A importância da mediação e da credibilidade na Internet

Por Renan Simão

Em todo lugar e a todo o momento, você é bombardeado de informações que indicam a você o que fazer, o que ler, beber, comprar. Essas escolhas só são confiáveis dependendo do que e de quem as aponta, e o jornalismo é parte disso. As críticas, reportagens e colunas expressam alguma predileção por tal assunto e o leitor precisa acreditar no veículo para concordar. 

Mas a Internet chegou e sua interatividade e liberdade de conteúdo propiciam que achemos uma informação em qualquer lugar do mundo a qualquer hora e, principalmente, de qualquer pessoa. Será que precisamos de uma mediação? Queremos alguém para nos indicar o que é bom ou as infinitas fontes da internet se bastam, por si só?

“Hoje existe muita produção de jornalismo cultural na internet, mas com pouca qualidade”, afirma Marion Strecker, jornalista e diretora de conteúdo do portal UOL. Strecker lembra que o espaço na internet é ilimitado e as possibilidades de distribuição de cultura são muito grandes, mas há muita produção de qualidade duvidosa.  A tal liberdade oferecida pela Internet, dá, muitas vezes, espaço a autopromoção e não a uma crítica confiável. 

Do mesmo jeito que os portais de notícia são confiáveis para sabermos as principais notícias do mundo, os blogs específicos de um assunto também têm espaço. É o chamado conteúdo de nicho. Desse modo, blogs da faculdade e sites de bairro, por exemplo, terão informações que os grandes veículos não podem dar. E se tiverem qualidade conseguirão credibilidade.

Carlos Graieb, editor-executivo da revista Veja, acredita que meios alternativos de filtro de conteúdo podem ser criados, porém precisamos de alguma mediação. “A Wikipedia é um exemplo que deu certo. Eles conseguem manter a qualidade por meio de ações colaborativas.” Graieb recorda que a relação do editor com o repórter também é um tipo de colaboração e que o jornalismo na internet depende disso para sobreviver. 

Texto produzido durante palestras do 2º Congresso de Jornalismo Cultural da Revista Cult, em maio de 2010.



 Vídeo do blog do congresso.
 




Site dá dicas de como fazer um "vídeo de internet"

A arte de se fazer vídeos para internautas

Quer opinião de quem trabalha com a internet para fazer um vídeo amador para seu blog, site ou mesmo para postar no YouTube? O texto abaixo trás dicas do site estrangeiro Mashable.com sobre vídeos feitos por internautas para outros internautas.

A matéria é construída em tópicos, em que cada um dá uma classificação para o tipo de vídeo. O primeiro tópico é o "Vídeos Resumos e Introduções". Esse tipo de vídeo é para pessoas que precisam mandar vídeos-currículo (o que tem sido muito usado por empresas atualmente) e até para telespectadores que queiram participar de seleção de programas de televisão. A dica basicamente diz o quanto a sua roupa e postura diante da câmera são essenciais, já que esse tipo de vídeo não utiliza nenhum apelo visual a não ser a própria pessoa no centro da tela. Atenção: ao mesmo que essa apresentação/resumo não pode ser muito extensa, ela também não pode ser incompleta ou muito superficial.

A segunda categoria de vídeo é o "Vídeo de Abastecimento". Esse tipo de vídeo deve ser utilizada em sites e blogs de pessoas que pretendem fazer das páginas virtuais uma propaganda e amostra do seu trabalho e não de si mesmo. Esse tipo de vídeo requer a inclusão de uma lista de comentários, em que os internautas poderão dar suas opiniões. É o famoso feedback. Com o YouTube, podemos ver que várias pessoas conseguiram chamar a atenção através desse tipo de vídeo.

A última dica do site fala sobre a importância que se deve dar a um vídeo postado. Muitas pessoas, por exemplo, esquecem que um vídeo postado por elas diz tanto como se tivessem escrito algo ou publicado uma foto delas próprias. Ou seja, deve-se tomar muito cuidado com aquilo que for postado, mesmo que o vídeo não tenha nada a ver com você.

Para quem ainda não conhece o Mashable.com, vale a pena dar uma olhadinha. Esse site posta matérias sobre novas tecnologias e tudo o que envolve a ampla área da internet. O mais legal dessa página virtual é que ela é atualizada diariamente, com cerca de 5 novos textos por dia. O site está em inglês, o que é bom para treinar o idioma.  

Fonte: mashable.com



A língua materna

Luis Fernando Veríssimo,  sobre alguns desdobramentos dos idiomas.



Franz Kafka escreveu no seu diário que nunca tinha amado a sua mãe como ela merecia por causa da língua alemã. "A mãe judia não é uma "mutter"", escreveu ele. "Chamá-la de "mutter" é um pouco cômico. Para um judeu, "mutter" é especificamente alemão. Portanto a mulher judia que é chamada de "mutter" se torna não apena cômica como estranha."
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Kafka escrevia em alemão. A língua do seu cotidiano era o checo. A língua da sua mãe era o iídiche. Além de tudo o mais que representa para a literatura moderna, Kafka foi o primeiro a falar do estranhamento com a língua materna, que no fim é um estranhamento com toda linguagem, que acomete quem a abandona. Escritores escrevendo na língua que não era a da sua casa foi uma constante do século. Foi Kafka quem, no século dos exílios, definiu uma das suas formas: o exílio em outra língua. Na qual ninguém se sentia em casa com sua "mutter" e talvez por isso tenham criado o que criaram.
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Falar e escrever em latim era comum na Idade Média e na Renascença e, até há pouco tempo, em quem recebia uma educação clássica. Mas o latim era a língua universal do privilégio e da alta cultura, um pouco como foi o francês mais tarde. Um adendo, não uma alternativa. O primeiro notável a abandonar sua língua materna e adotar, e dominar totalmente, outra foi Joseph Conrad, o polonês que acabou como um dos grandes estilistas do idioma inglês. Muito depois, o exemplo mais notório desta migração foi o russo Vladimir Nabokov.
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Nabokov também é o melhor exemplo do estranhamento citado por Kafka e das suas consequências literárias. Talvez nenhum outro escritor do século tenha usado a linguagem com a sua destreza e inventividade, frutos do estranhamento. Só quem chega adulto numa língua estranha vindo de outra pode descobrir todas as suas possibilidades e brincar com todas as suas peculiaridades, como Nabokov fez com o inglês até beirar o preciosismo. No seu caso a língua abandonada, a língua da casa, era a de uma infância idílica na São Petersburgo pré-revolução, cujas lembranças só alimentavam a mordacidade da sua linguagem no exílio.
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Samuel Beckett era um irlandês que escrevia em francês. Como no caso de Nabokov, isso também lhe possibilitou escrever numa linguagem pura, no sentido de intocada pelas tradições e pelos vícios acumulados da língua da infância. Ele usou a linguagem como um jogo, como o máximo de liberdade e experimentação permitido longe da mãe. É verdade que levou a depuração da linguagem a tal ponto que seu objetivo lógico parecia ser o silêncio, ou um exílio intelectual além do exílio em outra língua, ou a pureza no seu estado máximo. Para Beckett o estranhamento só trouxe a angústia da impossibilidade de nos comunicarmos, em qualquer língua.
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Jorge Luis Borges transitou por todas as línguas, por todas as literaturas e por toda a História, sem contar as partes que ele mesmo inventou. Dizem que seu primeiro texto, sobre os mitos gregos, foi escrito quando ele tinha 7 anos de idade, em inglês. Depois, ninguém como ele brincou tanto com a linguagem, com a tênue linha que separa a erudição da paródia de erudição, a criação literária de outras formas de prestidigitação - enfim, com a linguagem como travessura. Mas escrevia na língua da sua infância. E depois da cegueira, quem lia para ele era sua mãe. Borges tinha a língua e a voz maternas com ele, portanto. O seu não era um exemplo de estranhamento kafkiano. Ou era um estranhamento que Kafka invejaria.




O Jornalista e o Mundo digital


 Qual o papel do jornalista no mundo digital?

por Laércio Guidio

Várias palestras e painéis neste primeiro semestre de 2010 abordaram a nova “fórmula” de se fazer jornalismo. O rumo das discussões é sempre o mesmo: os comunicadores sociais estão reinventando o formato de se comunicar, para se adequarem às novas tecnologias e satisfazerem as exigências do público.

Nada que seja uma grande revelação, pois o receptor passou a ser também um emissor de informação, o uso de redes sociais como: Twitter, Orkut e Facebook fazem a notícia se propagar cada vez mais rápido e as fontes serem cada vez mais diversificadas.

Portanto os jornalistas precisam indiscutivelmente aderir às novas formas de comunicação. Nunca o envolvimento entre as mídias foi tão requisitado. São muitas ferramentas existentes, mas mais que canais comunicadores é preciso muita criatividade, independente do meio de comunicação.

As palestras e painéis sobre a imprensa revelam algo que já faz parte do cotidiano dos espectadores e que deve expandir cada vez mais: o humor inteligente e textos mais literais, acompanhados de infografismos e ilustrações editoriais; o design tomou conta da comunicação não somente como complemento, mas também como “agente protagonista” de informação.

O jornalismo está cada vez mais humanizado, artesanal, e carente de profissionais que informam e conquistam, não basta noticiar, tem que satisfazer o público cada vez mais exigente.

Os bastidores dos fatos também são importantes, pois despertam a curiosidade e a vontade de saber mais sobre o que ocorreu, a notícia deve ganhar um desdobramento com muita atenção para o que antes era meramente descartado.

A internet é uma grande aliada do jornalismo, mas não podemos esquecer que é algo vivo, que se reinventa a cada dia; sendo assim, o jornalista também precisa se reinventar, reciclar, remodelar seus hábitos e enxergar além dos olhos do público, uma tarefa nada fácil se for pensar que a massa heterogênea tem visão plural, mas exigência bem singular: matérias bem elaboradas e com criatividade sem limite, desde o título até o último ponto final.




De como fugir do lide com classe




Por Renan Simão

Há décadas sustenta-se uma discussão sobre os pontos de junção entre jornalismo e literatura. Os resultados são livros-reportagens, romances não-ficcionais, narrativas com utilização de recursos literários, etc. No jornalismo impresso, não raro, busca-se mecanismos da literatura para apresentar um texto mais interpretativo e reflexivo e assim atrair o leitor.

O escritor e colunista do jornal “O Globo”, Joaquim Ferreira dos Santos, acredita que a escrita literária e a jornalística devem ser usadas de um modo equilibrado.  “Vejo muitos repórteres iniciantes tentando fazer um texto diferente, estiloso. No final, eles criam aquele ‘nariz de cera’, um parágrafo de introdução sem nenhuma informação factual para o leitor.” Joaquim admite que, quando jovem, saiu-se “ridículo” ao tentar imitar a escrita de Gay Talese (expoente do jornalismo literário) em uma matéria estritamente factual.

Embora o jornalismo impresso tenha a natureza factual, a internet provê informações em tempo real e em muitas vezes desbanca os grandes furos de reportagem. “Eu não preciso saber de tudo. O impresso está muito pesado, redundante. O leitor de jornal em papel quer cada vez mais ler uma boa história do que saber o que já foi mostrado na internet ou na TV”, aponta Joaquim. Para ele esse é um caminho para o uso das técnicas literárias no jornalismo.  

Dentro do jornal impresso existem seções delimitadas a um tipo específico de escrita. As colunas são a opinião do jornal, elas interpretam a notícia. Essa é a principal diferença entre a coluna e a crônica. O cronista possui total liberdade sobre o conteúdo da sua seção, não é amarrado ao factual. Nos dois estilos citados e nas grandes reportagens há espaço para uma escrita mais literária.

O escritor e colunista do jornal Folha de São Paulo, Carlos Heitor Cony, fala que a internet é apenas mais uma ferramenta de mídia e que ainda o jornal impresso precisa, mais do que nunca, do jornalista. “Vejo que falta o faro, o tesão, o serviço. Eu conheci um repórter que não sabia escrever e foi dos melhores repórteres que vi. Fazia furos jornalísticos incríveis, tinha tesão.”, conta Cony. Para o escritor, os recursos da literatura têm lugar no jornalismo, desde que estejam juntos da apuração da notícia.

Apesar da grande quantidade de denominações sobre a fusão entre jornalismo e literatura, para Paulo Franchetti, professor de teoria literária da Unicamp, o título não importa: “Gênero não define qualidade. Esses recursos de linguagem não são ruins desde que sejam submetidos à pauta e ao espaço da mídia”. O leitor quer um bom texto, sendo jornalismo literário ou não. O nome pouco importa.  

Texto produzido durante palestras do 2º Congresso de Jornalismo Cultural da Revista Cult, em maio de 2010.