Reportar e Aprender



Há duas semanas, a Jornal Júnior encerrava, em Curitiba, a cobertura do maior evento de comunicação do país, o Intercom. Uma grande experiência que trouxe notoriedade e qualidade à Agência, além de uma grande oportunidade para fazer não simplesmente contatos, mas também amigos em quem reconhecemos uma paixão em comum: o jornalismo. Foi graças a essa convergência de objetivos que recebemos o convite para virmos até Florianópolis fazer a cobertura da consolidada Semana do Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, a UFSC. O evento está na sua 8ª edição e, mais uma vez, conta com nomes de peso em seus minicursos, mesas de discussão e palestras.
Com toda ajuda e apoio do Lecotec (Laboratório de Estudos em Comunicação, Tecnologia e Educação Cidadã), a equipe da Jornal Júnior, de última hora, encarou 800km de estrada em dez horas de viagem e foi muito bem recebida pela organização da Semana do Jornalismo aqui em “Floripa”. O que mais chamou atenção de início, além das luzes que iluminam a entrada da cidade e da hospitalidade do nosso amigo João Schmitz – aluno do segundo ano de jornalismo da UFSC – foi a competência e o empenho dos alunos envolvidos na organização do evento. Apesar do contratempo que impediu Marcelo Rubens Paiva de participar da abertura da Semana, João Paulo Cuenca, colunista do O Globo, não deixou nada a desejar na primeira palestra, mérito da comissão de comunicação organizadora.
A Jornal Júnior tem, basicamente, duas missões nessa viagem. A primeira é fazer a cobertura jornalística com a mesma competência e dedicação que há na realização da Semana. Para isso, estamos produzindo edições especiais do OLHAR, abastecendo o blog e twitter da Agência e veiculando um programete radiofônico pela Rádio Unesp Virtual (www.radiovirtual.unesp.br). A segunda é levar para Bauru a experiência de como organizar uma semana de jornalismo, conforme se discutiu na troca de gestão no final do ano passado. A consolidação de um evento como esse só tem a agregar qualidade à nossa formação.

Texto: Diogo Zambello
Foto: Campus da UFSC (Acervo Digital)



Sustentabilidade e Economia abrem Semana Estado de Jornalismo

Começou hoje a 3ª etapa da XXVI Semana Estado de Jornalismo. O evento é organizado pelo jornal O Estado de São Paulo e promoverá, dos dias 22 a 25, palestras para os estudantes de jornalismo inscritos. O palestrante do dia foi Hugo Penteado, economista-chefe do Banco Santander, que abordou o tema “Economia e Sustentabilidade".

Universitários lotaram o auditório do Estadão

Considerado um “ecoeconomista”, Penteado falou sobre a relação de degeneração que o ser humano promove no planeta Terra e seus efeitos no meio ambiente – e em nosso futuro. “Toda a espécie animal que não compartilha o ecossistema com as demais espécies está fadada ao desaparecimento”, afirmou o palestrante.

Somos guiados, de acordo com o economista, pelo mito do “jogar fora”, segundo o qual tudo o que produzimos pode ser excluído sem deixar vestígios. A realidade, no entanto, não é assim. “O materialismo humano cresce seis vezes mais rápido que a população. Todo esse material não é simplesmente expelido do planeta. Ele permanece na natureza”.

Penteado utilizou dados para exemplificar o grau de destruição provocado pelo ser humano, tais quais:

*21 hectares de florestas (correspondentes a 42 campos de futebol) são destruídos por minuto
*a cada ano uma área de florestas equivalente ao Uruguai é desmatada
*a cada 9s um campo de futebol de florestas deixa de existir na Amazônia
*95% do esgoto dos países pobres não é tratado

O palestrante citou também o conceito de resiliência da natureza, do ambientalista Stephen Jay Gould, segundo o qual a “extinção se voltará contra os causadores”. Com isso o homem, responsável pela desaparecimento de diversas espécies, seria ele mesmo naturalmente extinto pela natureza.

Outro assunto abordado foi o papel do nosso atual sistema econômico na
degradação do meio ambiente. Para Penteado, todos os sistemas econômicos são lineares (extraem, produzem e descartam), degenerativos e submetidos ao crescimento exponencial. Foram citados os três mitos da Teoria Econômica Tradicional: Mito Mecanicista (o sistema econômico é neutro para a natureza), Mito Tecnológico (o meio ambiente é inesgotável) e o Mito Neoliberal (todas as benesses sociais dependem do crescimento econômico).

Por fim, o palestrante respondeu às perguntas dos universitários e mostrou-se cético quanto à conscientização do ser humano para as questões ambientais.


Hugo Penteado é também autor do blog http://nossofuturocomum.blogspot.com/

Texto: Cristiano Pavini
Fotos: Heraldo Soares




Discutindo os rumos da Comunicação

A Unesp terá hoje uma mesa redonda sobre a I CONFECOM (Conferência Nacional de Comunicação). O objetivo é deixar claro para os estudantes a importância da Conferência e os rumos que a etapa regional está tomando.

A Conferência Nacional será de 1 a 3 de dezembro, com o tema “Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital”, em Brasília. Mas, até lá, acontecerão discussões regionais que ganharão proporção até que se chegue no evento nacional. A etapa regional dicutirá propostas e elegerá representantes para serem levados à etapa estadual e, por fim, à Nacional.

A CONFECOM levará propostas da sociedade civil sobre os rumos a serem seguidos pelo poder público na área da Comunicação brasileira.

A mesa-redonda é uma prévia desta organização. Estarão presentes: Prof. Dr. Zarcilo Barbosa, Luis Marcus Ferreira (Articulador do CONFECOM municipal em Bauru),Pedro Ekman(Representante do Coletivo de Comunicação INTERVOZES) e Márcio José dos Santos (Setor de Comunicação do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra).

A mesa acontece no anfiteatro da sala 1, no campus da Unesp/Bauru, à partir das 19 horas. O evento é aberto ao público.

Mais informações sobre a organização dessas discussões em âmbito nacional, você encontra aqui.



Novos meios necessitam de novo jornalismo


A mesa redonda intitulada “O jornalismo sob o signo da cibercultura: desafios emergentes” propôs uma boa discussão sobre o mundo virtual e seus impactos na sociedade real. A pesquisa sobre o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) realizada em 2008 foi o embasamento inicial dos representantes da Revista Imprensa, Rodrigo Manzano e Igor Ribeiro, que deixaram claro o fim do jornalismo como o conhecemos atualmente.

A migração para o meio digital seria apenas questão de tempo e a discussão em torno do fim dos suportes deveria ser transformada em debates sobre o que será o fazer jornalismo. Para Rodrigo, as pessoas não manterão o hábito do contato maior com veículos impressos, já que com o suporte digital, a pessoa “Lê o que quer, quando quer, no local em que quer, na condição que quer. E isso não é exagero.”

Outro diferencial entre o aporte tecnológico e o tradicional é na questão ambiental, tão visada nos dias de hoje. Os conteúdos virtualizados não tem o fator de desmatamento para a produção de papéis, assim como não tem a poluição causada pelos produtos químicos de algumas empresas. Mas o principal fator é a não monopolização da informação pelo jornalista.

A professora do Centro universitário Feevale, Paula Puhl, ressaltou o perfil jornalístico necessário para o profissional do novo mundo. “Ser um gestor do conhecimento e ter tino empreendedor também são características do novo jornalista. Além da ética, é claro.” Paula também defendeu que a academia, considerada mais conservadora em relação às novidades, está cada vez mais fugindo da velha forma e se reinventando. Principalmente com a presença dos novos professores, que já são do período tecnológico. Mas segundo Rodrigo Manzano, as “universidades ainda andam muito mais lentas do que o mercado de trabalho”.



Famosos no mundo virtual é tema de grupo de pesquisa do Intercom 2009


Um dos temas abordados no Grupo de Pesquisas de Cibercultura foi a reputação e as celebridades da web, com base em artigo do professor Alex Primo, da UFRGS. A apresentação do trabalho explicou desde o conceito de celebridade para o homem até os fenômenos da blogosfera e redes sociais.

A pesquisa do professor aponta que o ser humano é um narcisista, sempre em busca da felicidade e procurando uma audiência que o admire. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos em 2006, com jovens entre 18 e 25 anos, apontou que 81% deles tem como maior objetivo de vida ser famoso. Com a internet, a busca por reputação e audiência passou do mundo real para o virtual.

A explicação para isso no ambiente virtual está no mundo real, “a fama dinamiza as conversações, a pessoa nunca viu a manicure e está conversando com ela sobre uma pessoa famosa”, exemplifica o professor Alex Primo. Muito mais que isso: “as celebridades domesticam nossos desejos, suavizam a exploração da indústria cultural. Eles são os heróis do nosso tempo, mesmo sem fazer nada demais para serem heróis”.

Como cada vez mais as pessoas passam o tempo todo conectadas, boa parte desse tempo nas redes sociais, existe cada vez mais interesse em ser uma celebridade na internet. Ter centenas de amigos no Orkut e muitos seguidores no twitter é um indício desse status. Além disso, ter renome no twitter é receber muitos links e mensagens das pessoas, ao ponto do usuário não ter condições de responder as mensagens enviadas.

A pesquisa ainda aponta também que alguns blogueiros conseguem notoriedade porque a mídia de massa “ensinou” a considerar as pessoas celebridades. Entre eles estão Interney, Baunilha, Carlos Merigo e Cardoso. Mas o professor Alex Primo defende que existe uma diferença entre ser celébre e conhecido na internet: “Na blogosfera e no twitter não existem celebridades que nasçam daí, celebridade é uma mercadoria, é um produto da indústria cultural”.

O Caso Twittess

Para muita gente, deixar de ser anônimo para ser celebridade é uma necessidade. O exemplo mais conhecido da busca pela fama na internet é da curitibana Tessalia Serighelli(acima, foto de seu avatar no twitter). Ela abriu um perfil no twitter e adicionou o maior número possível de usuários . Depois de conseguir milhares de seguidores, Tessalia ficou muito conhecida na twittosfera brasileira e ganhou notoriedade no mundo virtual. Ela já conseguiu fazer um ensaio fotográfico para a revista VIP e foi indicada ao prêmio de Melhor Twitter do Ano no Video Music Brasil, prêmio de cultura pop da MTV.