Por Jaderson Souza e Juliana Santos, repórteres Jornal Júnior
O longa-metragem “À meia-noite levarei sua alma” (1964), de José Mojica Marins, mais conhecido como o personagem “Zé do Caixão”, foi o destaque desta quarta-feira (29), terceiro dia da SEDA. A mostra “O cinema do possível”, na qual foi exibido o filme, também contou com a exposição de curtas-metragens.
A história do filme gira em torno do agente funerário “Zé”, que pratica uma série de assassinatos. O personagem é caracterizado como descrente de tudo, obssessivo e temido por todos.
O cineasta é conceituado no meio como pioneiro no cinema nacional e internacional, no gênero terror. Nas suas produções, Mojica conseguia obter efeitos visuais com pouquissímos recursos tecnológicos. Além disso, também se notabilizou por trazer ao cinema temas considerados tabus para a época, como o ateísmo, a morte e o sexo.
Lucas, integrante do Enxame Coletivo, que estava assistindo pela primeira vez a um filme de Mojica, o considerou bem montado para época: “Eu fiquei surpreso. As cenas, o desespero e o terror que ele passa é bem legal.”
Vinicius, organizador da Mostra, e assumidamente fã de “Zé do Caixão” destacou a importância do cineasta, e explicou a escolha o filme: “Este foi o primeiro longa de Mojica que foi para o cinema (...) Ele é um nome do cinema nacional que devia receber um pouco mais de crédito, falta o pessoal conhecer mais o trabalho dele que é genial. Os filmes dele não deixam nada a desejar aos filmes estrangeiros de terror da época, como “Drácula”, “A noiva de Frankenstein”, e os filmes de Ed Wood”.
e-colab
O terror de “Zé do Caixão”
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Jornal Júnior
30 de setembro de 2010
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Herói intergaláctico no mundo real
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Por Lydia Rodrigues, repórter Jornal Júnior
Nesta terça, dia 28, o projeto audiovisual SEDA expôs o mundo perturbante de um jovem durante a ditadura militar, com o longa Meteorango Kid- Um Herói Intergaláctico. O filme data de 1969, período de intensa repressão no Brasil.
O início do longa metragem apresenta o protagonista Lula vestido de Jesus Cristo , encenando um martírio numa cruz de gesso. Em seguida, é exibida uma mensagem do diretor, André Luiz de Oliveira, que reflete a postura desiludida do personagem: “Aliás... este filme é dedicado ao meu cabelo”. Ao dizer tal coisa, o diretor parece querer reforçar a atmosfera de descrença na sociedade, banalizando a própria produção. Desse modo, André Luiz, transmite a sensação de que não há público capaz de compreender o filme.
Pode-se até fazer uma associação entre esta fala e o áudio de Caetano Veloso no fundo de determinada cena. Nele, o tropicalista brada contra a multidão de jovens no período ditatorial: “Vocês não estão entendendo nada!" A incompreensão é um dos temas retratado em Meteorango Kid, prevalecendo um clima de ironia e delírio característico do filme.
O trabalho que integra o acervo Cineclube Aldire Pereira Guedes possui trilha sonora diferenciada. Composta por músicas de Caetano Veloso mescladas com ruídos indecifráveis e transmissões radiofônicas, expressa o conflito que existe tanto no mundo externo, como no interior do personagem. Por meio de sons inusitados e imagens em preto e branco, viajamos durante 82 minutos entre as galáxias dos sentimentos e aflições humanos.
Maíra Ferraz, estudante de Radio-TV que estava presente durante a mostra, diz ter gostado do filme e não ter visto outros parecidos sobre o contexto da ditadura militar, considerando-o diferente dos padrões tradicionais.
e-Colab
Nesta terça, dia 28, o projeto audiovisual SEDA expôs o mundo perturbante de um jovem durante a ditadura militar, com o longa Meteorango Kid- Um Herói Intergaláctico. O filme data de 1969, período de intensa repressão no Brasil.
O início do longa metragem apresenta o protagonista Lula vestido de Jesus Cristo , encenando um martírio numa cruz de gesso. Em seguida, é exibida uma mensagem do diretor, André Luiz de Oliveira, que reflete a postura desiludida do personagem: “Aliás... este filme é dedicado ao meu cabelo”. Ao dizer tal coisa, o diretor parece querer reforçar a atmosfera de descrença na sociedade, banalizando a própria produção. Desse modo, André Luiz, transmite a sensação de que não há público capaz de compreender o filme.
Pode-se até fazer uma associação entre esta fala e o áudio de Caetano Veloso no fundo de determinada cena. Nele, o tropicalista brada contra a multidão de jovens no período ditatorial: “Vocês não estão entendendo nada!" A incompreensão é um dos temas retratado em Meteorango Kid, prevalecendo um clima de ironia e delírio característico do filme.
O trabalho que integra o acervo Cineclube Aldire Pereira Guedes possui trilha sonora diferenciada. Composta por músicas de Caetano Veloso mescladas com ruídos indecifráveis e transmissões radiofônicas, expressa o conflito que existe tanto no mundo externo, como no interior do personagem. Por meio de sons inusitados e imagens em preto e branco, viajamos durante 82 minutos entre as galáxias dos sentimentos e aflições humanos.
Maíra Ferraz, estudante de Radio-TV que estava presente durante a mostra, diz ter gostado do filme e não ter visto outros parecidos sobre o contexto da ditadura militar, considerando-o diferente dos padrões tradicionais.
e-Colab
O Brasil como exemplo em "RIP: A remix manifesto"
por
Jornal Júnior
28 de setembro de 2010
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Festival SEDA,
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mashup,
mixagem
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Por Lígia Ferreira, repóter Jornal Júnior
“Hoje faremos um remix, um jeito divertido e ousado de fazer algo novo a partir de algo velho”, é assim que o documentário, “Rip! A Remix Manifesto” inicia o seu discurso. Como brasileira, a parte que considerei de maior destaque é a que mostra o Brasil como sendo o pioneiro na luta pelo compartilhamento de ideias. “Remixar a arte, a ciência e o conhecimento da cultura mundial é uma característica dos brasileiros, que virou política governamental”.
Gilberto Gil, cantor e compositor da música popular brasileira e ex-ministro da cultura, é um dos exemplos citados. Ele dedicou a sua vida a criar uma sociedade baseada no compartilhamento. “O compartilhamento é a própria natureza da criação. Não há criação isolada, ninguém é um criador sozinho, ninguém criada nada do vácuo, tudo vem de alguma coisa que já foi criada antes”.
O funk carioca, também ganhou destaque. É visto como uma nova forma de arte sendo criada na base da linguagem universal da remixagem. “O que é a novidade? É exatamente você misturar as coisas que já foram feitas. Isso é o futuro da música e da raça humana”, disse o DJ Marlboro, um dos dj’s de remixagem mais reconhecidos e valorizados no Brasil.
E não é só na música que o país é tido como exemplo, mas também na medicina. O Brasil é visto como o pais que desafiou as leis americanas de propriedade intelectual aos desrespeitar patentes internacionais de remédios, para produzir cópias deles por preços menores; os tão populares genéricos. “A missão era garantir acesso livre e universal a todos os cidadãos. A indústria farmacêutica viu isso como um ato de guerra; o Brasil via como um ato de vida”.
O Brasil, mesmo sendo um país que ainda luta para superar o legado de violência, corrupção e desigualdade, é considerado um país que possui acesso universal ao conhecimento e à liberdade de criação. “Pra quem faz mixagem, o Brasil nos levará à era digital”.
O documentário ainda finaliza dizendo “O que a humanidade alcançaria se todos agissem como o Brasil? Que doenças poderiam ser curadas? Que vozes poderiam ser ouvidas? Que canções poderiam ser cantadas?”
É gratificante ver o seu país sendo exemplo de algo que traz o bem estar das pessoas, e é mais gratificante ainda ver que alguém reconhece esse pioneirismo. O Brasil está à frente de muitos países que se dizem lutar pela liberdade, mesmo em um mundo onde para criar é preciso implorar pela permissão dos poderosos que detém as ideias.
“Hoje faremos um remix, um jeito divertido e ousado de fazer algo novo a partir de algo velho”, é assim que o documentário, “Rip! A Remix Manifesto” inicia o seu discurso. Como brasileira, a parte que considerei de maior destaque é a que mostra o Brasil como sendo o pioneiro na luta pelo compartilhamento de ideias. “Remixar a arte, a ciência e o conhecimento da cultura mundial é uma característica dos brasileiros, que virou política governamental”.
Gilberto Gil, cantor e compositor da música popular brasileira e ex-ministro da cultura, é um dos exemplos citados. Ele dedicou a sua vida a criar uma sociedade baseada no compartilhamento. “O compartilhamento é a própria natureza da criação. Não há criação isolada, ninguém é um criador sozinho, ninguém criada nada do vácuo, tudo vem de alguma coisa que já foi criada antes”.
O funk carioca, também ganhou destaque. É visto como uma nova forma de arte sendo criada na base da linguagem universal da remixagem. “O que é a novidade? É exatamente você misturar as coisas que já foram feitas. Isso é o futuro da música e da raça humana”, disse o DJ Marlboro, um dos dj’s de remixagem mais reconhecidos e valorizados no Brasil.
E não é só na música que o país é tido como exemplo, mas também na medicina. O Brasil é visto como o pais que desafiou as leis americanas de propriedade intelectual aos desrespeitar patentes internacionais de remédios, para produzir cópias deles por preços menores; os tão populares genéricos. “A missão era garantir acesso livre e universal a todos os cidadãos. A indústria farmacêutica viu isso como um ato de guerra; o Brasil via como um ato de vida”.
O Brasil, mesmo sendo um país que ainda luta para superar o legado de violência, corrupção e desigualdade, é considerado um país que possui acesso universal ao conhecimento e à liberdade de criação. “Pra quem faz mixagem, o Brasil nos levará à era digital”.
O documentário ainda finaliza dizendo “O que a humanidade alcançaria se todos agissem como o Brasil? Que doenças poderiam ser curadas? Que vozes poderiam ser ouvidas? Que canções poderiam ser cantadas?”
É gratificante ver o seu país sendo exemplo de algo que traz o bem estar das pessoas, e é mais gratificante ainda ver que alguém reconhece esse pioneirismo. O Brasil está à frente de muitos países que se dizem lutar pela liberdade, mesmo em um mundo onde para criar é preciso implorar pela permissão dos poderosos que detém as ideias.
Nada se cria, tudo se transforma
Por Regiane Folter, repórter Jornal Júnior
A SEDA trouxe sua primeira mostra ontem, dia 27, com o documentário RIP! A Remix Manifesto, dirigido pelo cyberativista Brett Gaylor. O filme trata da polêmica dos direitos autorais em relação ao compartilhamento de arquivos pela internet e à remixagem de materiais pré-existentes.
Durante os 86 minutos de exibição, o filme exemplifica o dilema com fatos do dia-a-dia (afinal, quem nunca baixou uma música pela internet?) e com depoimentos de pessoas ligadas ao assunto, como o produtor Gregg Willis, conhecido como "Girl Talk" por suas remixagens musicais, e o cantor e na época Ministro da Cultura do Brasil, Gilberto Gil, entre outros.
Seria a reprodução de músicas de outros artistas um crime? A colagem de músicas e imagens, para criar algo totalmente novo, poderia ser considerada ilegal? Gaylor explora essas perguntas, argumentando que os direitos autorais perderam há muito o caráter de incentivo à criação, e agora servem como mecanismo de geração de lucro às grandes gravadoras.
Segundo ele, a internet seria o "campo de batalha" entre os detentores dos direitos autorais e as pessoas que, através da rede, adquirem materiais considerados ilegais (músicas, filmes, etc) e os transformam. Gaylor acredita que a ligação proporcionada pela internet permite que todos sejam criadores e tenham o direito de criar, recriar, mixar e compartilhar a cultura que, afinal, pertence a toda a sociedade.
A influência do passado em qualquer criação do presente é sempre reafirmada durante o documentário. Nada é totalmente novo, tudo tem influências diretas ou indiretas de criações passadas. Wall Disney teria sido um grande "remixador", pois suas produções foram criadas a partir de peças já existentes e que foram remodeladas e atualizadas. "Não há criação isolada.", afirmou Gilberto Gil, durante seu depoimento a Gaylor.
Jornal Jr na SEDA (Semana do Audiovisual)
por
Jornal Júnior
27 de setembro de 2010
Marcadores:
audiovisual,
cobertura colaborativa,
Enxame Coletivo,
Festival SEDA
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Por toda esta semana, começando hoje (segunda-feira), a Agência Júnior de Jornalismo estará na cobertura da SEDA, Semana do Audiovisual, que acontece dos dias 27 de setembro a 2 de outubro. O evento traz mostras, oficinas, mesa-debates e shows musicais que acontecem em seis cidades brasileiras. São elas: Santa Maria (RS), São Carlos (SP), Macapá (AP), Recife (PE), Uberlândia (MG) e Bauru (SP).
Nossa reportagem colabora em parceria com a produção do evento que também possui sua cobertura própria. O coletivo cultural Enxame Coletivo, organiza a SEDA em Bauru e faz a divulgação do conteúdo produzido.
O material produzido será visto aqui, no blog da Jornal Jr, no blog do Enxame Coletivo e no novo portal de cobertura colaborativa do grupo cultural, o E-colab.
Então fique ligado, pois nessa semana a Jornal Jr vai falar tudo de produção audiovisual e de cobertura colaborativa.
Confira também programação da semana e a cobertura da galera do Enxame!

