunicação. "A candidato deve se posicionar como a opção que melhor atende às expectativas. É necessária a identificação do eleitor com o candidato. E aí que entra o marketing político".



IX Semana de Relações Públicas da UNESP Bauru


Psicologia e Comunicação no marketing político  
A formação de uma imagem política foi o assunto do segundo dia de exposições


Por Giovani Miranda


                                                                                       Foto: Raphael Rodrigues

            De um lado, um professor de psicologia. Do outro, um especialista em Marketing Político. E no centro, a discussão sobre a formação e estruturação da imagem política. Assim podem ser descritos os principais personagens da segunda noite da IX Semana de Relações Públicas, que contou com a participação de Franco Junior, radialista, consultor e conferencista com especialização em Marketing Político e Comunicação, diretor do Instituto de Comunicação Franco Júnior; e também de Celso Zonta, professor de psicologia da UNESP – Bauru. Comunicação, Psicologia e Relações Públicas estavam reunidas em torno da mesa redonda que tinha como tema “A estruturação da imagem política”.

     Para iniciar a noite, o Professor Celso, por meio de uma profunda análise do comportamento humano na sociedade, comprovou ser possível estabelecer uma identidade psico-social aos candidatos políticos. Segundo o professor, “o marketing político não faz milagre. É necessário construir uma série de imagens que ao longo do tempo definirão o candidato”.
     
        Em seguida, foi a vez de Franco Junior apresentar a formação da imagem pública sob a ótica da comunicação. O seu discurso pautou-se no fato de as Redes Sociais como, Orkut, facebook e twitter, entre tantas outras, quando utilizadas de maneira eficaz, se transformarem em importantes ferramentas para a consolidação da imagem pública. Por meio de uma exposição leve e descontraída, foram apresentados exemplos dentro da política nacional e internacional. “Numa sociedade como a de hoje em que “uma imagem vale mais que mil palavras”, a melhor estratégia do marketing político é sempre dizer a verdade aliado à interatividade, instantaneidade e conversação oferecidas pelas redes sociais”, ressalta o especialista.

       Unindo os dois pontos de vista apresentados, os presentes puderam constatar que atuação do marketing político em períodos eleitorais busca a construção da imagem pública política com base na descoberta dos desejos e interesses, principalmente, dos públicos em questão..

        As atrações da IX Semana de Relações Públicas continuam na quinta-feira (10/06), a partir das 19h30, com a mesa-redonda “Aplicações praticas do Marketing Político” que contará com a presença do jornalista José Alberto Conte Junior, da assessora de imprensa da Prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo, Tânia Guerra, e do diretor de planejamentos, Lupércio Zampieria.



Jornal Júnior em Marília

A Jornal Júnior está em Marília (SP) fazendo a cobertura da semana de "simulação" da Organização dos Estados Americanos promovida pelo GEO, no II Fórum de discussão Universitária.

Para acompanhar a cobertura em tempo real, acesse o Canal da Jornal Júnior no livestream: www.livestream.com/canaljornaljnior

Confira!



IX Semana de Relações Públicas da UNESP Bauru

Paralelamente ao II Fórum de Discussão Universitária, a Jornal Júnior está realizando a cobertura da IX Semana de Relações Públicas que está acontecendo no Campus de UNESP, em Bauru.

Inicia-se a IX Semana de Relações Públicas na Unesp Bauru
Primeiro dia do evento traz palestra sobre o marketing político

Por Regiane Folter

Teve início nesta terça-feira, dia 8 de junho, a IX semana de Relações Públicas, evento anual organizado pelos alunos do 2º ano do curso de RP. A semana, cujo tema deste ano é “Relações públicas no contexto político, marketing e imagem”, foi estreada por uma palestra do Prof. Dr. Adolpho Carlos Queiroz, professor da Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e Presidente da Sociedade Brasileira dos Pesquisadores e Profissionais de Comunicação e Marketing Político (POLITICOM).


A palestra de abertura abordou a “História do desenvolvimento do marketing político no Brasil”, e teve como referência a linha do tempo da presidência da República no país. O professor comentou a campanha política de ex-presidentes, as quais foram avaliadas segundo os materiais e meios de comunicação utilizados durante as suas candidaturas, como por exemplo jingles, slogans, ações (comícios, viagens) e materiais (bótons, folhetos, e os tradicionais "santinhos").


Foram citados também também exemplos de profissionais da comunicação que trabalharam no marketing político, frisando o crescimento dos relações públicas na área. “Cada um deles é membro de uma orquestra. Hoje é inadmissível pensar que você faz uma campanha de comunicação sem a utilização dessa variedade de profissionais.”, afirma o professor.


A Semana de Relações Públicas começou com um bom índice de aprovação e e a organização é apontada por estudantes como Leonardo Guimarães Rezende, mediador da palestra do primeiro dia, como uma ótima oportunidade para quem pretende dinamizar o aprendizado e exercer o domínio prático sobre a carreira. “A UNESP é muito voltada para a teoria, e para nós ter uma matéria prática, onde a gente tem que correr atrás, tem que procurar verbas, e organizar tudo, o evento está realmente em nossas mãos, é algo muito importante.", observa Rezende.


Na quarta-feira a palestra continua às 19h30 com a mesa-redonda “A estruturação da imagem política” que trará o radialista Franco Júnior e o Prof. Dr. Celso Zonta.



Sui Generis



Palestra de abertura traz à tona aspectos sobre integração da América Latina e os desafios de uns dos países mais conturbados do mundo



O “Fóruns 2010 – aproximando culturas e cultivando o respeito”  recebeu na noite de ontem, 7, em sua primeira discussão o embaixador do Haiti no Brasil, Idalbert Pierre-Jean. O auditório da Unesp de Marília foi palco para que delegados da Simulação da OEA e diversos alunos de Relações Internacionais pudessem conhecer as diretrizes do evento e terem uma visão panorâmica do país caribenho, representado por seu embaixador.
A explanação sobre o Haiti começou após o Secretário Geral do Fóruns, Ruan Sales, e o coordenador geral discente do Grupo de Estudos em Organizações, GEO, Felipe Mesquita, definirem como eixo norteador das discussões – realizadas após a mesa inicial – o desafio de contribuir de forma efetiva para construção de uma sociedade mais justa, preocupada com a “descoberta do outro”. “Muitos dos principais problemas da humanidade são decorrentes da falta de alteridade dos indivíduos que, por vezes, culminam no desrespeito, na discriminação, na intolerância. Essa constatação é bastante para que busquemos a dita aproximação de culturas.” disse Ruan.
Idalbert Pierre-Jean foi categórico: “O Haiti é um país sui generis.” Segundo o embaixador, não é possível fazer uma análise da atual situação do país sem uma retomada nas tramas e peripécias que moldaram a história de um dos estados de situação mais crítica do planeta.
O Haiti sofreu profundamente com as consequências de sua independência – foi o segundo na América Latina -, pois não tinha aparato técnico para suportar uma emancipação tão drástica da metrópole. “Foi uma revolução de escravos. Vocês nem imaginam o que isso implica.” As sanções, como embargos e bloqueios econômicos, feitos pelos colonizadores no século XIX, segundo Idalbert, são um dos principais motivos pelas dificuldades sociais que cruzaram dois séculos e explodiram no fatídico terremoto no começo deste ano. “Ficamos de ‘quarentena’ das grandes potências por quase dois séculos, afirma o embaixador.
Todavia, Idalbert não aceita o termo “país falido”. Segundo seus princípios científicos - ou até morais -, não se pode caracterizar uma nação “acabada” se ela ainda reúne condições políticas e sociais capazes de ter representatividade frente ao povo e aos demais países do mundo.

Os problemas pontuais

O Haiti é um país absolutamente dependente do capital estrangeiro. Segundo Idalbert, a falta de uma economia interna consolidada e falta de investimentos dos próprios haitianos fazem com que o país não consiga caminhar com suas próprias pernas. “A classe média tem um papel importante nessa situação, pois eles pensam em ganhar dinheiro, se consolidar e abandonar a ilha. Ou seja, eles fazem o capital e o levam embora deixando o nosso país jogado ao seu próprio destino”, explana Idalbert.
O embaixador se declarou um pesquisador e diplomata crítico frente aos problemas haitianos e polemizou ao afirmar que não se considera um nacionalista. “Nacionalismo e o facismo estão muito perto um do outro. Um passo ao lado você está no facismo, um passo ao outro lado você está no nacionalismo. No entanto, durante a uma hora de sua fala, não citou os tempos difíceis e mundialmente conhecidos de Papa e Baby Doc e as diversas intervenções dos EUA com mortes e perseguições políticas.
O tom ameno da palestra levou o rumo da discussão para as relações entre o Haiti e o restante da América. Indagado por uma congressista sobre “que fator de identidade une os haitianos assim como, por exemplo, o futebol une os brasileiros”, Idalbert falou de características marcantes do território haitiano: o Haiti é o único país a falar francês na América; as relações entre o Vudu – religião majoritária do país – e o catolicismo são algo diferentes de qualquer outra parte do mundo. Inclusive, apenas no Haiti o Vudu é reconhecido por sua constituição.
Nos momentos finais, o embaixador deu a famosa “cornetada” nas relações entre futebol e política que, no final das contas, serviu de alerta a todos os brasileiros presentes no auditório. “Futebol é muito divertido quando não utilizado para tapar buracos sérios na sociedade. Isso acontece por aqui também?”, ironizou Idalbert.