O debate entre o passado e o futuro do jornalismo

Por Jaderson Souza

Entre os dias 26 e 29 de outubro aconteceu a “Semana Estado de Jornalismo”. O evento, organizado pelo Grupo Estado (que inclui os jornais “O Estado de São Paulo”, Jornal da Tarde e Rádio Eldorado), ofereceu palestras a respeito do cenário da profissão e visitas à redação do Estadão. Em suma, trata-se de uma oportunidade para os alunos de jornalismo ter contato com o cotidiano de um jornal renomado em âmbito nacional.

No dia 27, houve a ausência do principal convidado da palestra, o jornalista Boris Casoy, e a discussão sobre fenômenos passados e os novos caminhos do jornalismo no Brasil.

A trajetória dos chamados jornais populares foi enfatizada pelo jornalista da editoria de política do Estadão Roberto Godoy. Segundo o jornalista, o baixo valor desses jornais era um atrativo de compra para as classes mais baixas. Por outro lado, Godoy listou dois motivos para a queda dos jornais populares: a alteração do perfil de anunciantes dos jornais e a evangelização do antigo leitor destes veículos, caracterizados por pautas sensacionalistas. Essa conjuntura favorece o crescimento da classe C no que se refere ao consumo de jornais que têm a mesma linha editorial do Estadão.

Outro fator levantado por Godoy foi o crescimento dos jornais regionais, localizados em praças prósperas que não sejam necessariamente grandes cidades. Na opinião dele, este será um grande campo de empregos no futuro.

Durante a palestra, Godoy ressaltou sobre a existência de áreas pouco exploradas no jornalismo como, por exemplo, a cobertura da Amazônia, o agronegócio tecnológico e as novas energias. Segundo ele, existem apenas matérias pontuais sem uma visão conjunta. Godoy ainda deu um alerta aos novos profissionais.

“Não adianta pensar que apenas o curso de jornalismo seja suficiente para a formação. Faltam (por exemplo) seminários de economia integrados com os de jornalismo”.



Jornal Jr. na Semana Estado de Jornalismo

A Jornal Júnior particiou da 5ª Semana Estado de Jornalismo, promovida pelo jornal Estado de São Paulo, em parceria com o Santander Universidades. Seguem os textos produzidos durante o evento.


Por Regiane Folter

Iniciou-se nesta terça-feira, 26 de outubro, a terceira Semana Estado de Jornalismo, em São Paulo, na sede do jornal O Estado de São Paulo. Com o objetivo de promover o contato dos alunos do curso de jornalismo com renomados profissionais da área, o evento traz quatro semanas anuais com palestras e debates para que os estudantes se aproximem um pouco mais da profissão.

O evento, em parceria com o banco Santander, promove também o Prêmio Jovem Jornalista, que vai classificar mais quatro alunos nessa edição da Semana que, além de terem suas reportagens publicadas no jornal diário, vão concorrer a uma bolsa de estudos para a Universidade de Navarra, na Espanha.

A Semana começou com duas palestras voltadas para o Prêmio e o tema desse ano: desenvolvimento sustentável. Ao final do dia, os estudantes receberam a pauta que deverão realizar para participar do Prêmio Jovem Jornalista, e o assunto que eles deverão explorar em cerca de três mil caracteres é turismo sustentável.

Na quarta-feira, dia 27, os alunos vão debater a função do jornalista em uma eleição com o repórter de política Roberto Almeida, o coordenador de repórteres especiais Roberto Godoy e com o experiente jornalista Boris Casoy.

Na quinta-feira, a discussão visa a infografia, levando em conta a recente reforma gráfica que modificou o visual do Estadão. O diretor de arte responsável por esse projeto gráfico, Fábio Sales, vai conversar com os estudantes sobre o assunto. Já na sexta-feira, último dia da Semana, o jornalismo vai ser abordado em suas diferentes mídias pelos editor-chefe da TV Estadão, Felipe Machado, editora-chefe da rádio Eldorado, Filomena Selemme, e o editor-chefe do portal Estadão, Otávio Dias.









Podcast sobre Zé do Caixão

Por Mariana Thomaz e Pablo Marques

Confira o podcast sobre a exibição do filme de José Mojica "Meia-noite levarei sua alma"  e sobre a carreira do cineasta. Tudo, claro, dentro da Semana de Audiovisual, a SEDA. Ouça!




Graveola, Norman Bates e Jennifer Lo-fi na SEDA

por Renan Castilho

    Nas paredes, quadros memoráveis na História do rock: Elvis, Frank Zappa, Stones, Bob Dylan. Essa atmosfera inspiradora do Jack Music Bar dava o ritmo do que seria a noite de sexta-feira do “Pacotinho de SEDA”. As bandas que se apresentaram foram Norman Bates e os Corações Alados, Jennifer Lo-Fi e Graveola e o Lixo-Polifônico. Esses últimos eram os mais esperados e se apresentaram primeiro. Diante de um público que notadamente preferia o rock (a bateria bem marcada e riffs sonantes) o Graveola levou um ritmo mais suingado com lindas melodias e letras que dá vontade de cantarolar junto.

Graveola

    “Coisa fina”, disse um quando começou o show. Refinado, talvez esse seja um modo de identificar o som do Graveola. Vozes ajudam viajar nas letras e os já muito falados barulhinhos que se consegue perceber nas canções. Batuques em fôrma de bolo, sons de brinquedo de criança e assovios imitando passarinhos são algumas das experimentações. “De um tempo pra cá, nosso som não é tão experimental assim, aliás, é convencional. As maiores viagens são apenas com a percussão.”, comenta Yuri, baterista. A canção ainda é o principal para os mineiros de BH. Como pode se perceber em “Rua A”, “Suprasonho” e “Coquetismo”, esse último o hit da banda do disco Um e Meio (2010).

Norman Bates

    Se os mineiros do Graveola trouxeram a melodia refinada, logo depois os bauruenses do Norman Bates mostraram a poesia e o rock ‘n roll. Carregado de melancolia e piração, o vocalista Luiz Paulo Domingues encarna o homem pós-moderno nas letras. Seus medos, vontades e amores expostos no palco com notada grandiloqüência. (Saca o Morrissey?). O som acompanha a angústia das letras: solos de guitarra e teclado dão o tom de classe dentro dessa atmosfera de confusão existencial. Destaque para “Vício” e “Para quem entende de publicidade” (no MySpace).

Jennifer Lo-Fi

    Jennifer Lo-Fi foi a banda que encerrou o Pacotinho de SEDA da sexta-feira. O grupo paulistano que é conhecido por seus webshows semanais e a relação com a Internet, combina um lirismo das letras cantadas em inglês com a força das guitarras e da bateria. A voz de Sabine Holler (vocalista) flerta entre a delicadeza e a agressividade, que ganham força com e elevação dos riffs de guitarra. Confira “Escafandro” no MySpace da banda.



Cinema Marginal na SEDA

por Giovanni Vieira

    O cinema brasileiro sempre teve "ares" diferentes. Entre os anos 60 e 70, os anos de chumbo do país, a linguagem cinematográfica brasileira entrou em fase de radicalização. Surgia assim o Cinema Marginal, uma produção que buscou romper com as imagens tradicionais e trazer o grotesco, o erotismo e o pornográfico como novos elementos artísticos.
   
    O Cinema Marginal Brasileiro também ficou conhecido como "Boca De Lixo" ou "Underground" e tinha a liberdade de seus criadores como uma marca essencial. Foi com essa inspiração que a SEDA iniciou a noite de sexta-feira com a mostra do filme "Mulher de Todos" (1969).

    Dirigido pelo cineasta Rogério Sganzerla, o longa pertence ao gênero da comédia e faz uma homenagem às antigas chanchadas e aos pastelões. O enredo narra a história de uma mulher ninfomaníaca de nome Ângela Carne e Osso. A libertina moça rompe com seu caso e resolve passar uma temporada em uma ilha exótica, a Ilha dos Prazeres. No local, a moça acba conhecendo mais rapazes, mas acaba sob suspeita do próprio marido que coloca um detetive particular para comprovar a infedelidade da esposa.

    Ângela Carne e Osso quebra o estereótipo de mulher submissa e é capaz de fazer dos homens gato e sapato, um objeto de diversão. Talvez o filme tenha causado muito impacto na época de seu lançamento, mas no nosso tempo Ângela se tornou mais uma entre muitas mulheres com essas características. Ângela é a mulher do século XXI, é ultra-perigosa, inimiga dos homens e vampira histérica em busca de carne fresca para atraiçoar.