Jornalismo do século XXI

Que tipo de jornalismo têm sido praticado no século 21 e qual o futuro dele? Em entrevista à revista CULT, o jornalista Zuenir Ventura discorre sobre o assunto

O jornalismo do século 21

Zuenir Ventura discute o jornalismo praticado nos últimos 10 anos

Zuenir: Em todas as instâncias desse país nós vivemos uma espécie de desprezo pela expressão verbal
*Por Wilker Sousa
Fotos: Anderson Silva
Notícias produzidas em tempo real na tentativa de apreender um mundo complexo cujas fronteiras, em face do universo digital, há muito desapareceram. Lidar com tecnologias que ampliam o acesso à informação e ao mesmo tempo restringem a notícia a textos exíguos. Essas são algumas das questões que vêm à tona quando se propõe discutir a atividade jornalística contemporânea.
Na tarde do último sábado (29), esse foi o tema do debate Cena Contemporânea – O jornalismo dos Primeiros 10 anos do século 21, presente no XIII Fenart (Festival Nacional de Arte), realizado em João Pessoa. Ao longo de três horas, os jornalistas Marcela Sitônio, Jô Mazarollo e Gonzaga Rodrigues (da imprensa local) juntamente com o jornalista e escritor mineiro Zuenir Ventura analisaram os impactos das tecnologias recentes no cotidiano do jornalista e em que medida suscitam novas maneiras de se pensar e de se fazer jornalismo. Ao final do debate, Zuenir Ventura concedeu entrevista à CULT, leia a seguir.
CULT – Em tempos de twitter e da avalanche de informações a que o indivíduo é submetido, ainda há público leitor para grandes reportagens?
Zuenir Ventura – Eu acho tudo isso melhor do que não escrever e melhor do que não ler, mesmo sabendo da precariedade do texto. É melhor porque você se habitua a ler e amanhã lerá outras coisas. Recentemente, li sobre o episódio de um jovem que mal sabia escrever e começou a ficar isolado de sua turma porque todo mundo se comunicava via e-mail. Ele ficou desesperado e aprendeu a escrever para passar e-mails para os colegas da turma. Então, é melhor assim do que se não houvesse nada.
Mas é claro que isso não pode ser um processo pernicioso, ou seja, a gente não pode reduzir o mundo a 140 toques. Tem coisa que pode ser escrita em 140 toques, outras não. Eu também acho que a grande reportagem não é necessariamente uma reportagem grande, mas apenas há assuntos que necessitam de mais espaço, de mais tempo, de mais apuração, ou seja, a diferença de uma matéria está em como foi feita a pesquisa, a apuração, o trabalho com o texto. Por que as matérias de jornalismo literário são melhores? Porque se tem mais tempo para trabalhar, mais espaço e isso exige uma qualidade maior na feitura do texto.



                               Assista ao trecho do depoimento de Zuenir Ventura no XIII Fenart

CULT – Sim, mas esse leitor habituado ao twitter ou aquele que lê notícias curtas na internet, esse tipo de leitor leria uma revista com boas e extensas reportagens? Ainda há espaços para publicações desse gênero?
Zuenir – Eu acho que sim. Por exemplo, quanto mais plural for o jornal, não só politicamente e ideologicamente, mas tecnicamente também, ele pode contemplar esse leitor, embora não seja hegemônico. Se você puder dar a esse leitor um pouco desse tipo de matéria, eu acredito que tem aceitação. Eu não sei o percentual desse leitor, mas existe, tanto que a revista Piauí está aí.
CULT – Ao invés de suporte, você acredita que essas novas tecnologias têm se tornado protagonistas das matérias feitas hoje em dia?
Zuenir – Para não fazer uma afirmação absolutamente radical, eu diria que há esse perigo, esse risco de se transformar um instrumento, um meio de pesquisa, em protagonista de uma matéria. Uma amiga minha atriz reclamou dizendo que há jornalistas que chegam com a matéria pronta, pegam algumas aspas e está tudo resolvido. Não é para isso. O Google foi inventado para começo de conversa, é para se iniciar a matéria a partir dele, mas não para se fazer tudo.

Zuenir: O Google foi inventado para começo de conversa, é para se iniciar a matéria a partir dele, mas não para se fazer tudo

CULT – Como falamos anteriormente, hoje vivemos sob um bombardeio de informações, e, como provável conseqüência disso, o jornalista acaba se preocupando muito com a informação e deixa de lado o apuro com a língua. Você acredita que falta por parte dos jornalistas um maior esmero com a língua portuguesa?
Zuenir – Eu acho que sim. Hoje nós temos uma crise da palavra escrita em todos os níveis. Não só no jornalismo, mas também na universidade, no congresso nacional, em todas as instâncias desse país nós vivemos uma espécie de desprezo pela expressão verbal. Ora, isso no jornalismo é grave, pois esse é o nosso material, essa é a nossa matéria-prima.
Nós temos três dimensões no jornalismo: estética, técnica e ética. A dimensão estética requer um bom texto, mas segundo as peculiaridades do jornalismo. Nem sempre um texto literário é um bom texto jornalístico. É preciso saber que há uma especificidade da nossa profissão.
CULT – Costuma-se ter uma visão romantizada e nostálgica do jornalismo praticado décadas atrás, especialmente com relação às grandes reportagens. Porém, embora enfrente muitas dificuldades, o jornalismo atual simboliza, a seu ver, uma evolução em relação àquele praticado nos anos 1950 e 1960?
Zuenir – Acho que sim. Primeiramente, porque vivemos em um mundo complexo, muito mais do que era nos anos 1950 ou 1960, portanto um mundo muito mais difícil de ser apreendido. É também complexo por conta da velocidade, dessa necessidade de se produzir informação em tempo real.
Existe algo que eu vejo especialmente entre jovens, que é uma espécie de nostalgia do não vivido. Olha-se para trás e se diz: “O jornalismo era mais romântico”. Não, o jornalismo era péssimo nos anos 1950. Basta ler o livro do Fernando Morais (Chatô, o rei do Brasil) para ver o que era. Ética, por exemplo, era uma palavra que não frequentava o vocabulário do jornalismo daquela época. Isso é muito recente. Sobre a condição do jornalista: ele era muito despreparado e por isso mesmo, como não tinha nenhuma autonomia profissional, ele precisava fazer bico. Era muito comum ter o jornalista cobrindo a repartição pública de onde ele era funcionário, tinha muito disso.
Então é preciso olhar para trás sem saudosismo e sem idealização. Teve muita coisa boa, mas não era tudo isso não. Há coisas melhores hoje. Por exemplo, hoje a ética é uma preocupação nas redações, ao contrário do era antigamente.



fonte: cult



Espaço acadêmico ajuda a construir rede de contatos

Universidade pode ser  incubadora de relações profissionais

Você já ouviu falar em networking? O conceito se baseia na socialização e na construção de uma rede de relacionamentos que pode contribuir para uma boa colocação profissional. Embora haja inúmeras fórmulas para se construir essa rede, os universitários talvez tenham uma oportunidade única para fazê-lo. Há quem aposte que o espaço acadêmico seja uma espécie de incubadora bastante eficiente para o processo de constituição dessa teia de contatos.
Segundo Osmar Rocha, coordenador do curso de Administração da UFPR (Universidade Federal do Paraná), a universidade é um espaço que beneficia o início dessas relações. "A primeira rede de contatos do universitário é o ambiente interno. Isso envolve o relacionamento dentro da própria turma, alunos de outros períodos, diretório dos estudantes, empresa júnior e entidade de intercâmbios, entre outros espaços", diz Rocha.
José Augusto Minarelli, autor dos livros "Networking - Como utilizar a rede de relacionamentos na sua vida e na sua carreira" e "Super Dicas de Networking para sua vida pessoal e profissional", destaca como as relações interpessoais podem ser fundamentais de parte a parte. "É importante entender que o mercado de trabalho é constituído de gente e que nós precisamos de outras pessoas para ter informações sobre vagas, gerar entrevistas, sermos orientados e obtermos informações em geral", explica ele.
Apesar de não se familiarizar com o termo, a estudante Bruna Meirelles, que está no terceiro semestre do curso Design de Moda na Universidade Anhembi Morumbi, já começou a perceber a relevância da rede de contatos. "Desde o início do curso, sempre tive como preocupação um perfil comunicativo para conseguir evoluir profissionalmente e a minha universidade prioriza muito isso", diz a estudante, que graças à divulgação feita por um professor no ano passado, conseguiu participar da Casa de Criadores, evento de moda que segue linha semelhante à adotada pelo SP Fashion Week. Bruna conta que, após a atuação de 2009, ainda conseguiu uma vaga no evento deste ano.
De acordo com Minarelli, a construção dessa rede de contatos tem como objetivo a troca de conhecimentos, informações e cooperação. "Um dos fatores de empregabilidade é ter uma rede de relacionamentos bem cultivada, ter acesso a quem pode ajudar na indicação de alguma oportunidade de emprego ou até com dados para um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), por exemplo. Conhecer pessoas, descobrir atividades e cultivar relacionamentos é muito importante para quem está no começo da carreira e necessita de uma primeira oportunidade de trabalho", afirma ele.
Paulo Vieira de Campos, professor de pós-graduação da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), defende que o sucesso profissional vai depender do conhecimento adquirido multiplicado pelas pessoas que conhecemos e ressalta a importância que o convívio universitário pode ter nesse contexto. Minarelli procura ilustrar a razão disso. "Na universidade você tem professores, funcionários, colegas, ex-alunos, pessoas que têm vínculos, e é natural ter afinidade com pessoas que estejam no mesmo curso. Por trás dessas pessoas estão pais, irmãos, familiares e conhecidos. O networking é importante pelas pessoas que você pode conhecer e pelas pessoas que estão por trás delas", declara ele, que alerta que muitas pessoas só percebem a oportunidade de construção da rede de contatos quando voltam para a universidade para o curso de pós-graduação.
Como construir uma rede de contatos
Campos, que também leciona no curso de férias "Comportamento no Mundo Corporativo", diz que os contatos se iniciam através de pontos em comum. "Para se ter um relacionamento com alguém, vale uma certa afinidade, gostos parecidos, reconhecimento e até algum tipo de admiração. Para fazer um bom networking, o estudante precisa buscar um ponto de intersecção, um interesse para se aproximar das pessoas", sugere ele. O professor da ESPM afirma ainda que na comunicação dentro das redes é preciso se importar com o tipo de informação que é relevante para os interlocutores. Ele simplifica esse relacionamento numa frase: "Todo mundo quer ter uma recompensa". De acordo com ele, essa recompensa pode ser uma troca, um agradecimento ou uma divulgação.
Foi esse o caso de Glaucia Ferraro, aluna do quinto semestre no curso de Desenho Industrial da Universidade Mackenzie. Apesar de já atuar na área profissional quando entrou na universidade, Glaucia ficou desempregada depois de um tempo e conseguiu um novo emprego graças à indicação de uma colega. "Quando fiquei desempregada, conversava com as pessoas e perguntava se elas sabiam a respeito de alguma vaga disponível e pedia que, caso soubessem de alguma coisa, me informassem", lembra ele.
A estudante lista algumas vantagens que acredita que o ambiente universitário oferece para a rede de contatos. "Acredito que a universidade seja um bom espaço para se fazer contatos, porque a maioria das pessoas que você conhece geralmente estão inseridas na área em que você quer trabalhar. O importante é conversar com as pessoas, se mostrar disponível, deixá-las saber o tipo de oportunidade que você procura", diz Glaucia. Depois de conquistar a vaga indicada pela colega, ela ainda indicou vagas de emprego para outras duas companheiras de sala de aula, que conseguiram uma colocação.
Minarelli fala sobre algumas características que podem soar elementares, mas que, as vezes, são negligenciadas no relacionamento que temos com pessoas próximas. Características, como flexibilidade, gentileza, simpatia e atenção com as pessoas. E o autor ainda faz uma ressalva: "Fazemos relacionamento por interesse de conhecer e nos tornarmos conhecidos. O ruim é ser interesseiro, pensar em explorar a disponibilidade e a boa intenção do próximo. Ninguém gosta de ser explorado. É importante que o estudante não seja invasivo. Seja gentil, solícito, pois é isso que faz com que se adquiram créditos", alerta ele. De acordo com Minarelli, as relações interpessoais devem ser construídas com base no companheirismo, coleguismo e interesse genuíno pelas pessoas.
Entretanto, ressalta Rocha, a rede de relacionamentos não acontece apenas dentro da universidade. Por isso mesmo, ele aconselha que os estudantes usem também as oportunidades que a universidade oferece na projeção para fora do ambiente estudantil. "É necessário integrar os ambientes interno e externo. Tenho estimulado que meus alunos comecem desde o primeiro semestre a pensar em estágios, para estender seu relacionamento com clientes e fornecedores e assim abram o leque dessa malha de relacionamentos. Também incentivo a participação em projetos sociais, que ampliam a construção do indivíduo como cidadão e geram um posicionamento profissional e pessoal dentro do ambiente social, não só dentro da universidade", afirma ele.
Depois da formatura
Se já parece bastante evidente as oportunidades que a universidade oferece, de nada elas adiantarão se o recém-formado não conseguir manter o que construiu depois da formatura. Por isso, Minarelli lembra que é importante trocar dados de contato com as pessoas, como nome, e-mail e número de celular. "É valioso que se registre os contatos adquiridos durante a vida. Através desses dados, você pode ligar, convidar as pessoas para um almoço, para tomar um café ou até para alguma festa ou evento. É necessário ter disposição para encontrar as pessoas", aponta ele.
De acordo com Campos, as redes de relacionamento virtual também ganham um forte apelo dentro dessa rede de contatos sociais. "As pessoas podem gerenciar sua rede se posicionando através de alguma ferramenta social", resume ele. O professor, que diz se comunicar com seus alunos e contatos profissionais por meio do Twitter, defende o uso do ambiente virtual para a divulgação de ideias, utilizando-se de blogs, sites de relacionamento e compartilhamento de informações. Campos também destaca que as pessoas devem ser encontráveis, ou seja, facilmente acessadas através da rede. "Hoje em dia, algo para pensar em se tratando de rede é a capacidade de ser encontrável. Você é achável? Não ser uma pessoa encontrável pode dificultar o estabelecimento de sua rede", adverte ele.
Além disso, Campos chama atenção para um detalhe importante e que deve ser lembrado no contato presencial e virtual: a reputação. "Quando você mantém sua autenticidade e sua coerência, cuida de sua confiabilidade. A base de um profissional está vinculada à sua confiança, que é expressa pelo seu comportamento", acrescenta ele. Segundo o professor da ESPM, essa confiança merece ainda mais atenção para os relacionamentos via Internet. "Reputação é uma moeda fortíssima na sua rede de relacionamentos. Nas redes sociais virtuais, atualmente, existem profissionais virando amadores e amadores virando profissionais".

Dicas para um bom Networking:
- As pessoas dependem umas das outras. É importante conhecer pessoas e ser conhecido.
- Registre seus contatos; eles podem ser úteis quando você precisar de um emprego ou até quando procurar algum tipo de serviço.
- Cultive seus relacionamentos com gentileza e educação; seja disponível.
- Seja disponível também nas redes de relacionamento para que as pessoas o encontrem com facilidade.
- Na hora de se comunicar com seus contatos, pense sobre o tipo de informação pela qual eles se interessam.
- Networking é uma via de mão dupla: você ajuda e é ajudado.

Por Amanda Assad
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Escreva para web de acordo com o Yahoo!



Saiu o manual de redação e estilo do Yahoo! para escrita na web. Podem ser encontrados guia de verbetes, dicas de edição, instruções para acessibilidade do texto e da página, e até tirar suas dúvidas com os editores.

O livro ainda vai ser publicado, mas a versão online já está funcionando.

Entra lá!



Folha procura novos talentos

Inscrições para os possíveis focas vão até 5 de julho.

Vale para estudantes universitários e recém-formados de qualquer curso. Aqui.



Projeto Rumos Literatura 2010-2011 prorroga inscrições

Programa se dedica a incentivar projetos de produção e crítica literária no Brasil

Para os que gostam de produção e/ou crítica literária, as inscrições do Rumos Literatura 2010-2011 foram prorrogadas até o dia 13 de agosto. As inscrições começaram no dia 3 de março e são gratuitas. Para se inscrever, acesse www. itaucultural.org.br/rumos. Nesse endereço também é possível encontrar o edital do programa e conhecer outros projetos do Rumos.

E para quem ainda não conhece o Rumos Literatura, também vale a pena dar um pulo no site. O programa é idealizado pelo instituto Itaú Cultural e tem por objetivo desenvolver textos reflexivos sobre literatura e crítica literária brasileira contemporânea. Dividido em 2 categorias, os participantes podem inscrever ensaios que tratem de temas sobre a produção literária brasileira dos últimos 30 anos. A outra categoria inclui ensaios sobre a análise da crítica literária brasileira a partir de 1980.

Nas duas categorias, no entento, não serão aceitos projetos que já tenham sido publicados em livro ou e-book, ou apresentado como tese de mestrado ou doutorado. O mesmo não se aplica a ensaios publicados em revistas literárias, sites ou blogs. Os projetos selecionados recebrão uma bolsa mensal e também serão remunerados quanto ao licenciamento dos direitos autorais. Vale ressaltar que o que deve ser inscrito são os projetos, porque os ensaios selecionados serão concluídos e aprovados com a supervisão da equipe do Rumos.

Gostou do programa e quer ter mais informações? Então entre em contato com a equipe do Rumos Literatura atraves do rumosliteratura@itaucultural.org.br. Se você já inscreveu seu projeto, boa sorte!