A importância da mediação e da credibilidade na Internet

Por Renan Simão

Em todo lugar e a todo o momento, você é bombardeado de informações que indicam a você o que fazer, o que ler, beber, comprar. Essas escolhas só são confiáveis dependendo do que e de quem as aponta, e o jornalismo é parte disso. As críticas, reportagens e colunas expressam alguma predileção por tal assunto e o leitor precisa acreditar no veículo para concordar. 

Mas a Internet chegou e sua interatividade e liberdade de conteúdo propiciam que achemos uma informação em qualquer lugar do mundo a qualquer hora e, principalmente, de qualquer pessoa. Será que precisamos de uma mediação? Queremos alguém para nos indicar o que é bom ou as infinitas fontes da internet se bastam, por si só?

“Hoje existe muita produção de jornalismo cultural na internet, mas com pouca qualidade”, afirma Marion Strecker, jornalista e diretora de conteúdo do portal UOL. Strecker lembra que o espaço na internet é ilimitado e as possibilidades de distribuição de cultura são muito grandes, mas há muita produção de qualidade duvidosa.  A tal liberdade oferecida pela Internet, dá, muitas vezes, espaço a autopromoção e não a uma crítica confiável. 

Do mesmo jeito que os portais de notícia são confiáveis para sabermos as principais notícias do mundo, os blogs específicos de um assunto também têm espaço. É o chamado conteúdo de nicho. Desse modo, blogs da faculdade e sites de bairro, por exemplo, terão informações que os grandes veículos não podem dar. E se tiverem qualidade conseguirão credibilidade.

Carlos Graieb, editor-executivo da revista Veja, acredita que meios alternativos de filtro de conteúdo podem ser criados, porém precisamos de alguma mediação. “A Wikipedia é um exemplo que deu certo. Eles conseguem manter a qualidade por meio de ações colaborativas.” Graieb recorda que a relação do editor com o repórter também é um tipo de colaboração e que o jornalismo na internet depende disso para sobreviver. 

Texto produzido durante palestras do 2º Congresso de Jornalismo Cultural da Revista Cult, em maio de 2010.



 Vídeo do blog do congresso.
 




Site dá dicas de como fazer um "vídeo de internet"

A arte de se fazer vídeos para internautas

Quer opinião de quem trabalha com a internet para fazer um vídeo amador para seu blog, site ou mesmo para postar no YouTube? O texto abaixo trás dicas do site estrangeiro Mashable.com sobre vídeos feitos por internautas para outros internautas.

A matéria é construída em tópicos, em que cada um dá uma classificação para o tipo de vídeo. O primeiro tópico é o "Vídeos Resumos e Introduções". Esse tipo de vídeo é para pessoas que precisam mandar vídeos-currículo (o que tem sido muito usado por empresas atualmente) e até para telespectadores que queiram participar de seleção de programas de televisão. A dica basicamente diz o quanto a sua roupa e postura diante da câmera são essenciais, já que esse tipo de vídeo não utiliza nenhum apelo visual a não ser a própria pessoa no centro da tela. Atenção: ao mesmo que essa apresentação/resumo não pode ser muito extensa, ela também não pode ser incompleta ou muito superficial.

A segunda categoria de vídeo é o "Vídeo de Abastecimento". Esse tipo de vídeo deve ser utilizada em sites e blogs de pessoas que pretendem fazer das páginas virtuais uma propaganda e amostra do seu trabalho e não de si mesmo. Esse tipo de vídeo requer a inclusão de uma lista de comentários, em que os internautas poderão dar suas opiniões. É o famoso feedback. Com o YouTube, podemos ver que várias pessoas conseguiram chamar a atenção através desse tipo de vídeo.

A última dica do site fala sobre a importância que se deve dar a um vídeo postado. Muitas pessoas, por exemplo, esquecem que um vídeo postado por elas diz tanto como se tivessem escrito algo ou publicado uma foto delas próprias. Ou seja, deve-se tomar muito cuidado com aquilo que for postado, mesmo que o vídeo não tenha nada a ver com você.

Para quem ainda não conhece o Mashable.com, vale a pena dar uma olhadinha. Esse site posta matérias sobre novas tecnologias e tudo o que envolve a ampla área da internet. O mais legal dessa página virtual é que ela é atualizada diariamente, com cerca de 5 novos textos por dia. O site está em inglês, o que é bom para treinar o idioma.  

Fonte: mashable.com



A língua materna

Luis Fernando Veríssimo,  sobre alguns desdobramentos dos idiomas.



Franz Kafka escreveu no seu diário que nunca tinha amado a sua mãe como ela merecia por causa da língua alemã. "A mãe judia não é uma "mutter"", escreveu ele. "Chamá-la de "mutter" é um pouco cômico. Para um judeu, "mutter" é especificamente alemão. Portanto a mulher judia que é chamada de "mutter" se torna não apena cômica como estranha."
***
Kafka escrevia em alemão. A língua do seu cotidiano era o checo. A língua da sua mãe era o iídiche. Além de tudo o mais que representa para a literatura moderna, Kafka foi o primeiro a falar do estranhamento com a língua materna, que no fim é um estranhamento com toda linguagem, que acomete quem a abandona. Escritores escrevendo na língua que não era a da sua casa foi uma constante do século. Foi Kafka quem, no século dos exílios, definiu uma das suas formas: o exílio em outra língua. Na qual ninguém se sentia em casa com sua "mutter" e talvez por isso tenham criado o que criaram.
***
Falar e escrever em latim era comum na Idade Média e na Renascença e, até há pouco tempo, em quem recebia uma educação clássica. Mas o latim era a língua universal do privilégio e da alta cultura, um pouco como foi o francês mais tarde. Um adendo, não uma alternativa. O primeiro notável a abandonar sua língua materna e adotar, e dominar totalmente, outra foi Joseph Conrad, o polonês que acabou como um dos grandes estilistas do idioma inglês. Muito depois, o exemplo mais notório desta migração foi o russo Vladimir Nabokov.
***
Nabokov também é o melhor exemplo do estranhamento citado por Kafka e das suas consequências literárias. Talvez nenhum outro escritor do século tenha usado a linguagem com a sua destreza e inventividade, frutos do estranhamento. Só quem chega adulto numa língua estranha vindo de outra pode descobrir todas as suas possibilidades e brincar com todas as suas peculiaridades, como Nabokov fez com o inglês até beirar o preciosismo. No seu caso a língua abandonada, a língua da casa, era a de uma infância idílica na São Petersburgo pré-revolução, cujas lembranças só alimentavam a mordacidade da sua linguagem no exílio.
***
Samuel Beckett era um irlandês que escrevia em francês. Como no caso de Nabokov, isso também lhe possibilitou escrever numa linguagem pura, no sentido de intocada pelas tradições e pelos vícios acumulados da língua da infância. Ele usou a linguagem como um jogo, como o máximo de liberdade e experimentação permitido longe da mãe. É verdade que levou a depuração da linguagem a tal ponto que seu objetivo lógico parecia ser o silêncio, ou um exílio intelectual além do exílio em outra língua, ou a pureza no seu estado máximo. Para Beckett o estranhamento só trouxe a angústia da impossibilidade de nos comunicarmos, em qualquer língua.
***
Jorge Luis Borges transitou por todas as línguas, por todas as literaturas e por toda a História, sem contar as partes que ele mesmo inventou. Dizem que seu primeiro texto, sobre os mitos gregos, foi escrito quando ele tinha 7 anos de idade, em inglês. Depois, ninguém como ele brincou tanto com a linguagem, com a tênue linha que separa a erudição da paródia de erudição, a criação literária de outras formas de prestidigitação - enfim, com a linguagem como travessura. Mas escrevia na língua da sua infância. E depois da cegueira, quem lia para ele era sua mãe. Borges tinha a língua e a voz maternas com ele, portanto. O seu não era um exemplo de estranhamento kafkiano. Ou era um estranhamento que Kafka invejaria.




O Jornalista e o Mundo digital


 Qual o papel do jornalista no mundo digital?

por Laércio Guidio

Várias palestras e painéis neste primeiro semestre de 2010 abordaram a nova “fórmula” de se fazer jornalismo. O rumo das discussões é sempre o mesmo: os comunicadores sociais estão reinventando o formato de se comunicar, para se adequarem às novas tecnologias e satisfazerem as exigências do público.

Nada que seja uma grande revelação, pois o receptor passou a ser também um emissor de informação, o uso de redes sociais como: Twitter, Orkut e Facebook fazem a notícia se propagar cada vez mais rápido e as fontes serem cada vez mais diversificadas.

Portanto os jornalistas precisam indiscutivelmente aderir às novas formas de comunicação. Nunca o envolvimento entre as mídias foi tão requisitado. São muitas ferramentas existentes, mas mais que canais comunicadores é preciso muita criatividade, independente do meio de comunicação.

As palestras e painéis sobre a imprensa revelam algo que já faz parte do cotidiano dos espectadores e que deve expandir cada vez mais: o humor inteligente e textos mais literais, acompanhados de infografismos e ilustrações editoriais; o design tomou conta da comunicação não somente como complemento, mas também como “agente protagonista” de informação.

O jornalismo está cada vez mais humanizado, artesanal, e carente de profissionais que informam e conquistam, não basta noticiar, tem que satisfazer o público cada vez mais exigente.

Os bastidores dos fatos também são importantes, pois despertam a curiosidade e a vontade de saber mais sobre o que ocorreu, a notícia deve ganhar um desdobramento com muita atenção para o que antes era meramente descartado.

A internet é uma grande aliada do jornalismo, mas não podemos esquecer que é algo vivo, que se reinventa a cada dia; sendo assim, o jornalista também precisa se reinventar, reciclar, remodelar seus hábitos e enxergar além dos olhos do público, uma tarefa nada fácil se for pensar que a massa heterogênea tem visão plural, mas exigência bem singular: matérias bem elaboradas e com criatividade sem limite, desde o título até o último ponto final.




De como fugir do lide com classe




Por Renan Simão

Há décadas sustenta-se uma discussão sobre os pontos de junção entre jornalismo e literatura. Os resultados são livros-reportagens, romances não-ficcionais, narrativas com utilização de recursos literários, etc. No jornalismo impresso, não raro, busca-se mecanismos da literatura para apresentar um texto mais interpretativo e reflexivo e assim atrair o leitor.

O escritor e colunista do jornal “O Globo”, Joaquim Ferreira dos Santos, acredita que a escrita literária e a jornalística devem ser usadas de um modo equilibrado.  “Vejo muitos repórteres iniciantes tentando fazer um texto diferente, estiloso. No final, eles criam aquele ‘nariz de cera’, um parágrafo de introdução sem nenhuma informação factual para o leitor.” Joaquim admite que, quando jovem, saiu-se “ridículo” ao tentar imitar a escrita de Gay Talese (expoente do jornalismo literário) em uma matéria estritamente factual.

Embora o jornalismo impresso tenha a natureza factual, a internet provê informações em tempo real e em muitas vezes desbanca os grandes furos de reportagem. “Eu não preciso saber de tudo. O impresso está muito pesado, redundante. O leitor de jornal em papel quer cada vez mais ler uma boa história do que saber o que já foi mostrado na internet ou na TV”, aponta Joaquim. Para ele esse é um caminho para o uso das técnicas literárias no jornalismo.  

Dentro do jornal impresso existem seções delimitadas a um tipo específico de escrita. As colunas são a opinião do jornal, elas interpretam a notícia. Essa é a principal diferença entre a coluna e a crônica. O cronista possui total liberdade sobre o conteúdo da sua seção, não é amarrado ao factual. Nos dois estilos citados e nas grandes reportagens há espaço para uma escrita mais literária.

O escritor e colunista do jornal Folha de São Paulo, Carlos Heitor Cony, fala que a internet é apenas mais uma ferramenta de mídia e que ainda o jornal impresso precisa, mais do que nunca, do jornalista. “Vejo que falta o faro, o tesão, o serviço. Eu conheci um repórter que não sabia escrever e foi dos melhores repórteres que vi. Fazia furos jornalísticos incríveis, tinha tesão.”, conta Cony. Para o escritor, os recursos da literatura têm lugar no jornalismo, desde que estejam juntos da apuração da notícia.

Apesar da grande quantidade de denominações sobre a fusão entre jornalismo e literatura, para Paulo Franchetti, professor de teoria literária da Unicamp, o título não importa: “Gênero não define qualidade. Esses recursos de linguagem não são ruins desde que sejam submetidos à pauta e ao espaço da mídia”. O leitor quer um bom texto, sendo jornalismo literário ou não. O nome pouco importa.  

Texto produzido durante palestras do 2º Congresso de Jornalismo Cultural da Revista Cult, em maio de 2010.






Quer ser um embaixador do meio ambiente?

Empresa Bayer seleciona jovens para serem embaixadores ambientais. O programa levará os escolhidos a Alemanha

Se você tem ou participa de projetos voltado para a área ambiental e desenvolvimento sustentável, preste atenção nessa notícia! Acontecerá no próximo semestre do ano a 7ª edição do Programa Bayer Jovens Embaixadores Ambientais. O Programa é fruto da parceria entre a empresa alemã Bayer e o PNUMA, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Os selecionados representarão o Brasil na Alemanha.

Os interessados têm até o dia 27 de agosto para se inscreverem. As inscrições são feitas pelo site da empresa, o bayer.com.br. O jovem deve descrever o projeto ambiental do qual participa, relatando as atividades que desempenha, os benefícios dessa iniciativa e quais resultados já foram conseguidos. Além disso, o jovem precisa ter entre 18 e 24 anos, ser fluente em inglês e estar matriculado em curso do ensino médio ou ensino superior reconhecido pelo MEC.

Os quatro melhores projetos inscritos serão premiados com uma viagem à Alemanha, com todas as despesas pagas pela Bayer. Esses quatro ganhadores representarão o Brasil no Encontro Internacional de Jovens Embaixadores Ambientais na Alemanha, que acontecerá em novembro desse ano.Além do Brasil, participam do programa jovens de outros 18 países da América Latina, Ásia, África e Europa. O encontro será feito de palestras e visitas a instituições da Alemanha com a melhores práticas ambientais.

Fonte: Universia e Bayer.



Jornalismo na era da criatividade: O público mudou e os jornais?

Laércio Guidio
Dois mil e dez; século XXI; e a grande notícia: “É hora de reciclar a surrada forma de fazer jornalismo.”

Os leitores estão cada vez mais críticos e lêem de tudo, até o que não está escrito, é informação por toda parte e o público está cada vez mais participativo. Chegamos à temporada da exigência, só os velhos e arcaicos manuais não descobriram isso.

Formatos de jornais que são impossíveis de folhear dentro do ônibus ou metrô estão ficando fora de moda, assim como título pouco criativo e cheio de malabarismo para atingir certa quantidade de toques, matérias com elevados números de caracteres e tantas outras regras pré-estabelecidas; é a tradicional receita de fazer jornal ficando obsoleta.

Entramos na fase dos 140 caracteres, os leitores querem saber de tudo, tendo que ler o mínimo possível. Isso não é sinônimo de preguiça e sim de globalização, em que a invasão de caranguejos na Austrália ou a inauguração de um novo prédio em Dubai é de interesse de todos, mesmo que os receptores dessas informações estejam a quilômetros de distância. Afinal de contas, estar atualizado é exigência de qualquer concurso ou vestibular.

Muita informação no papel não significa que o leitor irá estar informado, ao contrário, ler por completo um exemplar dos jornais considerados grande aos domingos é um exercício que nem mesmo o mais aficionado e ocioso leitor é capaz de fazer, sem falar que quando acabar a leitura antes de passar o efeito da entropia, já está na rua o jornal da segunda-feira.

É hora dos jornais falarem bastante dizendo pouco, lembrar que as fotos e os infográficos às vezes se expressam melhor que qualquer texto longo e enfadonho.

O leitor exige boa diagramação, boa charge, bom artigo, e principalmente muita criatividade e aprofundamento no assunto em questão. A linguagem da internet (informal) cautelosamente deve ser usada, e muitas vezes uma matéria ilustrada como uma janela de bate-papo informa e desperta mais o interesse dos novos leitores que qualquer matéria enquadrada nos quadrados manuais.

Hoje vemos o exemplo de que um jornal de economia pode falar o que interessa aos economistas sem deixar de tratar de assuntos que são de interesse de qualquer leitor, muitas vezes com formato “alternativo” e até páginas coloridas, todos esses recursos contribuem para fazer com que no país em que muitos desde cedo torcem o nariz para as aulas de matemática descubram que ler sobre o tema não é nenhuma tortura.

Os jornais que reclamam que vendem pouco, ou que estão vendendo menos, são porque não pararam para ver que o gosto do leitor mudou. Nos dias atuais qualquer leigo sem nunca ter ouvido falar da palavra “semiótica” sabe muito bem seu significado na prática.

Repito: Não é a era do jornalismo preguiçoso de se escrever pouco, ao contrário, é a era do jornalismo inteligente escrevendo muito em poucas palavras.

Se o fotógrafo vai ao local dos fatos e tira uma infinidade de fotos, porque os jornais ainda teimam em repetir a foto da capa nas páginas internas? Não sabem que foto também se lê? É a forma de teletransporte para levar o leitor até o local dos fatos.

Chegou à hora de usar e abusar do cross-mídia, de não tomar muito o tempo do leitor, mas ao mesmo tempo municiá-lo de informação, o fundamental vai para o papel, o material extra não vai para a lixeira e sim para internet, quem se interessar mais pelo assunto saberá onde encontrar.

Isso não é nenhuma novidade, mas é preciso entender que não se pode entrar na evolução de maneira tímida e temerosa. O jornalismo está atrelado à arte. É hora de ter medo de ficar ultrapassado e abusar da capacidade criadora. De se perguntar a todo instante para quem se está escrevendo, pois o leitor é um consumidor cada vez mais novo e moderno independente de sua idade. Assim deve ser a mentalidade dentro de qualquer redação que queira sobreviver à nova era; das fotos em 360 graus, dos textos em 140 caracteres e abundante imaginação.

Fonte: www.circuitomt.com.br



Dez mandamentos do futuro jornalista



Antes de ingressar na faculdade, ou mesmo cursando jornalismo, o estudante idealiza a profissão. Imagina que o futuro será cercado de muito glamour ou de sucessos constantes. Mas nem sempre quem sai da faculdade, consegue seu lugar ao sol ou pretende seguir a profissão pelo resto da vida. Às vezes, basta uma decepção para encerrar a carreira tão sonhada. Talvez isso ocorra, pela falta de preparo.

Por isso, quem escolhe a profissão de jornalista deve estar atento ao mercado de trabalho. Ainda na faculdade, deve adquirir experiência. Além de participar de laboratórios em diferentes áreas, durante a graduação, ingressar em programas de estágio mantidos pelas empresas de comunicação pode ajudar muito o futuro profissional a colocar em prática a teoria.
Uma dica aos estudantes de jornalismo para facilitar o acesso ao primeiro emprego é buscar informações em livros específicos da área. Assim, poderá conhecer um pouco mais sobre o perfil de sua profissão e a realidade de mercado.
O livro Jornalista, da série profissões, publicado pela editora Folha é uma boa opção. O livro traz informações importantes sobre como se preparar para ingressar no mercado de trabalho e os dez mandamentos do futuro jornalista. Vale a pena.

Dez mandamentos do futuro jornalista:

1. "O domínio da língua portuguesa é requisito básico na profissão. Habitue-se a ler diariamente jornais, revistas e livros e a manter-se atualizado com os demais meios de comunicação.

2. Prepare-se para passar alguns sábados e domingos dentro de uma redação ou na rua apurando uma matéria. A notícia não cumpre agenda e precisa ser divulgada todos os dias, sem descanso.

3. Saiba que o trabalho em equipe é importante na profissão. Ouça o que as pessoas têm a dizer, aprenda com os mais velhos e respeite os mais jovens. O jornalismo é uma carreira dinâmica, e nada melhor do que construir uma sólida rede de contatos.

4. Nem o melhor dos jornalistas sabe tudo de todos os assuntos. Seja humilde e, em dúvida, não tenha vergonha de perguntar.

5. Domine as ferramentas básicas de informática e aprenda um ou mais idiomas, em especial o inglês.

6. Descubra "quem é quem" na área; mais do que isso, saiba construir sua rede de relacionamento, sua network, importante em qualquer carreira, principalmente na área de comunicação.

7. Seja curioso, busque novos conhecimentos e amplie seus horizontes. Um bom jornalista tem na bagagem um vasto repertório de informações.

8. Seja ético e honesto em seu trabalho, pois só assim conseguirá o respeito e a credibilidade que o distinguirão na carreira.

9. Procure especializar-se numa área pela qual você tenha interesse genuíno.

10. Valorize a vida acadêmica e desenvolva senso crítico para ingressar e permanecer no mercado de trabalho."


Editora: Publifolha
Páginas: 144
Quanto: R$ 19,90




Livros digitais criam novas chances de acesso à leitura

 
 
Sucesso depende ainda da solução de gargalos ligados ao custo e hábito

A chegada dos livros digitais abre um novo potencial de popularização da leitura no Brasil. O País, que segundo levantamento Retratos da Leitura, realizado em 2008 pelo IPL (Instituto do Pró-Livro), tem cerca de 45% da população fora de contato qualquer tipo de leitura, poderia aproveitar a nova tecnologia para mudar o panorama. A chance, entretanto, esbarra em alguns gargalos que as novas tecnologias carregam, como adaptação aos novos formatos, aceitação dos escritores e público, reformulação do modelo de negócio e acesso aos aparelhos necessários para a leitura.
Marco Simões, coordenador pedagógico da Faculdade de Computação e Informática da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado) é taxativo em relação ao livro virtual como grande ponto de virada para o cenário de leitura no Brasil. "Os leitores digitais não modificarão o atual panorama brasileiro, até porque a vontade de ler não depende do que às pessoas tem em mãos", diz ele, que é autor do livro "História da Leitura: do papiro ao papel digital". O hábito, segundo Simões, depende da família, da escola e do incentivo dos pais.
Ainda que o estímulo da leitura não esteja diretamente relacionado à sedução que aparelhos modernos com alta capacidade de armazenamento de dados despertem, Antonio Luiz Basile, professor de Ciência da Computação da Universidade Mackenzie, enumera uma série de vantagens que podem aproximar os brasileiros dos livros. "Com a exclusão dos gastos com papel e encargos gráficos, a tendência é que o custo da publicação seja mais baixo", aponta ele. Embora os valores dos livros digitais sejam menores, será necessário o investimento na produção em massa e conseqüente barateamento do custo do leitor digital, a menos que se decida usar um computador normal para ler os livros adquiridos. Mas essa saída eliminaria a portabilidade do livro digital.
Hoje, o aparelho custa no Brasil em média R$ 1.000. O valor deverá delimitar a leitura digital às classes mais altas da sociedade e não resolverá o problema dos brasileiros que alegam não ler por causa dos altos custos das publicações. A pesquisa Retratos da Leitura aponta que 7% da população de não-leitores no País se encaixam nesse contexto. A tendência, no entanto, segundo Basile, é que o valor do leitor digital caia pelo menos pela metade. "Hoje é muito caro por causa das novas tecnologias empregadas e pela falta de concorrência. Depois que o custo de fabricação diminuir e aparelhos de diferentes marcas forem lançados, a opção se tornará mais acessível", aposta ele.
A vantagem da nova tecnologia, para Jézio Gutierre, editor executivo da Editora UNESP (Universidade Estadual Paulista), é a mobilidade, bem como a comodidade de carregar inúmeros textos num único aparelho. Ele afirma que essa possibilidade poderá ser bem aproveitada, principalmente, pelos estudantes. A conexão com a Internet sem fio, segundo Basile, também permitirá maior interatividade com o livro. Opção que, segundo ele, levará o leitor a se informar não apenas pela obra e incentivará o aprofundamento em outros assuntos descritos nela.
"A tecnologia possibilita que o leitor obtenha informações complementares e até mesmo traduções simultâneas durante a leitura", cita Basile. O benefício poderá ser testado no próximo livro de Laurentino Gomes, previsto para ser lançado em setembro de 2010. De acordo com o autor de "1808", obra terá uma versão digital com uma linha do tempo interativa. "O leitor poderá explorar os acontecimentos da época, além de ter acesso a mapas, por exemplo", conta Gomes.
A partir do uso das tecnologias também será possível enviar e receber obras na velocidade do clique de um mouse. Fato que, segundo o autor, poderá aumentar o leque de opções na hora de escolher as obras. "Será possível ter acesso aos livros estrangeiros muito mais rápido que antes, já que não será preciso esperar que ele chegue até nós por qualquer tipo de transporte que seja", prevê Gomes.
Preservação do papel
Embora as vantagens do livro digital sejam bastante animadoras, não deverão ser suficientes para substituir o papel. Para Simões, o motivo é bem simples. "Enquanto o papel existe há mais de mil anos, o digital não completa nem uma década de existência", compara Simões, que diz que as leituras não são substituídas, tampouco podem ser comparadas. "O manuseio, a sensação de segurar um livro e até mesmo seu cheiro nunca poderão ser reproduzidos por nenhum aparelho", dispara ele.
A tendência, na opinião de Gomes, é que os dois modelos passem por transformações. "Nenhum deles, no entanto, desaparecerá", garante o autor, que aposta na sincronia e no intercâmbio entre papel e leitor. Para ele, a novidade poderá incentivar o leitor a procurar uma mesma obra em diferentes formatos. "As novas tecnologias não competem entre si, apenas se complementam", acredita ele. Basile acrescenta que o impulso pelo uso do leitor digital será grande. "Mas com o tempo, as pessoas saberão a hora certa de usar cada um deles", conta o professor da Mackenzie.
Adaptação mercado editorial
Assim como a indústria fonográfica precisou pensar em formas de se reinventar quando o formato de compressão MP3 e os programas de compartilhamento invadiram a rede mundial de computadores, a indústria e o meio editorial se veem numa situação muito parecida com a chegada dos leitores digitais. Embora ainda em estado embrionário, muito já é discutido quanto às mudanças que esses leitores trarão no processo de produção dos materiais digitais.
Jézio Gutierre, editor executivo da Editora UNESP, acredita que a indústria e os autores ainda não sabem ao certo qual será o futuro dessa nova tendência tecnológica e literária. Ainda sim, afirma que o papel das editoras dentro desse contexto é muito claro. "É preciso preparar os profissionais da área, experimentar fontes e tamanhos de letras, além de novos meios de diagramação necessários para a leitura em tela, já que estamos acostumados com séculos de leitura em livros", explica ele.
A própria editora UNESP já entrou nesse novo ramo digitalizando parte do seu acervo. São 44 obras concluídas e outras 55 que estão em fase de preparação para o começo do ano que vem. Para Gutierre, essa iniciativa, além de oferecer títulos acadêmicos de maneira fácil e rápida para quem se interessar por elas, serve também como ponto de partida para descobrir o que o mercado espera dessas obras. "São atitudes como essas, de pesquisa de mercado e técnicas de edição, que mostrarão o tipo de livro digital que será consumido no futuro", diz ele.
Para o editor o importante nesse momento é criar textos e obras que se adequem aos leitores digitais. "As possibilidades do papel digital são muito mais vastas do que a do papel normal, por isso é hora de criar livros em que o leitor possa interagir com o tema e que o prendam cada vez mais à história", afirma.

Por Roberto Machado

Fonte 



Jornalismo cultural como ferramenta para reflexão



Por Eliane Fátima Corti Bassos
Tem-se convencionado como Jornalismo Cultural uma especialização que nasce das necessidades da imprensa em atender a um público segmentado, mas seu recorte temático, apesar de depender das dimensões do projeto editorial e o segmento de público para o qual se destina, vai muito além, ou pode ir, da divulgação das artes, como muitos costumam tratar, ou então, da veiculação do entretenimento.
Conceitualmente, o Jornalismo Cultural como preconiza o jornalista e pesquisador argentino Jorge Rivera, em “El Periodismo Cultural”, ajustou-se a duas concepções básicas de cultura: a ilustrada e a antropológica. Portanto, oscila entre um sentido restrito e um total. A ilustrada, de acordo com o teórico Edgar Morin, em “Cultura de massas no século XX – Necrose”, – centra a cultura nas humanidades clássicas e no gosto literário-artístico. Do ponto de vista antropológico, ela passa a ser vista como a organização de um povo, seus costumes e tradições transmitidas de geração em geração a partir de uma vivência comum. O crítico literário e ensaísta Alfredo Bosi, em “Dialética da Colonização”, explica cultura como “conjunto de modos de ser, viver, pensar e falar de uma dada formação social”. Deste modo, passa a ser entendida como um elemento comum e universal, inserida em tudo que o homem faz para melhorar sua condição de vida.
Assim, o Jornalismo Cultural ajustou-se a uma mescla ampla e variada que busca difundir os patrimônios culturais do conhecimento em esferas variadas em que a cultura passa a ter uma visão mais integradora. Para Rivera, tem-se definido como Jornalismo Cultural: “[…] uma zona muito complexa e heterogênea de meios, gêneros e produtos que abordam com propósitos criativos, críticos, reprodutivos ou de divulgação os terrenos das ‘belas artes’, as ‘belas letras’, as correntes do pensamento, as ciências sociais e humanas, a chamada cultura popular e muitos outros aspectos que têm a ver com a produção, circulação e consumo de bens simbólicos, sem importar sua origem e destinação” [5]. Desta forma, tende a superar o prisma da dicotomia entre os campos da produção simbólica; de elite e popular, evidenciando a difusão (papel do jornalista cultural) e a análise crítica das culturas (papel do crítico de cultura) – formatando um fórum público de manifestação do pensamento, em que estão presentes a produção jornalística e a intelectual.
A esse Jornalismo Cultural cabe o papel de levar à análise e à interpretação de forma a dar subsídios para o leitor para que possa refletir, através das artes e da produção cultural, as formas de organização da sociedade. À parte expor a filosofia estética de uma obra, por exemplo, cabe também a reflexão sobre as circunstâncias sociais e históricas em que foi concebida no sentido de apresentar a obra como um processo cultural, na tentativa de captar o movimento vivo das idéias, e não apenas como produto.
Eliane Fátima Corti Bassos é jornalista e membro da coordenação nacional do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social.
Retirado do blog Cultura e Pensamento.



Vloggers são premiados pelo YouTube

Site YouTube distribuíra 5 milhões de dólares! Basta ser um vlogger de sucesso

Faz tempo que pessoas tem ganhado dinheiro com a internet. Primeiro foram os sites que abriram espaços para pessoas venderem seus produtos, igual o Mercado Livre. Mais recente, podemos ouvir histórias de quem conseguiu um emprego em editoras e canais de televisão por serem donos de blogs de destaque, os famosos blogueiros. Agora é a vez dos vloggers, pessoas que postam seus vídeos no meio virtual. Prova disso é a quantia de 5 milhões de dólares que o YouTube dará para seus principais vloggers.

A notícia foi anunciada pelo próprio YouTube, no último dia 9. As gratificações vão variar entre centenas e dezenas de milhares de dólares, pois a quantia a ser recebida dependerá da importância do vlogger na rede. Esse dinheiro terá a finalidade de incentivar a melhoria da qualidade de produção dos vídeos postados por esses blogueiros de vídeo. O dinheiro recebido pelos vloggers poderá ser investido em contratação de atores, em locação de lugares, compra de equipamentos, entre outros.

Para receber o dinheiro, primeiro alguns vloggers serão convidados pelo YouTube a participarem de uma seleção. Os convidados deverão apresentar para o site o que pretendem fazer com o dinheiro, projetos futuros, cronogramas, entre outros.

A notícia foi dada durante a primeira conferência em larga escala do YouTube, realizada na cidade de Los Angeles e organizada pela própria comunicada da rede.



Jornalismo italiano passa por dias negros

Berlusconi ameaça a democracia ao tentar pôr em prática um plano traçado há três décadas

Na sexta-feira 11 de junho, a primeira página do diário La Repubblica, um dos dois mais importantes e de maior tiragem da Itália, só não saiu perfeitamente em branco porque no centro estampava um bilhete de esclarecimento aos leitores: “A lei-mordaça nega aos cidadãos o direito de serem informados”. Na contracapa, o diretor do jornal, Ezio Mauro, expunha o propósito de testemunhar “uma violência no circuito democrático” cometida pela força da lei.



Na tarde do dia 10, o Senado aprovara por maioria simples o projeto de lei aprontado pelo ministro da Justiça, Angelino Alfano, sobre as chamadas “interceptações telefônicas” executadas pela polícia por solicitação da magistratura, a incluir, porém, outras formas de violação da privacidade do cidadão, conforme a versão oficial. Escreve Roberto Saviano, autor do best seller global Gomorra: “A lei-mordaça não defende a privacidade do cidadão, defende é a do poder”.

Dias negros se delineiam para o jornalismo italiano, tanto para os donos de editoras quanto para os profissionais. As “interceptações” não poderão ser publicadas na versão integral, bem como a transcrição de grampos, até o início do processo. O jornal que não respeitar a proibição sofrerá multas variáveis de 30 mil a 450 mil euros (de 75 mil a 1 milhão e 125 mil reais). O jornalista expõe-se ao risco de ficar preso por um mês. Clara, entre outras, a intenção de envolver o patrão, a ponto de forçá-lo a interferir na linha do periódico, o que configura novidade absoluta no jornalismo italiano, onde a direção das redações está confiada exclusivamente aos profissionais.

Proíbe-se que a tevê focalize qualquer magistrado no interior do Palácio de Justiça e que procuradores prestem declarações, e ainda a publicação das atas da investigação em seu texto integral até o término da audiência preliminar. No caso da criminalidade organizada, as “interceptações” não poderão prolongar-se por mais de 75 dias, com a possibilidade de adiamentos de 72 horas, previamente solicitados junto à instância superior. Supõe-se que as máfias que infestam a Península estejam a celebrar, nas entranhas das tocas dos chefões e até à luz do dia.

Lugar privilegiado à mesa da festança cabe também a corruptores e corruptos que trafegam pelos corredores do poder. Se a Lei Alfano tivesse entrado em vigor tempos atrás, a conversa telefônica entre os empreiteiros chamados a participar da reconstrução de L’Aquila em escombros depois do terremoto não teria chegado ao conhecimento da plateia, entre atônita e perplexa. Os senhores da reconstrução, convocados pela Proteção (proteção?) Civil, foram grampeados enquanto regozijavam-se com a ocorrência do sismo e agradeciam a intervenção da natureza, dadivosa. Ou seria da Providência Divina?

A lei-mordaça passou no Senado por imposição da maioria direitista, chamada ao voto pelo recurso do premier Silvio Berlusconi ao pedido de confiança, em meio ao tumulto provocado pelo protesto da oposição. Ao cabo, os senadores do -Partido Democrático abandonaram o faustoso salão do palácio quinhentista ao recusar sua participação da pantomima. Mesmo assim, o caminho à frente não se apresenta tão cômodo para Berlusconi.

O primeiro problema surge dentro da própria coligação governista. O segundo apresenta as feições altivas e compostas do presidente da República, Giorgio Napolitano. E ambos, de alguma forma, se entrelaçam. O presidente da Câmara, Gianfranco Fini, cofundador do Povo da Liberdade, vislumbra a gravidade da situação e a inconstitucionalidade da lei-mordaça em muitos dos seus pontos-chave. Sim, Berlusconi clama constantemente contra uma Constituição que, diz ele, lhe ata as mãos, e até ameaça reescrevê-la, mas nada disso facilita as relações entre o premier e o presidente da República, a quem compete assinar a lei antes da promulgação. Com razão, Fini teme que Napolitano recuse a assinatura e exija alterações. É direito que a Constituição lhe confere. Que fará Berlusconi? Quem sabe se prepare a enfrentar um presidente que não é a rainha da Inglaterra.

Fini teme uma crise institucional de dimensões e efeitos imprevisíveis e já informa, do alto de um cargo que o habilita a tanto, que a votação da lei-mordaça pela Câmara, cuja aprovação permitiria o envio à mesa presidencial, tem de ser precedida pelo debate das medidas econômicas, severíssimas, previstas pelo ministro da Fazenda, Giulio Tremonti, para enfrentar a crise. Fini espera que, ao se adiar a inevitável aprovação da Câmara até fins de agosto ou começos de setembro, a tensão destes dias se abrande. Não é impossível que realize seu plano. É bastante provável, contudo, que se iluda quanto aos seus efeitos.

A ameaça à democracia italiana, de resto tão “incompleta”, como sustenta o ex-líder do PD e ex-prefeito de Roma Walter Veltroni, está muito além de clara. Berlusconi chegou a se comparar com Mussolini, que também se queixava de mandar menos que seus asseclas, mas o paralelo só vale como caricatura. O premier está mais, muito mais, para sultão de um triste sultanato, onde os interesses mafiosos e governistas se cruzam. E onde até a unidade da Itália, que este ano comemora 150 anos, é posta em xeque pela Liga Norte, da qual, de certa forma, o sultão é refém. É dela que depende sua maioria.

Mussolini falava da interferência dos seus gerarchi, os chefetes a cercá-lo. Já Berlusconi é rodeado por lacaios, a começar pelo ministro Alfano. De todo modo, nunca como agora as ligações entre criminalidade organizada e o governo foram tão explicitadas. Faz duas semanas, o procurador nacional antimáfia, Piero Grasso, ao se interrogar a respeito da onda de atentados mafiosos, iniciados com os assassínios dos juízes Giovanni Falcone e Paolo Borsellino e finalizados por diversas bombas explodidas na primeira metade de 1993 (uma delas em Florença, nas cercanias do museu Degli Uffizi, com mortos, feridos e danos ao patrimônio artístico), entendeu haver uma explicação política. Por que os atentados cessaram repentinamente? Grasso aventa uma hipótese assustadora: que se pretendesse criar um clima capaz de favorecer o nascimento de uma nova “entidade política”.

Dia 2 de junho, o ex-presidente da República Carlo Azeglio Ciampi deu seguimento a Grasso. Primeiro-ministro em 1993, em uma entrevista de grande impacto, Ciampi disse ter temido então a iminência de um golpe de Estado, sobretudo na noite da explosão de uma bomba em Roma, quando a energia elétrica da capital foi cortada por longas horas. Ciampi concorda com o procurador antimáfia: o objetivo poderia ter sido criar alguma força política disposta a manter intactas as relações entre governo e máfia. Todo um regime de recíprocos favores.

Por essa misteriosa vereda volta-se ao ano de 1981, quando a descoberta da loja maçônica Propaganda Due, mais conhecida como P2, suscitou um dos mais retumbantes escândalos políticos da história da República italiana. Loja “coberta”, ou seja, secreta, com o objetivo de subverter o modelo sociopolítico em vigor, liderada por um empresário toscano, Licio Gelli, hábil transformista durante a guerra, talhado para a adesão ao fascismo no ocaso enquanto organizava uma fuga de guerrilheiros encarcerados. Entre 1976 e 1981, a P2 teve notável desenvolvimento e chegou a fazer prosélitos na América do Sul, Brasil inclusive.

No quadro da investigação a respeito do presumido sequestro do advogado e homem de negócios siciliano Michele Sindona, os juízes instrutores autorizaram uma batida policial à casa de campo e à fábrica de Gelli. A operação descobriu a lista de cerca de mil filiados à P2, entre eles o próprio Sindona. Gelli fugiu para o Uruguai. Uma comissão parlamentar averiguou que a loja pretendia assumir as rédeas do poder conforme um “plano de renascimento” destinado a colocar nos postos de comando do Estado expoentes da P2.

Entre as figuras a serem recrutadas, constavam Giulio Andreotti, sete vezes primeiro-ministro, o mesmo que abandonou Aldo Moro ao seu destino nas mãos das Brigadas Vermelhas no momento em que aquele negociava a aliança entre democrata-cristãos e comunistas de Enrico Berlinguer, o compromesso storico. Entre as demais lideranças expressivas não somente do PDC, mas também do Partido Socialista, a começar por Bettino Craxi, que ainda seria premier, do social-democrata e do republicano. Previa-se colocar sob controle do Executivo o Conselho Superior da Magistratura, separar a carreira dos magistrados, romper a unidade sindical, abolir o monopólio da televisão estatal, a RAI. Pontos estes que integram o atual programa de Silvio Berlusconi, ex-portador da carteirinha nº 1.816 da P2. A qual chegou a contar com mais de 2 mil filiados, entre eles três ministros do governo de então, 44 parlamentares, 39 generais, 8 almirantes, 4 brigadeiros, além de empresários, banqueiros e figuras centrais da sociedade afluente e influente.

Não faltavam à lista vários jornalistas, alguns deles envolvidos na operação conduzida pela P2 para anexar ao projeto o Corriere della Sera depois de provocar a falência da família Rizzoli, dona do jornal, com a inestimável colaboração do banqueiro Roberto Calvi e do IOR, o banco do Vaticano, tido como mais seguro do que Cayman ou que a própria Suíça, à época entregue à competência do monsenhor Marcinkus, aquele corpulento prelado que acompanhou João Paulo II na sua visita ao Brasil em 1980.

Preso, Sindona foi envenenado no cárcere, enquanto o cadáver de Calvi pendia de uma corda debaixo de uma ponte de Londres, a simular um inviável suicídio. Quanto a Gelli, hoje vive em prisão domiciliar quase nonagenário, em sua bela villa toscana nas proximidades de Florença. O mistério cerca até hoje o nome do supremo sacerdote da loja. Segundo a viúva de Calvi, seria Andreotti, monumental tartufo, personagem do filme Il Divo, hoje aos 90 anos senador vitalício. Processado por conluios variados com a máfia siciliana, e o assassínio do jornalista Mino Pecorelli, nunca foi absolvido como muitos acreditam com a aprovação do seu olhar condescendente. Deu-se apenas que foi condenado por “associação de caráter mafioso”, mas a pena já estava prescrita.

Alguns dos pontos programáticos da P2 foram alcançados ainda antes de Berlusconi chegar à chefia do governo, pela primeira vez em 1994: Craxi, quando primeiro-ministro, abriu para o ex-piduista a porta da tevê privada. A tentativa de atingir outros objetivos da loja famigerada está em andamento e a Itália vive o rumo de um sultanato que envergonha um país com 3 mil anos de história. E não carece de clareza que, quando cessaram de improviso os atentados mafiosos, a nova “entidade política” irrompeu em cena: Forza Italia, o primeiro partido de Berlusconi. Aquele que atualmente tem o desplante de se apresentar como Povo da Liberdade.

Fonte:
Carta Capital



100 Dicas para melhorar sua prática no jornalismo


1. A entrevista não é uma arte nem uma ciência. Não é uma arte no sentido de que o artista nasce com um dom. Não é uma ciência no sentido de que se baseia em experiências que podem ser repetidas - no jornalismo, coisas que funcionaram na semana passada podem não dar certo hoje.

2. A entrevista é uma destreza, uma habilidade. O bom entrevistador se treina.
3. Todos nós temos uma habilidade natural para conversar, para sociabilizar. Ela é a base para fazer reportagem. Um bom entrevistador não pode ser tímido, retraído. Mas dá para aprender, dá para melhorar. Escrever e editar é só a metade do trabalho.
4. Não vá na conversa do "seja você mesmo". Entrevistar não tem nada a ver com ser você mesmo. O jornalismo, quando faz uma entrevista, tem que representar um papel - o papel do entrevistador. Tem que ser diferente a cada pessoa que entrevista ou a cada circunstância que seu trabalho determina.
5. O jeito de andar por uma sala ou escritório cria um efeito "estou aqui". Seja positivo, confiante e entusiástico. É contagioso.
6. Seja sempre profissional com o entrevistado. Não entre em intimidades. Mantenha uma ligeira formalidade.
7. Sua primeiras palavras - antes mesmo das perguntas - definem um clima. Insista no bom humor até o entrevistado entrar no seu astral.
8. Mas evite contar piadas. Você pode ter senso de humor, mas não apele.
9. Dê sempre ao entrevistado a impressão de que ele é importante, e não que está sendo usado como trampolim para você chegar a fontes mais quentes.
DOMINE SUA VOZ
10. Você aprende a fazer boas entrevistas fazendo entrevistas horríveis. Para melhorar, experimente observar seu próprio desempenho. Grave sua voz, ouça as fitas, avalie seu trabalho.
11. Também funciona gravar sua voz ao telefone e depois ouvir como ela soa.
12. Evite falar monotonamente. Varie o ritmo e o tom de suas palavras para passar uma impressão de entusiasmo e ganhar a simpatia do entrevistado.
13. Não seja uma metralhadora verbal. Quando você fala pausadamente, o entrevistado fica mais à vontade. E ele pode desacelerar também, o que facilita as anotações e deixa mais clara a gravação.
14. Evite ficar ruminando pausas verbais do tipo "hum, hum", "o senhor sabe", "entendo", que desviam a atenção do entrevistado.
CONTROLE OS NERVOS
15. Um rosto de pedra pode não ser interpretado como objetividade jornalística, mas como sinal de que você morre de tédio. Em geral, quanto mais animada sua expressão facial, mais chance você tem de conseguir boas respostas.
16. Sorria sempre que seja o caso. Dê impressão de estar se divertindo com as respostas do entrevistado.
17. Mantenha o controle emocional durante a entrevista. Não fique irrequieto, não tamborile pés e mãos, não ande desnecessariamente. Todos os seus movimentos e gestos devem ter um significado calculado.
18. Tente eliminar a barreira que o separa do entrevistado. Evite começar a entrevista com uma mesa de reunião entre vocês. Muito melhor é sentar ao lado dele num sofá.
19. Contato visual é um meio de comunicação. Use-o . Olhe o entrevistado nos olhos. Se você for tímido, fixe o olhar numa das pálpebras do entrevistado, nos seus óculos ou em outro detalhe facial.
20. Se o entrevistado não fuma, não fume, para não incomodá-lo e não despertar sua antipatia, pressa ou má vontade.
21. Lembre-se de seu objetivo durante a entrevista. Você está atrás de uma entre duas coisas - informação ou intimidade do entrevistado.
22. Tenha um comportamento profissional. Sua credibilidade depende de seu senso de organização. Se você revira os bolsos atabalhoadamente à procura da caneta ou toma notas num cupom, de estacionamento, está perdido.
23. Seja curioso sobre tudo, mostre-se interessado ao entrevistado. Não pareça distraído ou preguiçoso.
24. Por meio de sua atitude, dê ao entrevistado a sensação de que está mais empenhado em entender o que ele diz do que com suas próprias necessidade ou sua ansiedade.
PONHA A VERGONHA DE LADO, E VÁ!
25. Curve-se e rasteje, se necessário, para conseguir sua entrevista. Mostre-se disponível para qualquer hora e local, carregue a mala do sujeito se preciso.
26. Não use a palavra "entrevista". Diga que você quer informações. "Entrevista", quando solicitada ao telefone, pode até parecer pedido de emprego.
27. O fax pode ser usado com sucesso para pedir a entrevista.
28. Se você encontra muita dificuldade em chegar a um entrevistado, mande-lhe um telegrama, o que produz um efeito dramático. Esses pedacinhos de papel costumam ir para o alto da pilha de correspondência diária.
29. E-mails também funcionam.
30. Adiante-se. Nunca chegue em cima da hora. E, atrasado, jamais.
31. Tenha três ou quatro boas perguntas prontas já na hora de pedir a entrevista. Pode ser sua única chance de falar com a fonte.
TRACE UMA ESTRATÉGIA PARA AS PERGUNTAS
32. Tente controlar o fluxo da conversa. Comece agradecendo. Dê ao entrevistado algumas informações a seu respeito.
33. Sua primeira pergunta deve cativar o entrevistado. Não faça uma pergunta preguiçosa, algo que o currículo dele já contém - ou que, por alguma razão, você já deveria saber.
34. Em vez disso, deixe claro ao entrevistado que você fez a lição de casa e pergunte sobre um fato do começo da carreira dele (que você pesquisou, obviamente). Ele ficará impressionado.
35. Tenha à disposição um estoque de perguntas-padrão: gostos e preferências do entrevistado, seus maiores erros, seus maiores acertos, como ele se vê daqui a cinco anos etc.
36. É melhor escrever antecipadamente as perguntas, mesmo que você não venha a tirá-las do bolso. Cuidado: não ponha no papel as perguntas mais delicadas.
37. Use perguntas "quando" para levar o entrevistado a pensar em termos de tempo e lugar ou de eventos específicos. Perguntas "como" para levantar detalhes concretos. E perguntas "por que" para obter mais considerações abstratas.
38. Num pacote de entrevistas planejadas para uma matéria, comece pelas fontes amistosas. Com elas você recolhe informações que podem ser úteis para lidar, depois, com as fontes inamistosas.
39. Comece por baixo e vá subindo gradualmente. Não entreviste primeiro o presidente da companhia.
40. Crie no seu computador um arquivo para perguntas, que devem ser atualizadas com freqüência. Se você fez uma entrevista com um ambientalista, por exemplo, essas perguntas podem ser arquivadas em A (de ambiente). Quando esse assunto, ou um tema próximo, voltar a ser o objeto de uma entrevista, você já terá um ponto de partida arquivado.
SEJA DISSIMULADO
41. Não abra suas intenções às fontes. Basta ser genérico sobre o assunto que vai abordar. Não precisa entrar em detalhes e revelar a pauta.
42. Se não houver outro jeito, dê por escrito ao entrevistado uma visão geral, ou mesmo organizada em tópicos, da entrevista que você quer fazer. Isso preserva sua credibilidade. Mas só em casos extremos mostre as perguntas - até para manter, na hora da entrevista, a liberdade de deixar alguma de lado.
43. Não dê a um entrevistado a impressão de que você está falando de outras fontes pelas costas. Ele pode achar que também será tratado do mesmo modo.
44. Não mostre ao entrevistado as declarações que ele fez. Ao ver o que disse, ele pode querer voltar atrás ou mudar a declaração. E você fica com reputação de mole.
45. Se o entrevistado insistir, limite-se a contar-lhe genericamente os temas que vão entrar na matéria.
46. Só mostre declarações para conferir sua exatidão. Em matérias técnicas ou científicas não há problema.
47. Defina muito bem para a fonte o que é off the record. Deixe claro, antes da entrevista, que o off é apenas o compromisso de não revelar a fonte - e não o compromisso de não publicar a informação.
48. Se o entrevistado responde simplesmente com um "sem comentário", alerte-o de que isso também é um modo de comentário.
49. Com gente famosa, faça primeiro perguntas sobre coisas que a imprensa ainda não cobriu.
50. Seja polido diante de respostas chatas ou que denotam vaidade excessiva - mas, logo em seguida, faça a conversa voltar ao rumo desejado.
51. Prepare um cartão com dez itens de interesse para a matéria e use-o para desviar o rumo da entrevista quando ela está parada num assunto só.
52. Nesse mesmo caso, em vez de insistir com perguntas, tente destravar o entrevistado fazendo-o discorrer sobre tópicos: "Que tal falar da Austrália?"
53. Se o entrevistado continua travado, pergunte outra coisa e volte ao tema mais tarde. Então, refaça a pergunta com outras palavras. Em último caso, telefone depois.
54. Dê discretos sinais de aprovação ao entrevistado. Algumas vezes a fonte precisa disso - mas não se trata, é claro, de concordar com ela. Basta uma observação do tipo "Que interessante".
55. Decodifique o jargão usado pelo entrevistado. "Ajude-me a encontrar palavras que os leitores possam entender", pela a ele.
56. Observe as maneiras e tiques do entrevistado. Gestos, trejeitos, modo de falar compõem a descrição do personagem.
57. Pergunte ao entrevistado o que ele estava pensando enquanto fazia isso ou aquilo. Só assim você pode atribuir pensamentos aos personagens de sua matéria. Grandes jornalistas americanos, como Gay Talese e Tom Wolfe, usam essa técnica.
58. É enganador e antiético botar palavras na boca de um entrevistado. Você perguntou ao ator Warren Beatty: "O senhor não acha que chocolate é melhor do que baunilha?". Ele apenas balançou a cabeça afirmativamente. Isso não quer dizer que você possa escrever: "Eu acho que chocolate é melhor do que baunilha", diz Warren Beatty. Você só pode relatar que ele balançou a cabeça.
59. Diante de informações reservadas, que o entrevistado tenha soltado sem querer, disfarce sua excitação. Faça uma cara de jogador de pôquer e vá em frente.
60. Às vezes, a pressão do prazo de fechamento funciona como argumento para arrancar respostas rápidas.
61. Ainda mais quando a fonte resiste e você acrescenta o seguinte argumento: "Seu competidor está cooperando muito comigo".
62. Se a sua matéria mudar de rumo, avise as fontes que vão ficar fora dela.
TRATE PERGUNTAS DELICADAS COM DELICADEZA
63. Deixe essas perguntas do quanto possível para o fim da entrevista. E, se necessário, deixe a porta aberta para declarações em off.
64. Cuidado com perguntas delicadas. Se tiver alguma a fazer, conduza a entrevista de modo que o entrevistado entre no assunto sem ser perguntado diretamente.
65. Ou espere que o entrevistado fale algo que sirva de gancho para você fazer a pergunta sensível.
66. Uma boa saída é deixar "outra pessoa" fazer a pergunta por você: "Seu concorrente afirma que o senhor..."
67. Se faça de bobo e de ingênuo em certas perguntas. Quase sempre sai alguma coisa interessante.
68. Entreviste ex-empregados. Eles costumam ser boas fontes sobre seus antigos empregadores.
MONTE UM KIT ENTREVISTA
69. Não use fitas e gravadores baratos. Recomendo fitas Maxell ou TDK. Não recomendo o uso de fitas que tenham duração superior a 90 minutos. Rompem-se com facilidade.
70. Use gravadores pequenos, mas não os micros, que são muito frágeis. Recomendo o Sony TCM 80 V, de gravação contínua. Custa mais de 200 dólares.
71. Cuidado para não deixar a fita derreter dentro de seu carro estacionado ao sol.
72. Monte um kit de entrevista para carregar com você: gravadores e fitas extras, pilhas, fios de extensão, microfone de lapela, bloco de notas, câmaras, notebook e caneta.
73. Guarde seu material de entrevista num armário ou gaveta por segurança e agilidade. Uma valise ou maleta pode ser usada para guardar seu kit de entrevistas.
74. Deixe tudo pronto, inclusive duplicatas de segurança, para você sair correndo atrás da notícia a qualquer instante.
75. Preveja as condições em que será feita a entrevista e prepare-se. Decida se vai usar microfone embutido ou de lapela. Este é melhor para carros em movimento e nos casos em que há ruídos próximos.
76. Cuidado com entrevistas em carro em movimento, especialmente se você for o motorista. Janela aberta faz barulho. Olhe para a frente, não para o entrevistado.
77. Passe logo a fita a limpo para não perder o clima e as palavras mal pronunciadas.
78. Por precaução, copie a fita de uma entrevista muito importante antes de ouvi-la: você pode cometer algum erro e apagar um trecho.
79. Se o seu entrevistado está apreensivo com o seu gravador, você pode tranqüilizá-lo com estas garantias: "Só estou usando isto para ser 110% preciso" ou "Eu mesmo farei uma cópia da fita para seus arquivos, se desejar", ou "Eu serei a única pessoa a ouvir".
80. Anote enquanto grava. Lembre-se de que o gravador grava, mas não vê. Você anota os gestos, caras e movimentos da fonte durante a entrevista, o clima, como é o local etc. E também as informações que você irá usar na abertura da entrevista.
81. Não comece a gravar em qualquer ponto da fita. Parta do início e zere o marcador. Durante a entrevista, anote num papel o número do marcador (o "velocímetro" do gravador) referente às declarações mais quentes para sua matéria. Procurá-las à unha, depois, é muito chato. Essas anotações são também um bom roteiro.
ESTUDE O LOCAL
82. Ao planejar a entrevista, tente pensar no lugar em que ela será realizada e selecione o equipamento adequado.
83. Restaurantes, por exemplo, muitas vezes são barulhentos.
84. Vá antes, estude o ambiente, fale com o garçom.
85. Fuja do ar-condicionado por causa do barulho.
86. Fique num canto discreto, longe do movimento que desvia sua atenção e a do entrevistado.
87. Se puder, faça-o sentar-se voltado para a parede - isso fará com que ele fique concentrado em você, e não cumprimentando conhecidos que chegam.
88. Comece com petiscos para ganhar tempo. Se for possível, zele para que os pratos pedidos não atrapalhem a fala de seu entrevistado. Espaguete é um deles.
ARMADILHAS TELEFÔNICAS
89. As entrevistas feitas pessoalmente dão credibilidade a você. Mas muitas vezes os telefonemas posteriores a essa primeira conversa vão render mais.
90. Crie sua própria "caverna" para entrevistas telefônicas: um lugar confortável, sem ruídos, com bons fones de ouvido.
91. Entrevista por telefone é mais rápida do que a entrevista pessoal, é mais direta, mas você precisa ter mais perguntas à mão.
92. Se você deseja gravar a entrevista telefônica, seja ético. Pergunte ao entrevistado se ele concorda.
93. Tenha prudência ao telefone. Você também pode estar sendo gravado.
94. Ao telefone, senão puder gravar, use a máquina de escrever ou o computador.
95. Não coma ou faça outras coisas durante a entrevista telefônica. Concentre-se. Evite distrações e desvios. O tempo disponível para você se distrair é enorme: o ser humano médio tem a capacidade de compreender 600 palavras por minuto (no caso, o entrevistador), e uma pessoa só fala, em média, 160 por minuto (no caso, o entrevistado).
96. Faça o principal por telefone, mas peça ao entrevistado que indique um auxiliar para tratar de detalhes. Por exemplo, a cor local: como é o gabinete do entrevistado ou que vista ele tem de sua mesa de trabalho.
QUANDO VOCÊ SÓ DEPENDE DA MEMÓRIA
97. O que fazer quando surge uma situação em que não dá para usar gravador nem tomar notas? Trate de anotar enquanto as informações ainda estão quentes em sua memória.
98. Faça as anotações enquanto (e se) a fonte vai ao banheiro.
99. Peça licença, você, para ir ao banheiro e aproveite para rabiscar em seu bloco de notas palavras-chaves que facilitem a reconstituição da entrevista mais tarde.
100. Logo depois da entrevista, dite ao gravador tudo que está em sua memória. Não perca tempo. Faça isso, por exemplo, enquanto dirige o carro de volta à redação.

Fonte: Curso Abril de Jornalismo.



Congresso sobre Palavra e Imagem



SP sediará congresso sobre palavra e imagem

Evento internacional em Guarulhos abordará texto e imagem na mídia digital
Imagem ilustrativaSÃO PAULO (Agência Fapesp), 22 de junho – O 1º Congresso Internacional Texto-Imagem será realizado de 20 a 24 de setembro, em Guarulhos (SP).
O evento é uma iniciativa conjunta dos cursos de Letras e de História da Arte da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pretende discutir as diversas formas de diálogo entre o textual e o imagético, a fim de repensar sua tradicional complementaridade.
"Imagens no/do texto literário", "A descrição da Antiguidade ao século 21", "Ilustração e textualidade: nas fronteiras do legível e do visível", "As artes visuais como vetor da escrita literária", "Palavra e imagem na mídia digital", entre outros, são alguns temas do congresso.
O congresso será realizado no campus da Unifesp em Guarulhos, localizado na Estrada do Caminho Velho, 333 Bairro dos Pimentas. Mais informações podem ser obtidas pelo email textoimagemunifesp@uol.com.br ou pelo telefone (11) 3381-200


fonte: jornalistas da web



Use as férias para investir em você


Além do ócio, tempo livre pode ser usado para desenvolvimento geral

Veja como aproveitar as férias além do ócio
- Faça uma autoavaliação da sua vida pessoal e profissional
- Construa o cronograma de férias a partir das suas necessidades
- Invista em cursos de curta duração
- Participe de eventos relacionado à sua área de atuação
- Conheça novas pessoas e fortaleça os antigos laços de amizade
- Não se deixe seduzir pela preguiça. Procure atividades novas e diferentes
- Se viajar, explore a cultura local
- Não se esqueça do ócio, mas também não se restrinja a ele
- Faça passeios culturais e alternativos
- Leia bons livros
- Reserve um espaço a prática de ações sociais
A estudante de arquitetura Mariana Uhrigshardt Farrão, 23 anos, conta que escolheu cuidadosamente o que levará para sua viagem de férias. Teve de dividir bem o espaço, não pela grande variedade de roupas que pretende levar, mas para conseguir acomodar na mesma mala os livros e o resto da bagagem. Enquanto a maioria das pessoas prefere aproveitar as férias com uma viagem de descanso e lazer, Mariana pretende investir em sua capacitação profissional. Não terá férias dos livros e trocará a sala de aula brasileira por uma chinesa. Durante três semanas, participará de um curso de sustentabilidade na Universidade de Xangai e terá a oportunidade de conhecer a Cidade Proibida, a Muralha da China, além de participar da Expo Xangai 2010.
Embora o cronograma do mês de julho se dedicasse inicialmente à busca por uma oportunidade de estágio, Mariana decidiu se inscrever no Programa de Bolsas de Estudos do Santander Universidades TOP China. "Quando vi o anúncio pelos corredores da faculdade arrisquei me inscrever sem pensar nas possíveis consequências. Deixei para tomar as devidas decisões caso fosse aprovada", conta ela. Com o resultado da aprovação, a estudante não pensou duas vezes em alterar seus planos. "Além de conhecer a cultura asiática e fazer novos contatos, terei a chance de absorver conhecimentos que serão importantíssimos para a minha formação acadêmica e pessoal", avalia a estudante.
Se na vida pessoal Mariana cita a possibilidade de crescimento a partir do contato com o diferente e de autorreflexão, na profissional ela ressalta a análise mais intensa sobre a sustentabilidade. "O tema, hoje, está inserido em todas as áreas, inclusive na arquitetura. Com as aulas e a participação na Expo Xangai poderei, sobretudo, ficar mais por dentro das novas técnicas e tecnologias", diz a estudante, que enfatiza também a possibilidade de conhecer uma estrutura arquitetônica muito diferente da adotada no Brasil. A estudante não descarta ainda o lazer que estará embutido na experiência no exterior.
Ainda que férias como essas não sejam convencionais, Valdenir da Silva Pontes, professor de administração PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica de Campinas) ressalta a importância de se agregar valor ao período de recesso. "Neste caso, a produtividade também está relacionada à maior produção, em menor tempo e com melhor qualidade", explica ele. O recesso, na opinião dele, é tempo de recarregar as baterias, fazer um balanço pessoal, turbinar a carreira e ainda investir na saúde e até mesmo nos amigos e familiares.
Mariana Uhrigshardt Farrão decidiu transformar as férias em investimento na carreira
A produtividade do tempo livre, no entanto, está diretamente relacionada a um bom planejamento. É que afirma Maria de Fátima Guerra de Sousa, professora da Faculdade de Educação da UnB (Universidade de Brasília). Ela recomenda ainda que esse plano seja precedido de uma autorreflexão. "Aproveite o tempo livre para refletir sobre o que tem feito, bem como sobre os resultados de suas ações. A partir daí, construa seu planejamento profissional e pessoal e identifique suas reais necessidades", sugere a educadora.
Essa avaliação, de acordo com Pontes, deve incluir também os conhecimentos teóricos e práticos. Para saber se suas competências estão pertinentes à exigência do mercado de trabalho, ele recomenda a participação em processos seletivos mesmo sem a intenção de trocar de emprego. Mas para aqueles que buscam por mudanças, às férias também podem ser excelente oportunidade. "Além de maior dedicação a busca e participação de entrevistas, estudos mostram que as melhores vagas surgem em tempos de férias. Isso porque muitos candidatos viajam e se desligam do mundo, diminui as concorrências", aponta o administrador. A opção, segundo ele, deve se priorizada por aqueles que identificam alguma insatisfação profissional.
Investir no desenvolvimento profissional, seja em período de férias ou não, nunca é demais. No entanto, para Pontes, passa a ser essencial aos profissionais que estão a mais de seis meses sem participar de um evento em sua área e sem realizar um curso complementar. "Em período de recesso, a falta de tempo é um problema que deixa de existir", destaca ele. De um lado, os cursos capazes de incrementar a capacitação técnica e a reciclagem dos conhecimentos. Do outro, os eventos que ampliam a rede de contatos. "Férias também é tempo de conhecer novas pessoas e rever os antigos amigos. Contatos que são importantíssimos para seu desenvolvimento profissional", acrescenta ele.
Para Anna Quialheiro, coordenadora de gestão de relacionamentos acadêmicos da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), as melhores soluções nessa direção estão dentro da própria universidade. "Em geral, há ofertas de cursos de férias nas mais variadas áreas e a preços acessíveis. Algumas oferecem até opções de intercâmbio", cita ela, que orienta os estudantes maior atenção ao cronograma de atividades de suas instituições de Ensino Superior, bem como daquelas que estão a seu redor.
Pontes sugere ainda que os estudantes confiram também a programação do Sistema S - Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), Senai (; Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e Sebrae (Agência de Apoio ao Empreendedor e Pequeno Empresário) - das associações comerciais, das entidades classistas, de editoras e até mesmo das prefeituras municipais e dos governos estaduais. O segredo, segundo ele, está em não se desligar por completo de sua carreira em épocas de férias. "Fique atento ao que acontece ao seu redor", diz o professor da PUC-Campinas. "Os brasileiros, geralmente, só se preocupam com a profissão quando de fato são cobrados. Adote uma atitude mais preventiva para cuidar de sua carreira, mesmo que para isso seja necessário sacrificar uma parte das férias", defende ele.
Ócio também é produtivo
As férias, no entanto, não devem ser dedicadas exclusivamente ao estudo. Segundo Maria de Fátima, o lazer também pode ser bastante produtivo. "Muitos acreditam que trabalho e lazer são atividades opostas: uma produtiva e a outra inútil", explica a professora da UnB. A educadora garante que o sentimento de liberdade propicia grandes inspirações. "Isso porque produtividade também está diretamente ligada à qualidade de vida", completa. Pontes partilha da mesma opinião de Maria de Fátima e ressalta o ócio como caminho para a recarga das energias e forças. "Fundamental para suportar a pressão do próximo semestre", resume ele.
Ainda sim, não é recomendado gastar todo o tempo dormindo. "Isso limita os aprendizados. O ideal é investir em novas experiências", sugere Pontes. Caso a opção seja viajar - independente do lugar -, Maria de Fátima sugere que o estudante busque identificar e explorar a cultura do local. O turismo pode ainda ter um viés acadêmico. "Identifique as atividades - cursos e eventos - que acontecem na cidade e qual delas pode agregar valor a sua carreira. Paralelamente a isso, visite museus e exposições", aconselha Pontes. "Você tem direito ao ócio, mas não se despreocupe da formação profissional", completa ele.
Se a falta de dinheiro inviabiliza a realização de uma viagem, a professora da UnB recomenda a exploração dos parques públicos e a programação de visitas em lugares culturais desconhecidos. "Nem todos os cariocas conhecem o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor", exemplifica Maria de Fátima. Ela ainda aponta os espetáculos musicais, teatrais e o cinema como opção. "Nessas épocas, muitas prefeituras promovem eventos gratuitos", garante a educadora.
Sem a obrigatoriedade dos estudos acadêmicos, é possível ainda ler bons livros. Sair da leitura acadêmica e conhecer os clássicos da literatura nacional e internacional. É o que Maria de Fátima aconselha. "Sentir a emoção da leitura não obrigatória. Ler pela descoberta de um novo horizonte e simplesmente pelo prazer", afirma. Outra alternativa que agrega valor às férias, segundo Anna, é a prática de atividades sociais. "Além de ajudar o próximo, a partir do voluntariado, a ação propicia o desenvolvimento pessoal e, consequentemente, agrega valor ao currículo", diz ela.

Por Larissa Leiros Baroni

Fonte



Email-resposta de Cristiano Pavini sobre o indeferimento do recurso solicitado ao Intercom

Prezada Nélia Del Bianco e demais membros da comissão organizadora do Intercom,


como aluno-líder da Agência Júnior de Jornalismo da Unesp (Jornal Junior) no Expocom Sudeste 2010, respeito e acato a decisão soberana da Executiva ao indefirir nosso recurso para revisão do resultado concebido na categoria Jornalismo, modalidade Agência Júnior. Não posso, no entanto, calar-me perante alguns pontos.

Em nenhum momento questiono a liberdade da crença religiosa em nosso país. Assim, não faço objeção alguma à solicitação dos estudantes adventistas para que fosse antecipada a apresentação de seus trabalhos. Deve-se levar em consideração que, na categoria Jornalismo, a data inicial para apresentações (sexta-feira) foi modificada faltando um dia para o evento, passando para o sábado. Desta forma, a Universidade Adventista de São Paulo foi pega de surpresa e diretamente prejudicada pela comissão organizadora.

Minha indignação é pelo fato de não ter sido consultado (assim como não foi o aluno líder da Newton Paiva, Jefferson Delbem, que também concorria na mesma categoria) sobre a antecipação da apresentação dos adventistas. Se assim fosse, poderíamos ter apresentados todos na sexta-feira para a mesma bancada de júris. Isso evitaria meu constrangimento e surpresa ao deparar-me com o resultado final da categoria, revelando um vencedor que todos davam como desclassificado.

Pouparei o precioso tempo dos senhores e não explicarei novamente como os júris foram diferente para as apresentações. Já argumentamos isto anteriormente. Permitam-me, no entanto, criticá-los pelo pensamento meramente técnico e talvez ingênio, perfeitamente expresso no ítem e) da resposta ao nosso recurso:

" A questão de manter a mesma banca avaliando os trabalhos em bloco é uma recomendação informal da Intercom para a organização local. No entanto não é uma regra expressa no regulamento do Expocom."

O Expocom agrega um saudável sentimento de disputa entre as universidade, estimulando a produção não apenas quantitativa, mas principalmente qualitativa. Mas esta competição deve conter regras claras e sensatas, além do mínimo de organização. Fatores imprescindíveis que não estiveram presentes, ao menos na categoria em que disputei. Percebo, no entanto, que estas falhas são balizadas pela Executiva Nacional.

Surpreende-me o regulamento do Expocom não exigir banca idêntica para trabalhos da mesma categoria. É óbvio que cada jurado faz uma avaliação subjetiva, seja em concurso acadêmico ou desfile de escolas de samba. Devo alertá-los, portanto, de que a diretriz por vocês seguida (de que o simples conhecimento técnico valida a avaliação por jurados diferentes) está profundamente equivocada. Este não é o pensamento de alguém com extensa e respeitável plataforma lattes, mas sim de meros universitários que sentem na pele a injustiça de não haver isonomia direta na avaliação dos trabalhos.

Viajei mais de mil quilômetros de Bauru à Vitória, com considerável gasto financeiro, com o intuito de participar de uma saudável competição. Infelizmente isto não ocorreu. De fato a Jornal Júnior obteve nota inferior no juri virtual, mas nada impedia que revertessemos na apresentação presencial. Ou que, ao menos, conhecessemos o trabalho de nossos colegas, talvez reconhecendo a superioridade deles e, principalmente, ocorrendo a troca de aprendizado. Tudo isto foi tirado de nós.

A Jornal Júnior não solicitou a desclassificação da Universidade Adventista, apenas nossa participação na disputa nacional. Acreditávamos ser um simples pedido que corrigiria uma falha da organização local. Lamento o Expocom não pensar assim, principalmente ao não enxergar o problema dos júris.
Peço apenas que revejam suas diretrizes para os próximos anos. O Expocom é uma excelente iniciativa, desde que proporcione uma correta competição. Espero que outros estudantes não fiquem, assim como eu, com o sentimento engasgado na garganta de que foi derrotado por um adversário inexistente

Por fim, agradeço pela atenção dada ao nosso recurso. Tenho convicção de que foi democraticamente analisado por todos vocês, embora a decisão tomada não tenha sido a esperada. Esta inevitável mágoa e minha aversão à hipocrisia impede-me de finalizar o email com os tradicionais votos de estima e consideração, mas tenho esperança de que haverá esforço para que casos como este não mais ocorram.

atenciosamente e cordialmente,
Cristiano Pátaro Pavini

Aluno-líder da Jornal Júnior no Expocom Sudeste 2010



Resposta sobe a revisão do resultado final do Expocom

São Paulo, 25 de junho de 2010.

Aos professores

Dalva Aleixo Dias

Jean Cristtus Portela


Assunto: revisão do resultado final do Premio Expocom Sudeste nas modalidades Agência Júnior de Jornalismo e Agência Júnior de Relações Públicas

Caros professores,

Em carta enviada a Intercom, os senhores solicitam revisão dos resultados do Expocom Sudeste de 2010 em duas modalidades: Agência Júnior de Jornalismo e Agência Júnior de Relações Públicas. Argumentam que a avaliação dos trabalhos se deu de maneira atípica durante a realização do júri presencial.

Para responder ao recurso, consultei a organização do Congresso Intercom Sudeste, a coordenação do Expocom Sudeste, avaliei as notas emitidas pelo júri virtual naquela fase, além de ter buscado nos registros históricos do premio situações similares que pudessem balizar uma decisão.

Apos consultas tenho os seguintes esclarecimentos fazer:

a. Nosso País reconhece amplamente a liberdade de crença religiosa, conforme amparo em nossa Constituição Federal, art. 5º, incisos VI, VII, VIII, LXIX; art. 23, inciso V; art. 206, inciso I; art. 208, inciso V; combinados com as Leis nº 1533/51 e nº 4348/64. A Lei Federal nº 9455/97 (que prevê inclusive pena para aqueles que usarem de coerção à liberdade de expressão religiosa contra algum cidadão brasileiro), bem como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, no seu 18º artigo; e a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (ambas integrantes da Legislação Brasileira, consoante Decreto nº 678/92, e CF, art. 5º, § 2º), no seu artigo 12º, também garantem ampla liberdade de expressão e fé religiosa a todo cidadão brasileiro. Há, ainda, a recente aprovação pela CCJ da Câmara dos Deputados do Projeto de Lei 2.171/03, que regulamentará o direito dos alunos adventistas em nível nacional. Alguns Estados já criaram instrumentos legais de proteção àqueles que separam o dia de sábado para adoração a Deus. Entre eles, o Espírito Santo. O organizador do Intercom Sudeste, professor Fábio Malini agiu corretamente ao atender ao pedido dos Adventistas para defender o projeto em dia permitido pela sua religião. E caso não o fizesse estaria infringindo lei local e penalizando a Universidade Federal do Espírito Santo.

b. A Intercom acredita na declaração de boa fé das pessoas. Se o líder do grupo informou que era Adventista não havia justificativa para se fazer uma investigação com o objetivo de confirmar ou não sua declaração.

c. Com a mudança de data de defesa dos projetos de sexta para sábado, decorrente de problemas de disponibilidade de salas, a coordenação local recebeu pedidos de 4 alunos da Universidade Adventista de São Paulo, cada um tinha trabalho a apresentar em modalidades diferentes, com juris diferentes. Ficou impossível chamar o juri que iria atuar no sábado por questão de disponibilidade dos mesmos. A solução foi criar o "juri emergencial" para atender a demanda e se respeitar a lei. Como se tratava de um caso omisso no regulamento do Expocom, o coordenador do Congresso, Fábio Malini procurou agir dentro das limitações da organização local.

d. Na antecipação da banca, o professor Malini teve de contar com os professores especialistas nas modalidades que estavam disponíveis para aquela tarefa no dia e horário agendados. Como os membros do júri também participam do Congresso, seja apresentando trabalho ou na coordenação de mesa, é evidente que poderia ocorrer situações como a registrada: o mesmo grupo não se repetir.

e. A questão de manter a mesma banca avaliando os trabalhos em bloco é uma recomendação informal da Intercom para a organização local. No entanto não é uma regra expressa no regulamento do Expocom.

f. A avaliação dos trabalhos se faz numa combinação de notas atribuída pelo júri virtual e pelo presencial. É importante esclarecer que o júri presencial, no ato da avaliação, não conhece as notas do júri virtual, exatamente para evitar formação previa de juízo sobre o trabalho a ser apresentado.

g. O procedimento de aplicação de notas na fase presencial é individual. Cada membro do júri aponta sua nota num formulário fornecido pela Intercom que, posteriormente, é somada e dividida pelo número de participantes e entregues a coordenação local. Cabe a coordenação local fazer o somatório de notas e anunciar o vencedor.

h. Nos dois casos citados, a nota do Júri Virtual dos vencedores foi superior aos dos trabalhos apresentados pela UNESP de Bauru: Jornal Júnior obteve nota 8,4, e o ABJ nota 9,2.; RPjr nota 9,2 e AGERP1 recebeu nota 9,32 . O júri presencial acabou por confirmar a avaliação do virtual: Jornal Júnior obteve nota 8,5, e o ABJ nota 8,7; RPjr nota 9,0 e AGERP1 recebeu nota 9,3. A diferença de notas finais entre os trabalhos, em termos de nota é relativamente pequena: Jornal Júnior nota final 8.45 e o ABJ nota 8,95; RPjr nota 9,1 e AGERP1 nota 9,31.

i. A Intercom não faz divulgação de notas porque entende que os trabalhos são avaliados de forma global, pelo conjunto de critérios que constam do artigo 16 do regulamento do Expocom.

j. Os juris virtual e presencial são formados por professores experientes na área que se pautam por critérios claros de julgamento estabelecido no regulamento do premio. Por essa razão, conforme prevê os artigos 17 e 23 do regulamento da Expocom, o juri é soberano e suas decisões são irrecorríveis. Entende-se também que ao participar do Expocom, os alunos líderes conhecem e concordaram com as regras estabelecidas pelo Premio.

Como ultimo esclarecimento, a Intercom tem se esforçado para organizar melhor os Congressos Regionais, criados há menos de cinco anos e, ainda, em fase de estruturação. Para sua realização conta com Escolas e Universidades parceiras que se desdobram para atender a demanda crescente de participantes. Em cada localidade há especificidades de estrutura sobre as quais a Intercom procura não interferir, apenas orienta sobre necessidades básicas. A considerar a diversidade de condições de funcionamento das Universidades Brasileiras, a depender da região, problemas de organização sempre existirão. Os organizadores locais, no entanto, procuram usar do bom senso para resolve-los.

Agradeço pela crítica ao processo de avaliação. Irei considera-las na organização dos Congressos de 2011 no sentido de aperfeiçoar cada vez mais o juri local.

Espero contar com o incentivo de vocês para que alunos da Unesp Bauru participem das próximas edições do Premio Expocom.

Atenciosamente,
Nelia Del Bianco

Vice-presidente da Intercom