A honra de ouví-los um pouco mais


Depois de extasiantes palestras os maiores nomes do congresso ainda davam coletivas à imprensa

Por Laura Luz e Regiane Folter

Mesmo com a oportunidade de facilmente sanar dúvidas nas palestras do 3º Congresso de Jornalismo Cultural através de papeizinhos que vinham anexados na programação, os jornalistas tinham a honra de contar com uma grade especial de coletivas com os mais importantes nomes de palestrantes desse ano no congresso.

Os escolhidos foram nomes como o cineasta alemão Werner Herzog, o escritor cubano Pedro Juan Gutierrez, a ensaísta e escritora norte-americana Camille Paglia, o historiador e escritor francês Roger Chartier e o jornalista estadunidense Jon Lee Anderson.

Nas coletivas os jornalistas inscritos previamente podiam perguntar na língua original do entrevistado ou em português auxiliados pela tradução simultânea. O horário das coletivas não coincidia com os das palestras mais muitas vezes se prolongava até o início de algumas delas.

Na coletiva de Werner Herzog, o cineasta foi indagado sobre assuntos variados, que muitas vezes não correspondiam ao seu trabalho como cineasta. Foi o caso em que perguntaram sobre a sua opinião sobre a atitude do presidente Obama em relação a morte de Osama Bin Laden.

Depois, Herzog respondeu sobre a tecnologia no cinema e comentou sobre sua indiferença quanto a ela; “Tecnologia não afeta minha forma de trabalho”. Além disso, voltando sobre o assunto Estados Unidos, o cineasta falou sobre a relação dos americanos com o resto do mundo do cinema.




 Grande cineasta atendeu humildemente os  jornalistas

Pedro Juan Gutierrez falou em sua coletiva de assuntos pontuais, como sobre a sua forma de escrita. Ele revelou escrever seus livros por um longo tempo e por ser tão perfeccionista não vê com bons olhos o trabalho do editor; “Mesmo que pareça mentira, eu nunca escrevi por dinheiro”.

Revelou querer escrever de lugares como México e Brasil e ser bastante descritivo no que gosta nos países. Falou sobre sua disciplina de trabalho, agora menos obedecida e sobre uma vida sofrida pela qual passara; “Ou me matava ou escrevia”.

 “Queria matar esse personagem Pedro Juan e não consigo”,
 conta o escritor sobre seu próprio estereótipo


A coletiva de Camille Paglia foi permeada por perguntas de cunho pessoal, afinal a escritora era uma das figuras mais polêmicas do Congresso. Lésbica declarada, defensora do feminismo e estudiosa do sexo responde a cada pergunta com uma longa e empolgada resposta.

Falou sobre a reação de seus pais diante da descoberta de sua opção sexual, sobre sua relação com a TV e com muita empolgação falou da sua relação de paixão com o Brasil, estendida a cantora Daniela Mercury a quem admira imensamente. Além disso, comentou também sua relação pouco íntima com a internet; “Eu não tenho facebook, Twitter, não leio blog, mas adoro explorar a internet”; e seu saudosismo pela revista Time e seu gosto pelo jornal impresso. Professora na faculdade de artes na Philadelphia mostrou preocupação quanto a consciência crítica dos seus jovens alunos; “se você não lê crítica, você não cria consciência crítica, não há debate!”.



 The brain is changing! Camille comenta as mudanças
 no estímulo das pessoas

Jon Lee Anderson falou em sua coletiva sobre suas viagens que renderam reportagens com histórias humanas, cujo objetivo é despertar no leitor alguma dúvida ou ideia. O jornalista, que apoia a revista Etiqueta Negra, comentou sobre a imprensa na América Latina e criticou a falta de contexto histórico nas matérias: “Ninguém aqui pode me explicar o que está acontecendo no Sudão, sua história, a origem de seus conflitos”.

A importância de seduzir o leitor é a meta do jornalista ao ver de Jon, que vê as novas tecnologias como possibilidade de criação de novos formatos criativos. Ele também compartilhou suas opiniões políticas sobre diversos países, como China e Oriente Médio

As coletivas de sexta feira encontraram alguns problemas, a primeira com Roger Chartier na parte da manhã foi cancelada e a de Jon Lee Anderson foi adiada e coincidiu com o debate Cultura e Economia: O fomento da arte e da cultura frente aos desafios contemporâneos. Apesar do pouco tempo destinado às perguntas, as coletivas foram boas oportunidades de conhecer um pouco mais a fundo o trabalho e a vida dos convidados.

Fotos: Laura Luz



Você no Congresso de Jornalismo Cultural




Fábio Marra ministra palestra na Unesp de Bauru

Confira aqui o perfil do palestrante

Por Lucas Esteves

Formado em Publicidade e Propaganda pela ECA-USP, Fabio Marra atua na área do jornalismo há mais de 20 anos. Já trabalhava com jornalismo visual na Folha de S. Paulo desde 1990 quando, em 2006, assumiu o cargo de Editor de Artes do jornal. Já ministrou palestras em várias universidades, explorando a importância da transmissão de informações através de imagens, infográficos, etc.

Fábio Marra já fez especializações nas áreas de infografias e layout de páginas em cursos do Poynter Institute e da Society for News Design (SND), nos Estados Unidos, e na Universidad Pompeu Fabra, na Espanha.

Seu nome aparece na lista de trabalhos premiados da SND, que seleciona os melhores desenhos de páginas de jornais em todo o mundo. Também ganhou o Malofiej, prêmio espanhol para infografia.

A palestra de Fábio Marra, que acontece nesta quarta-feira (25) na Unesp de Bauru, terá o tema “Arte, design e planejamento gráfico no jornalismo”. O evento acontece na Sala 1, às 16h30.



Vida Própria

Após ser preterida na Virada Paulista, Bauru faz seu próprio movimento cultural

Por Luís Morais



Sábado de clássicos como “Mama África” e “Respeitem Meus Cabelos Brancos” (Foto: Jéssica Mobílio)

A Revirada Cultural mostrou que Bauru consegue sobreviver sozinha. Pelo menos culturalmente. E o ápice musical desse sábado foi, sem dúvidas, Chico César. A junção do forró de raiz paraibano, somado a riffs e solos do rock, forma um som dançante e interessante, além da influência direta (e citada) do manguetown de Chico Science e do reggae de Jimmy Cliff. A “multimusicalidade” tomou forma.
“Praticar cultura. É o que a gente precisa fazer.”
(Foto: Lígia Ferreira)

Apesar de toda essa mistura, Chico César aposta e investe no som regional. O secretário da cultura da Paraíba, aliás, demonstra preocupação com os artistas locais, não só de Bauru, como de todo país: “Vamos investir com o que tem a ver com esse lugar. A coisa mais difícil é se reconhecer. O Brasil é multi-cultural. É fácil receber Sting, Paul McCartney... mas existe algo que é essencial nessa região agora. Isso é um desafio.”

A organização da Revirada trouxe somente Chico César de fora da região, e o evento parabenizado pelo artista. “Uma vida cultural que não está atrelada a nada. Bauru e região conseguiram fazer uma coisa bonita”, afirma. É bom lembrar que a cidade bauruense foi preterida de última hora pelo governo de São Paulo para ser uma das sedes da Virada Cultural Paulista: aproveitou a infra-estrutura que já tinha pronta e fez o seu próprio show.

Show com clássicos como “Mama África” e “Respeitem Meus Cabelos Brancos”, além da bela canção “Pensar em Você” trouxeram ao público bauruense um momento musical especial, de pura cultura. É a cartilha seguida por Chico César: “Praticar cultura. É o que a gente precisa fazer.” No sábado, isso foi feito.



Banda bauruense agita o segundo dia da Revirada Cultural

Repertório a base de rock’n roll fez do grupo L’s uma das atrações mais esperadas

Por Mariana Duré

Já passava das duas da tarde quando a banda L’s subiu ao palco. O sol espantava todo o frio da noite anterior e fazia com que as pessoas se amontoassem debaixo das árvores do Parque Vitória Régia. O céu azul, com esparsas manchas esbranquiçadas, tornava a espera prazerosa.  

A Vocalista Louise Leme


O show trouxe clássicos do rock’n roll do começo ao fim revividos pela voz marcante da vocalista Louise Leme, que entre saltos e palmas animava o crescente público que se espalhava pela grama. Mesmo quando uma das cordas do baixo estourou e os outros integrantes do grupo foram prestar auxílio, Louise não parou de cantar, engatando uma capela de Janis Joplin.
 
Segundo a vocalista, a cena musical de Bauru está começando a se desenvolver e a dar espaço para as bandas independentes. A L’s se apresenta regularmente no Armazém, Luna Bar e On the Road, além de participar com frequência de eventos organizados pela prefeitura. “A gente percebe o esforço da Secretaria da Cultura, e isso é muito bom, porque aqui em Bauru existem várias bandas com qualidade musical que podem dar um passo à frente”, afirma Louise.

Cerca de 40 minutos após o início do show, tendo tocado além de clássicos internacionais, canções de autoria própria – que futuramente integrarão o primeiro CD da banda –, a L’s finaliza sua passagem pela Revirada Cultural com a música Welcome to the Jungle, do Guns’n Roses.

Público animado ao som da banda L’s


Vanessa dos Santos Melo, que acompanhou de perto toda a apresentação do grupo, afirma ter ido ao festival só para prestigiá-los. “Para mim, a banda L’s é a melhor atração da Revirada Cultural”, confirma.