Seres Audiovisuais mudam a Tevê

Por Ana Navarrete


Quem se reuniu no bloco F, na manhã de Sexta feira, para conferir as tendências dos programas televisivos encontrou uma palestra recheada de novas mídias. Vanessa Maia, professora da UFSJ (Universidade Federal de São João del- Rei) , apresentou uma palestra com muita opinião e humor, procurando sempre interrelacionar o conteúdo com os congressistas presentes.

Vanessa afirmou que "Não dá pra se fazer televisão, sem ver televisão" e classificou os programas de entrevista em "perfil", "debate" e "híbridos". A palestrante deu dicas de como fazer um bom programa. Exemplificou com slides nomes famosos como "Saia Justa", "Programa do Jô", "Roda Viva" e afirmou que os programas televisivos tendem a adquirir um formato mais movimentado, com o intuito de deixar de ser um "rádio visual".

Uma grande temática abordada foi a linguagem televisiva; "O número de pessoas que vê Tevê pela internet aumentou muito, consequentemente a linguagem mudou.O ideal é enquadrar os detalhes, agregar valores, convergir informação e interatividade.Isso tende a ser o futuro da comunicação" afirma.

Vanessa citou a transmídia de Henry Jenkis, afirmando que a pulverização da informação em diversas plataformas de mídia tende a ser uma grande ponte entre público e televisão. A tv possui a função de interagir e buscar meios de explorar ao máximo seu conteúdo "Como pensar em um conteúdo em diversas mídias?Nada vai se perder.É preciso explorar muitas linguagens para agregar diferentes nichos.O programa "Profissão Repórter" não é um programa televisivo, seu conteúdo está espalhado por blogs, twitter, sites etc" termina.

A palestra foi recheada de exemplos de programas e no final foi exibido um vídeo muito divertido do programa de Cao Hamburguer ("No estranho planeta dos seres audiovisuais"), que retrata a necessidade do Som e da imagem para a comunicação humana do tempos das cavernas até o homem contemporâneo.

Confira o vídeo:




Game não é só diversão


Marsal Branco: "Game não é outra coisa senão comunicação"

Nessa manhã de sexta- feira, mais uma palestra de mídias eletrônicas atraiu os estudantes e profissionais da área de comunicação. O palestrante Marsal Branco da Feevale apresentou uma oficina de Produção de Jogos Digitais, em que discutiu a história dos games e as novas funções adquiridas por eles na última década.

Após a apresentação do conteúdo, o palestrante sugeriu uma dinâmica em que os espectadores poderiam montar seu próprio jogo, desde que esse tivesse um objetivo definido.

Na palestra foram abordadas as funções e as formas de produção dos mais diversos tipos de jogos como os Advergames, jogos que introduzem publicidade em seu conteúdo, os Serious Games que tem a função de treinamento de novos funcionários, além dos Social Games, que estão em destaque nos últimos tempos, como os aplicativos de sites de relacionamento.

 “Game não é outra coisa senão comunicação, só que mais legal e não necessariamente porque é interativo”, explica Marsal. E acrescenta “o jogo entrega fatos que outras mídias não fazem, ele é um produto de comunicação com características e linguagem próprias”.

O palestrante mostrou que game não é e nunca foi um produto da computação e sim da comunicação, jogado nas mídias tradicionais, apresentando intuitos que vão de passar uma mensagem ética a apresentação de conteúdo jornalístico e que tem muito a crescer em novos formatos pois já possui um público abrangente.
“O que é preciso é de uma mudança na mentalidade de muitos empresários e empreendedores que precisam descobrir as diversas vantagens do uso de produção de games para suas empresas”, finaliza.



Traçando um caminho

Por Regiane Folter


    Quais são as minhas habilidades? Aonde quero chegar? Essas perguntas são muito comuns na vida de qualquer universitário e foram discutidas durante a oficina de “Planejamento pessoal e profissional” do segundo dia do Intercom 2010. O público, formado por alunos da graduação e mestrado da área de comunicação procuravam saber como e de que forma planejar seu futuro profissional.
  Segundo a professora Marilda Cecilia Dall Agno, da Universidade de Caxias do Sul (UCS), “não se atinge objetivos de uma maneira justa quando não se planeja. Como é que eu consigo algum resultado, seja ele financeiro, econômico ou intelectual, se eu não estabeleço onde estou e aonde eu quero chegar?”, questiona ela. Baseando-se nesse princípio, Maria Cecília explicitou formas de se montar metas para alcançar os objetivos através de dinâmicas, leituras e exposição de ideias. 
  As diversas ferramentas listadas pela professora consistiam basicamente em organizar ideias, traçar um plano de metas e realizá-las, sem engavetar e nem se desviar do plano inicial. Depois de pronto, é necessário avaliar se os pontos foram alcançados, o que precisa ser melhorado e revisar seu plano.
    Apesar de muitos inscritos na oficina terem faltado, quem esteve lá aproveitou. O estudante do quinto ano de Relações Públicas da UERJ Miguel Jannruzzi procurou a oficina porque se identificou com o tema. “O planejamento é uma área estratégica para a gente trabalhar. É essencial para a comunicação e principalmente para relações públicas.”, afirmou Jannruzzi.




A saga do intercom - mais uma cobertura da Jornal Jr.

 por Damaris Rota, diretamente de Caxias do Sul

Bauru, 01/09, quarta-feira, 19h15 - Sai o ônibus da Unesp Bauru rumo à Caxias do Sul, local de realização do Intercom 2010, o maior congresso de comunicação da América Latina.
Caxias do Sul, quinta-feira, 19h30 - Chega o ônibus da Unesp Bauru no destino, mais de 24 horas depois de deixar a cidade de origem.
Bom, ninguém disse que ser jornalista era fácil.

A equipe de 15 pessoas da Agência Júnior de Jornalismo da Unesp Bauru, entre repórteres, fotógrafos e membros da diretoria emprenderam essa viagem longa - e um tanto quanto cansativa - rumo ao sul do Brasil. Munidos de câmeras, gravadores, coragem e bolachas, a Jornal Jr. sobreviveu ao dia de viagem.

O ônibus que transportou a equipe não estava com o mesmo espírito interconiano: paramos mais ou menos cinco vezes por problemas mecânicos. Foram paradas técnicas em três estados do Brasil, muitas reclamações, piadas de consolo e lanchinhos estratégicos na estrada. Fora, é claro, os cochilos intermináveis - e interrompidos bruscamente por problemas.

Foram mais de 1000 km de estrada e um atraso aproximado de pelo menos 8 horas para chegarmos ao alojamento Marcopolo e finalmente nos instalarmos nas beliches de aspecto militar dos quartos. Entre banho, jantar e arrumação de camas, a Jornal Jr. terminou de planejar a cobertura do Intercom 2010 e entrou no espírito da cobertura jornalística.

Hoje, dia 03 de setembro, acordamos às 7 da manhã, tomamos café, colocamos nossos casacos (há muito tempo não usados no calor de Bauru) e pegamos o ônibus para a UCS, que fica a mais ou menos 8 km do alojamento - uma pequena viagem de 20 minutos que não é nada perto das nossas 24 horas de odisseia. Após uma ótima recepção da organização do Intercom e dos membros da Agência Experimental de Comunicação Integrada da UCS, nos instalamos no Cetel (centro de teledifusão educativa) e começamos a digitar. Não pararemos até o dia 6, por isso fique ligado no blog e no twitter da JJr. Lembrando que produziremos um  Boletim Olhar Especial Intercom 2010 por dia.

Somos a única empresa júnior participando da cobertura do intercom. Apoiem nossa iniciativa!



Rodrigo Vianna diz que blogues são contraponto da grande mídia

323 jornalistas e comunicadores se juntaram para discutir o poder e o alcance dos blogues e debater a comunicação – de maneira geral – em São Paulo (SP), durante o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. O encontro ocorrido entre os dias 20 e 22 de agosto aproximou uma rede em expansão na internet de blogueiros conhecidos por fazerem o contraponto jornalístico dos fatos e opiniões da grande mídia. Acompanhe entrevista com Rodrigo Vianna, pela Rádio Agência NP.

Os jornalistas se classificam como independentes e ativistas dos movimentos sociais. O uso do blog foi a maneira que encontraram para driblar o bloqueio midiático a determinados assuntos e combater a concentração dos veículos de comunicação no Brasil.

A Radioagência NP conversou sobre o Encontro de Blogueiros com um dos organizadores do evento, o jornalista Rodrigo Vianna. Rodrigo também é diretor de Comunicação do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, que articulou o fórum.

Radioagência NP: Rodrigo, a partir do encontro, os blogueiros se dispuseram a fazer reuniões em pelo menos 19 estados brasileiros. Você considera que esse primeiro encontro foi um marco da comunicação social no Brasil?

Rodrigo Vianna: Sim, foi um marco da comunicação no Brasil, inclusive isso acabou entrando até na agenda da campanha eleitoral. Um dos candidatos que está meio nervoso nas últimas semanas chegou a fazer uma declaração desqualificando os blogues. Mas, na verdade, passou um recibo da importância relativa que os blogues já tem no debate em comunicação no Brasil. Em muitas cidades há dezenas de blogueiros que conseguem ser um contraponto à imprensa escrita tradicional, ou seja, a velha imprensa brasileira que é controlada por meia dúzia de famílias. Então é um marco porque ele colocou frente a frente as pessoas que estão fazendo esse contraponto e essa rede dos blogueiros, que já é forte, vai ficar mais forte ainda a partir do Encontro.

RNP: O que seria o Partido da Imprensa Golpista (PIG)?


RV: Olha esse termo PIG, que é um termo bem-humorado para se referir a esse Partido da Imprensa Golpista, surgiu a partir de um discurso de um deputado federal Fernando Ferro (PT/PE). Ele ele estava fazendo justamente a análise da grande imprensa brasileira, no momento específico de 2005 e 2006, e isso criou uma onda que aparentemente queria derrubar o governo federal. E a partir disso o jornalista Paulo Henrique Amorim cunhou esse termo PIG e a gente usa esse termo nos blogues para se referir a essa velha imprensa, que tem tido um papel no mínimo complicado nos últimos anos no Brasil.

RNP: Como a afirmação de Serra sobre os “blogues sujos” foi recebido pelos Blogueiros Progressistas?


RV: Foi tratado na base da galhofa que é como merece ser tratado um candidato se referir dessa maneira aos blogues, ele que tem uma relação tão próxima com a velha imprensa. Ele na verdade fez o porta-voz da velha imprensa. A gente já não sabe mais se a imprensa que é porta-voz desse candidato ou se ele é porta-voz da velha imprensa. Então foi tratado assim na base da galhofa porque não dá pra levar a sério um negócio desse.

RNP: O Blog Cloaca News vai pedir explicações de Serra na Justiça sobre o que seria "os blogues", é isso?


RV: É, vai pedir que ele nomeie, pois ele fez uma referência genérica. Aí o Cloaca News - que é um blog que mistura investigação com bom humor - disse que vai interpelar o Serra judicialmente, para que o candidato diga quem são esses blogues que ele considera “blogues sujos”. E o Paulo Henrique Amorim, durante o Encontro de Blogueiros, propôs que a gente desse um prêmio ao Serra de twittero cascão por disseminar sujeiras em certos momentos pela rede de computadores.

RNP: Como você avalia o papel dos blogues nesta eleição?


RV: Aquilo que a gente faz é um contraponto, eles já não falam sozinhos. De 2005 para cá, os jornais e as revistas - que eu chamo de velha imprensa - caminharam de um lado só. Todos passaram a fazer oposição ao governo federal. Não que o governo não mereça críticas, há muitos temas em que a crítica deve ser feita e quando há corrupção o jornalista tem que mostrar, mas foi uma coisa unilateral. A tal ponto que a presidenta da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Judith Brito, que é também diretora da Folha de S. Paulo, disse que dada a fragilidade da oposição partidária a imprensa passava a fazer o papel de oposição. Eles dizem que são isentos, mas não existe essa história de isenção completa na imprensa. Eu acho que a pessoa pode ter um lado, mas deve se prender a verdade factual. Por isso que os blogues crescem tanto, por culpa também do péssimo serviço de informação que a velha imprensa brasileira faz em nosso país.

RNP: Durante o encontro vocês também deixaram claro o apoio à Ação Direta de Inscontitucionalidade (Adin), que o jurista Fábio Conder Komparato entrou no Supremo Tribunal Federal. Essa ADIN é para regulamentar artigos da Constituição sobre comunicação?

RV: O professor Fábio Conder Komparato vai ingressar, ele ainda não ingressou. Ele vai ingressar em nome de entidades na área de comunicação, com apoio de centrais sindicais e sindicatos e dos blogueiros do Encontro Nacional dos Blogueiros. É uma ação pedindo que o Estado faça cumprir o que está na Constituição. Há vários artigos da área de comunicação que não são cumpridos, por exemplo, o que diz que não pode existir oligopólio e propriedade cruzada dos meios de comunicação. [Hoje] uma única família é dona do rádio, da televisão, do jornal, da internet, da TV a cabo. Não dá. É muito poder concentrado e a Constituição veda isso. Mas o Brasil não coloca isso em prática por causa do poder dessas famílias. Então o Brasil tem que questionar o poder dessa meia dúzia de famílias que ainda mandam na comunicação brasileira.

Fonte: Rádio Agência NP