GP discute Jornalismo e Identidade

Por Laís Restivo Semis

“As revistas e as mulheres se tornam amigas, confidentes. As mulheres conseguem se comunicar e se identificar com ela. A revista passa a assumir o papel da amiga ou da irmã”, disse Mayara Maia, mestranda pela Faculdade Cásper Líbero, sobre a relação das leitoras com a Revista Nova Cosmopolitan, seu objeto de pesquisa apresentado no Intercom.

Segundo Mayara, a identificação com a revista ocorre não pela veiculação da mulher brasileira “comum”, mas ocorre de duas maneiras diferentes: pelo imaginário e nas matérias de comportamento. Nas matérias se fala sobre os problemas das mulheres, que se apresentam como namoradas, amigas e mães. Já as capas mexem com o a identificação pelo imaginário, ou seja, pelo desejo de ser mais do que uma mulher comum, já que apresentam celebridades.

No Grupo de Pesquisa (GP) de Jornalismo Impresso do último domingo, o tema de discussões focava o jornalismo realizado pelas revistas e suas múltiplas abordagens, tanto realizado por revistas com diferentes linhas editoriais, como por determinados seções do jornalismo.

A aluna da Unesp, Luana Nascimento de Almeida, trabalhou em cima da discussão sobre como o uso do termo “jornalismo comunitário” influencia na construção da identidade dos jovens da periferia e como ele é freqüentemente utilizado de maneira equivocada com o mesmo significado de “mídia local”, com fins mercadológicos. Luana deixou claro que, na verdade, o Jornalismo Comunitário tem como objetivo divulgar assuntos específicos de determinados segmentos populacionais. A meta deste tipo de jornalismo é promover o desenvolvimento comunitário; diferentemente do local, que tem como função noticiar acontecimentos da localidade.

GP discute os mecanismos entre o jornalismo e a construção de identidade



Os efeitos visuais da telona são destaque em Grupo de Pesquisa

Por Jéssica Mobílio


Termina o GP de Cinema


Aconteceu neste domingo, 05 de setembro, a última sessão de Comunicação Audiovisual, cujo tema foi “artigos de Cinema”. Esse último encontro abordou os efeitos visuais voltados para a cinematografia. Os congressistas dialogaram sobre imagem e movimento dentro da tela.

Contemplando aspectos relacionados à produção, distribuição, exibição, tecnologias, interação com demais mídias audiovisuais, preservação, entre outros, procurou-se compreender os efeitos do cinema no espectador e na mídia.

Os participantes da primeira rodada de projetos demonstraram suas impressões do Primeiro Cinema, do século 20. A pesquisa do professor, Roberto Tietzmann, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul, discutiu a propaganda inserida como efeito visual nas telonas. Ainda nesse projeto, o palestrante usou exemplos de filmes, como King Kong (1933 e 2005) para falar sobre a imagem planejada. “A descrição contextualizada e o segundo plano de uma cena trazem muitas referências, além de uma reflexão do próprio diretor”, disse Roberto.

Outras vertentes foram exploradas no decorrer da tarde, como a fusão de imagem e movimento. Abriu-se espaço para discussão e crítica da evolução do Cinema novo e sequência de fotogramas – determinada frequência de imagens por segundo que consegue gerar a sensação de movimento no espectador. “Há ligação direta entre os primeiros filmes e a mobilidade, principalmente pela situação histórica da época”, comentou Marcelo Carvalho da Silva (ECO-UFRJ), Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A força das falsas imagens finalizou a primeira parte do grupo de estudos (GP). Michael Abrantes Kerr, Universidade de Pelotas (UCPEL), citou vídeos da internet, “Uma imagem do passado arquivada pode ser utilizada no presente e criar uma situação falsa”. Exemplo dado na sessão, Atividade Paranormal, filme que recria uma situação baseada em fatos planejados que proporcionam uma atmosfera de veracidade.

Na segunda metade dos GP, uma breve reflexão sobre curta metragem e book trailer chamou a atenção do público. Luiza Lusvarghi, Universidade Nove de Julho (UNINOVE) SP, trouxe o livro de Guillermo Del Toro e sua divulgação, através de vídeo. A palestrante deu destaque para o crescimento desse tipo de propaganda. “Veja o livro e leia o filme”, terminou Luiza.



Você no Intercom

Por Laura Luz

Nesse domingo, 4 de setembro, o quarto e mais frio dia do evento, os congressistas do Intercom não desanimaram e prestigiaram vários trabalhos, oficinas e grupos de pesquisa. Pessoas de todas as regiões do Brasil se encontraram e por meio de suas pesquisas trocaram as atuais impressões sobre os estudos de comunicação na atualidade. Professores, alunos e membros da organização do congresso contaram suas impressões sobre o Intercom 2010 e sobre Caxias do Sul.


Lucas Guerra, estudante de jornalismo da UFV (Universidade Federal de Viçosa), desceu quatro estados até Caxias do Sul para apresentar o jornal laboratório Outro Olhar, produzido por ele e seus colegas. Trabalho esse que, inclusive, está concorrendo a Intercom Nacional.
Lucas afirma, com um sorriso no rosto, que o Congresso está muito organizado e muito bom de uma forma geral.
 
 
 
Formada há apenas uma semana em Publicidade e Propaganda pela ESPM (Escola Superior de Propaganda Marketing), Letícia Bittencourt, de Porto Alegre, apresentou seu projeto e iniciação científica no Intercom Junior. O trabalho é um artigo sobre os aspectos éticos envolvidos na comunicação das classes populares. “Eu estou gostando. O Intercom está bem legal, bem divertido!”, diz Letícia confiante.
 
 
 
 
Trocando o clima quente pelos ares gelados do Sul, o estudante de jornalismo, da UFC (Universidade Federal do Ceará), Tibério apresenta no Intercom 2010 um trabalho sobre juventude e mídia na categoria Intercom Junior Artigo. Tibério diz em uma quase contradição, que apesar do clima frio conseguiu achar as pessoas de Caxias do Sul muito calorosas.



 
Em clima de festa a função de Amanda Souza, 24 anos, é comunicar a todos os congressistas que o Intercom 2011 vai ser realizado na cidade acalorada e bem brasileira de Recife, Pernambuco. Formada em turismo, Amanda veio junto da Unicap (Universidade Católica de Pernambuco) divulgar a próxima cidade sede do congresso, distribuindo iguarias da região e folders explicativos. Para quem passa no Stand só fica a ansiedade pelo próximo ano desse grande evento de comunicação.
 
 
 
Veterana em Intercom, a professora da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto) Nair Prada, já participa do Congresso há dez anos consecutivos, sempre no Grupo de Estudos de Rádio e Mídia Sonora. Esse ano Nair apresenta o trabalho Web Rádio e Business e coordena uma Mesa sobre o panorama do rádio brasileiro.

Sobre a cidade, Nair diz estar adorando Caxias, suas belezas e receptividade.





A cearense Natália é graduada pela Unifor (Universidade de Fortaleza) e apresenta nesse Intercom o Grupo de Estudos de Pesquisa das relações da Infância, Adolescência e Mídia, o GRIM.
“Eu queria estar mais abrigada, sinto muito frio! Matuto do Ceará é assim mesmo.”, brinca Natália e também confessa estar cansada das comidas pesadas do Sul, mesmo assim diz estar adorando Caxias e as pessoas daqui, que ela conta serem muito simpáticas.



Grupo de Pesquisa discute a função do jornalista hoje

Por Pablo Marques

 Professor Aldo Schmitz em sua apresentação

Quem decide o que notícia? Quem deve apurar os fatos? Essas questões foram discutidas em “Cobertura Política e as Fontes do Jornalismo”. A mesa foi composta pelo professor Aldo Anthonio Schmitz da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e Adriana Santana professora da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).

Aldo fez uma análise de como a maneira de se encontrar uma notícia foi modificada. Tradicionalmente essa era uma função dos próprios jornalistas por meio da agenda setting. Posteriormente iniciou-se outra tendência na qual os fatos determinam uma notícia, método conhecido como “news making”. A forma mais recente de se produzir uma pauta, está relacionada a ação dos assessores de imprensa. Esses são responsáveis por produzirem um reelease já adaptados ao estilo do veículo em que deverá ser publicado. O professor afirma que hoje “O jornalismo não é mais privado aos jornalistas devido as novas mídias e consolidação dos assessores.”

Em uma linha de pesquisa semelhante, Adriana Santana discutiu a forma como a cobertura jornalistica mudou. Em sua tese de mestrado, ela análisou a participação popular na cobertura de um acidente aéreo na periferia de Recife. Nesse ocorrido, o trabalho dos jornalistas só começou depois que testemunhas divulgaram um video amador dos primeiros momentos pós-acidente. Segundo a professora, nessa situação cabe a um profissional da comunicação aproveitar as informações já obtidas com os populares e depois agregar novas informações. “Os amadores conquistaram esse espaço porque os jornalistas estão indo pouco para a rua” afirmou a professora.



Mídia e Esportes no Intercom

Por Juliana Santos

Márcio explora a opinião do público no episódio Dunga x Escobar

No Intercom as discussões sobre esportes vão além das mesas-redondas. No quarto dia do congresso, o Grupo de Pesquisas (GP) de Comunicação de Esporte contou com a apresentação de cinco trabalhos acadêmicos sobre o tema.

Partindo da cobertura da Copa do Mundo deste ano, dois trabalhos exploraram a relação da imprensa com o técnico Dunga. Primeiramente, a pesquisa desenvolvida pelo Prof. Dr. Márcio de Oliveira Guerra da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) trouxe uma pesquisa sobre o episódio da discussão entre o Dunga e Alex Escobar, jornalista da Rede Globo.

Com a análise de blogs esportivos, e os comentários de internautas, o professor concluiu que o torcedor percebe quando a imprensa abandona o compromisso com a informação. Por isso é necessário uma reflexão sobre a conduta profissional e os caminhos do jornalismo. “O público está mais ciente de como funciona a profissão”, afirma Márcio.

O estudo da professora Andréia Gorito, da UVA (Universidade Veiga de Almeida) do Rio de Janeiro, abordou a preparação de porta-vozes para entrevistas à imprensa. Analisando os erros de Dunga na Copa, Andréia mostrou como a falta de preparo por parte da assessoria prejudicou a imagem do técnico e da seleção com a imprensa e público. Com a consciência de que era o centro das atenções na cobertura do evento, e que ocupa um cargo que é considerado pelos brasileiros como segundo cargo mais importante do país, o técnico não poderia apresentar um comportamento explosivo e mal-humorado.

A falta de treinamento de Dunga teve muita repercussão, pois tão importante quanto a vitória, seria a trajetória construída na competição pela seleção. Com o exemplo de Maradona, ex-técnico da seleção Argentina, a professora defendeu como a boa imagem do técnico refletiu diferente do desemprenho do time em campo. A professora ainda completou que “a antipatia pelo Dunga, também se deve muito ao fato de não reconhecermos ele como técnico”.

Além desses trabalhos, o grupo de pesquisa contou com a apresentação sobre “Crônica Esportiva e algumas reflexões” do professor da UNESP, José Carlos Marques, o trabalho de Marcel Neves Martins da Unisinos sobre a “Mediatização social em partidas de futebol” e a pesquisa do Prof. Dr. Luciano Maluly, da Universidade de São Paulo (USP) que abordou o jornalismo esportivo e seus desafios e propostas.